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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sobre a ideia de igualdade

Muito se fala (e se falou ao longo da História) sobre a ideia de igualdade. A sociedade contemporânea, nascida do pensamento racional ocidental e das Revoluções Burguesas, baseia-se na igualdade jurídica. É verdade que a igualdade social permanece como um desejo, mas a igualdade legal, aquela que diz "somos todos iguais perante a lei" marca, em tese, a morte dos privilégios. No caso da Revolução Francesa, por exemplo, tinha-se a morte dos privilégios da nobreza e do clero, dos monopólios reais e das distinções por nascimento.
No entanto, no Brasil a luta contra privilégio sempre teve um caminho muito tortuoso. A desigualdade é quase natural e de difícil combate. Em muitos casos luta-se mais para conseguir privilégios para si que para garantir a igualdade perante os demais. Como o antropólogo Roberto da Matta já tratou, o "sabe com quem você está falando" é um indicativo deste universo cultural. O pretenso "doutor", seja por ter ou por parecer ter dinheiro, já se considera superior. Para citar apenas mais um exemplo, temos os juízes, guardiões das leis que garantem nossa igualdade, também defensores de vagas exclusivas de estacionamento em frente aos tribunais, mas em plena via pública. E que fique claro: público = de e para todos!
Diante deste cenário todo li com muito interesse a carta de um leitor do jornal Folha de S. Paulo em 18 de agosto e gostaria de compartilhar com todos vocês. Leiam com atenção!

'Como todo brasileiro, ciclista odeia a igualdade', diz leitor
ALEXANDRE PINHEIRO
Moro no Rio. Estava prestes a atravessar a calçada de uma rua próxima à minha casa quando alguém parou de repente a poucos centímetros das minhas costas, fazendo um som com a boca.
Virei-me, surpreso, e havia uma moça na contramão em uma bicicleta que, por pouco, não me atingiu. Quando passou por mim, eu senti que tinha o direito de reclamar e falei: "Pô, na contramão?!".
Mas eu esqueci que estava diante de uma raça superior, a dos ciclistas, e fui devidamente xingado de "babaca".
Certamente a ciclista viu no meu rosto que eu não sei andar de bicicleta e sou usuário de transporte público, visto que não tenho automóvel (assim como meus pais nunca tiveram) nem mesmo sei dirigir. Em outras palavras, eu sou um mero pedestre e por isso valho muito pouco diante da superioridade moral dos ciclistas --afinal, eles salvarão o planeta de gente como eu, que depende do transporte público poluente.
Infelizmente, essa pretensa superioridade moral dos ciclistas --facilmente observada quando trafegam na contramão, na calçada, avançando sinais-- não me surpreende nem um pouco. Aliás, vejo aí um comportamento típico dos brasileiros: nosso ódio visceral pela igualdade.
Quando vejo os ciclistas, não consigo evitar de pensar em uma hipótese que talvez servisse para meus colegas pesquisadores das ciências sociais: o uso da bicicleta esconde a repulsa de seus usuários pelo contato com os outros --seja físico, no ônibus ou no metrô, seja dividindo o mesmo espaço na rua, dentro dos carros (em ambos os casos, todos são iguais, estão todos na mesma situação e não importa quem tem mais capital cultural, social ou econômico).
O ciclista não apenas se afasta das pessoas, como também se põe acima dela.
Alguns alegarão que não posso generalizar, pois há o "bom ciclista" e o "mau ciclista". Concordo. Mas, quando um deles é atropelado, transformam-se nos ciclistas. Quando é para elogiar e paparicar quem usa bicicleta para salvar o planeta ou a si mesmo, são todos ciclistas. Ou seja: o bônus é de todos; o ônus é individual. Como todo brasileiro, ciclista odeia a igualdade.

Pense nisso!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Lembrete: atividades optativas

Alunos da 2a. e da 3a. série,

Já estão no GIC as propostas de atividades optativas para o 3o. bimestre. 
Confiram lá e, qualquer dúvida, me procurem!
Fiquem atentos ao prazo: 6 de setembro.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

The Yes Men e outras questões

Como parte das aulas de Filosofia e Sociologia e aproveitando o bonde da Rio+20 estamos assistindo com as 3as. séries ao documentário The Yes Men Fix de World. Apesar de usar de uma linguagem leve e bem humorada o ativismo anti-liberal do grupo Yes Men é sério e as críticas, pertinentes.


Curiosamente, e totalmente por acaso, vi num blog o link para uma dessas listas que são feitas todos os dias na internet. Enquanto muitas são praticamente inúteis, esta me chamou a atenção:


Dá uma olhada no 2o. maior desastre!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Caça às bruxas

De tempos em tempos a cultura ocidental (digo isso por não conhecer muito bem a história oriental) procura exterminar seus medos fisicamente e elege, para isso, um bode expiatório. Para os nazistas os judeus representavam a encarnação de todos os males possíveis, o que justificaria o injustificável: o holocausto. No pós-guerra, com o advento da Guerra Fria, os novos bodes ou, neste caso, as bruxas a serem caçadas, eram os comunistas. Na verdade, nem precisava ser comunista, bastava parecer comunista ou, simplesmente, discordar um pouco do pensamento hegemônico. Este cenário foi particularmente intenso na "terra da liberdade e da democracia", os EUA.
O Spartacus original
Entre os anos 50 e 60 viu-se uma escalada de desconfiança e perseguições a supostos comunistas "infiltrados" no seio da democracia estadunidense: investigou-se e prendeu-se milhares de funcionários públicos, professores, jornalistas, políticos e artistas de esquerda ou críticos da política norte-americana. Comandada pelo senador Joseph McCarthy - daí chamarmos o período de macartismo - a caça às bruxas expurgou Hollywood.
Esta semana o veterano ator Kirk Douglas (95 anos!) manifestou-se a respeito por ocasião do lançamento de seu décimo livro:
O ator Kirk Douglas lançou um livro no qual contou as dificuldades que enfrentou durante a produção do filme "Spartacus", de 1960, época em que o senador Joseph McCarthy perseguia os cineastas americanos, acusados por ele de comunistas em sua caça às bruxas aos movimentos de esquerda no período da Guerra Fria.
"A caça às bruxas destruiu vidas e carreiras. Eu fiz 'Spartacus' com um roteirista que estava incluído na lista negra e que teve que se esconder sob um pseudônimo para encontrar trabalho", explicou nesta segunda-feira (14) Douglas em um comunicado por ocasião da publicação no próximo mês do livro "Sou Spartacus!".
A estrela de Hollywood lembrou que realizou um filme épico sobre a liberdade numa "época na qual a liberdade nos Estados Unidos estava em perigo", e disse ver semelhanças entre o período e o clima político atual, motivo pelo qual resolveu escrever sobre a produção da obra.

Notícia completa AQUI.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Quem procura, acha!

Atualmente "Google" virou sinônimo de pesquisa e em alguns idiomas já existem neologismos transformando o nome do buscador em verbo. Porém, está cada vez mais óbvio que não basta buscar uma palavra para obter um bom resultado: o oráculo não sabe escolher as informações que nós precisamos. Pode parecer estranho para alguns, mas até para pesquisar no Google há método e ferramentas que melhoram os resultados.
Pensando nisso, o gigante da internet criou um site - Google Search Education -  com dicas e tutoriais para ensinar professores e alunos a utilizarem de forma mais otimizada toda a potencialidade do sistema de buscas. Pena que ainda está tudo em inglês, mas para vocês não será um problema, não é?



Facilitando: vá em Lesson Plans & Activities e escolha seu grau de conhecimento (iniciante, intermediário ou avançado)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O que é hiperinflação?


Quando falamos em período entre-guerras, ou melhor, a década de 1920 na Europa, é obrigatório lembrar da precária situação econômica: desemprego, baixa produtividade do campo e da indústria e hiperinflação. Quando a conjuntura parecia um pouco melhor, veio a catastrófica crise de 1929 para fechar a década. Um cenário que, não por acaso, colaborou decisivamente para ascensão dos regimes autoritários nazi-fascistas.
Mas o que quer dizer hiperinflação exatamente? Não é difícil de imaginar uma inflação altíssima e descontrolada, com diários aumentos de preço. Um dos casos mais famosos é a hiperinflação da Alemanha (República de Weimar) em 1923. Para se ter uma ideia, entre janeiro de 1922 e dezembro de 1923 a inflação chegou a um patamar de 1 bilhão por cento. Difícil de visualizar? Então leia o texto abaixo retirado do livro Os Três Camaradas, do alemão Erich Maria Remarque:
1921...Fico pensando. Já não me lembro de nada. Aquele ano falhara, simplesmente. No ano de 1922, trabalhei como ferroviário na Turíngia e, em 1923, como chefe do departamento de propaganda de uma indústria de borracha. Isto aconteceu no período de inflação. Meu salário mensal ascendera às vertiginosas alturas dos duzentos bilhões de marcos. Havia pagamento duas vezes por dia, e logo após o recebimento, uma licença de uma hora para que se pudesse sair correndo pelas lojas, a fim de comprar ainda alguma coisa útil, antes de ser anunciado o novo câmbio do dólar; pois então o dólar só valeria a metade. 
(Erich Maria Remarque. Os Três Camaradas. Rio de Janeiro: Record, [s.d.]. P. 8)

Para enfatizar: as crianças estão brincando com maços de dinheiro desvalorizado
durante a crise de 1923 na Alemanha.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Os horrores da guerra, de qualquer guerra

"Stormtroops advancing under a gas attack", de Otto Dix
Quando preparo uma avaliação vou juntando todo tipo de material que tenho para depois selecionar o que julgo mais apropriado. E com frequência sobram coisas bem interessantes.
Desta vez, ao formular a prova de recuperação da 3a. série restou em minhas mãos um trecho do livro Os três camaradas, de Erich Maria Remarque (o mesmo autor de Nada de novo no front). A passagem descreve uma lembrança do personagem a respeito da Primeira Guerra Mundial, fazendo referência às trincheiras e à guerra química.
“1917. Flandres. Middendorf e eu tínhamos comprado uma garrafa de vinho tinto. Com ele pretendíamos fazer uma pequena comemoração. Isso, entretanto, não nos foi possível. De madrugada os ingleses desencadearam um pesado fogo sobre nós. Ao meio dia, Köster foi ferido. De tarde caíram Meyer e Deters. E ao anoitecer, quando pensávamos poder ter um pouco de sossego e abrir a garrafa, veio uma onda de gás e se infiltrou pelos abrigos subterrâneos.
É verdade que nos tínhamos munido de máscaras no devido tempo, mas a de Middendorf estava estragada. Quando ele notou o defeito, já era tarde. Até que a arrancasse do rosto e achasse outra perfeita para substituí-la, já havia inalado excessiva quantidade de gás, e vomitava sangue. Na manhã seguinte, ele estava morto, com o rosto manchado de verde e negro. O pescoço estava todo arranhado pelas unhas na desesperada ânsia de abri-lo para conseguir um pouco de ar para respirar.”

(Erich Maria Remarque. Os três camaradas. Rio de Janeiro: Record, [s.d.]. P. 8)
Este excerto é bem impactante como um todo, mas a última frase eleva a tragédia humana a outro patamar. Não por acaso Remarque é reconhecido como um autor pacifista e crítico da visão de que a guerra faz heróis. Por sua vez, fica fácil imaginar porque Hitler e sua turminha mandaram queimar os livros do escritor e ex-soldado.


A propósito, sobre a guerra química e o uso de gases tóxicos, postei anteriormente uma sugestão de leitura AQUI.

Se você gostou da imagem que ilustra o post, veja outros trabalhos de Otto Dix, também um artista engajado em denunciar os horrores da guerra e considerado um expoente da "arte degenerada", na opinião dos nazistas.
Clique AQUI.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Novidades na Biblioteca

Os professores de História propuseram à Biblioteca do Colégio a compra de oito novos títulos e "para a noooosa alegria" todos os oito foram comprados e já estão disponíveis para empréstimo.

As obras sugeridas compõem a Coleção “Revoluções do Século 20” coordenada pela historiadora Emília Viotti da Costa e editada pela Editora UNESP. A proposta desta coleção consiste em reunir historiadores e cientistas sociais de posições políticas diferentes para tratar dos mais diversos movimentos revolucionários do século XX, desde a Revolução Russa de 1917, considerada a mãe de todas as revoluções sociais desse século.
Basta um rápido olhar para notar que a Revolução Argelina dialoga com a atual “Primavera Árabe”, ou que a Revolução Iraniana permanece atual e atuante frente às pretensões nucleares do Irã, ou ainda que compreender a Revolução Chinesa é de suma importância para analisarmos com segurança a nova “potência” mundial. A coleção ainda dedicou especial atenção aos movimentos Latino-Americanos, lembrando-nos, brasileiros, que pertencemos a este universo político-cultural e carecemos de maiores conhecimentos a este respeito.
A coleção conta com 17 volumes, mas por ora foram adquiridos oito títulos considerados básicos. Aliás, básico também é o formato da coleção: pocket books (10x19cm) com algo entre 100 e 180 páginas.

Os livros estão esperando por vocês!


1. As Revoluções Russas e o Socialismo Soviético
Reis Filho, Daniel Aarão

"O movimento em favor de uma mudança radical ganhava um número cada vez maior de participantes, em várias partes do mundo, culminando na Revolução Russa de 1917, que deu início a uma nova era. O processo revolucionário no início do século XX, sob inspiração de socialistas e comunistas, transcendia as fronteiras da Europa e da América e o caminho seguido pela União Soviética alarmou alguns e serviu de inspiração a outros, provocando debates e confrontos internos e externos que marcaram a história do século XX. Com o fim de guerra fria e o desaparecimento da União Soviética é possível reavaliar os acontecimentos."


2. A Revolução Chinesa 
Pomar, Wladimir

"A Revolução Chinesa, em 1949, ampliou o bloco socialista e forneceu novos modelos para revolucionários em várias partes do mundo. Com a participação da China em instituições até recentemente controladas pelos países capitalistas, talvez seja possível dar início a uma reavaliação mais serena dos acontecimentos. Essa Revolução que intriga o Ocidente e as reformas promovidas pelo regime a partir de fins do século XX impõem a tarefa sempre renovada de esclarecer o perfil e os rumos dessa epopéia ainda não terminada."


3. A Revolução Cubana 
Ayerbe, Luis Fernando

"Nesta obra, a abordagem do processo histórico cubano toma como referência o contexto vivenciado pelos atores da revolução, considerando suas opções e decisões à luz dos dilemas apresentados pela realidade de uma época marcada por fortes constrangimentos externos originários da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Será essa a base da reflexão sobre os desafios atualmente colocados para a continuidade do processo iniciado nos anos 50. Na ocasião, uma profunda reestruturação interna da economia e sociedade cubanas e o desafio à hegemonia dos EUA sobre a América Latina, cujos países haviam iniciado um processo de industrialização voltado para o mercado interno, visando ao atendimento de prioridades nacionais, passa a receber pressões externas em favor da abertura das economias à penetração do capital estrangeiro e à instalação de filiais de empresas multinacionais."

4. A Revolução Mexicana 
Barbosa, Carlos Alberto Sampaio

"O século XX no México começa efetivamente com a Revolução Mexicana. Foi a primeira revolução com claro cunho social a acontecer na América Latina nesse século. Existem muitas razões para se refletir sobre esse singular acontecimento na história mexicana e latino-americana. Em primeiro lugar, por que deu origem a um regime estável e duradouro. Tal situação fica mais evidente se compararmos o México a outros países do sul do continente que, ao longo do século XX, passaram por golpes militares e regimes de exceção."



5. A Revolução Portuguesa 
Augusto, Claudio de Farias

"O mais recente título da coleção Revoluções do Século XX apresenta ao leitor o movimento de maior importância da história recente de Portugal. Mais conhecida como a Revolução dos Cravos, o levante iniciado em 25 de abril de 1974 pôs um fim ao regime de António Salazar, responsável por uma das mais duradouras ditaduras que se tem notícia no mundo ocidental.
Nesta sucinta e didática obra, Claudio de Farias Augusto narra todo o processo revolucionário, apontando para as alianças construídas para enfraquecer o salazarismo e remontando, inclusive, a própria origem do governo do ditador. Deste modo, o autor deixa evidente como a Revolução dos Cravos foi capaz de estabelecer um ambiente efetivamente democrático, delineando um novo futuro para o povo português."


6. A Revolução Venezuelana 
Maringoni, Gilberto

"Em A Revolução Venezuelana, da coleção Revoluções no século 20, dirigida pela profa. Emília Viotti da Costa, o autor esclarece que os eventos tratados integram um processo político ainda em curso, o que torna a maioria das conclusões alinhavadas imersas no movediçio terreno do tempo imediato, e se pergunta: houve de fato uma revolução na Venezeula no fim do século XX ou há nesse país um processo desse tipo no início do século XXI? Responder a essa questão é a proposta de Maringoni, repassando os principais momentos e atores do cenário venezeulano e as alterações na correlação de forças interna, com suas conseqüências no plano internacional, em particular no latino- americano."


7. A Revolução Iraniana 
Coggiola, Osvaldo

"No fim de 1978, as ruas de várias cidades do Irã enchiam-se de manifestantes que reclamavam o fim do governo, uma monarquia encabeçada pelo xá Mohammed Reza Pahlevi. A ação repressiva do Exército e da polícia, fiéis ao regime, não conseguia deter a determinação dos manifestantes, massacrados às centenas, na evolução de um processo revolucionário que se baseava nos ensinamentos de um personagem religioso do século VII, o profeta Maomé. Ao qualificarmos de "iraniana" uma revolução que o mundo se acostumou, ideologicamente, a chamar de "islâmica", sublinhamos suas múltiplas raízes históricas e políticas, que o obscurantismo "racionalista" pretende ocultar mediante uma simplificação absoluta, posta, atualmente, a serviço de uma cruzada mundial contra o "terrorismo islâmico, último álibi político-ideológico do velho imperialismo capitalista."

8. A Revolução Argelina 
Yazbek, Mustafa

"A Argélia representava para o Estado francês, até meados do século XX, uma enorme extensão de terra ocupada por algumas tribos primitivas de árabes e berberes, a maioria deles muçulmanos. Um território onde todas as melhorias existentes deviam ser tributadas ao poder da França. Movidos pela forte onda nacionalista que percorreria o mundo árabe e culminou com a ascensão do pan-arabismo nasserista ao poder no Egito, os argelinos lutaram quase dez anos pela independência, conquistando com ela sua dignidade nacional e uma maior autonomia no controle do destino de seu próprio país."'





Importante: todas as sinopses foram citadas entre aspas, pois constam do site da Editora UNESP.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Provas Bimestrais

E lá vamos nós para as primeiras provas bimestrais do ano!!
Apenas para relembrá-los vou listar aqui os capítulos do livro, leitura mínima para a prova. Além disso, deixarei algumas sugestões de leitura de posts antigos do blog. Quem quiser ir além, leia à vontade.
Qualquer dúvida, o espaço dos comentários está à disposição.

2a. série
O foco é o trabalho escravo ao longo do tempo: antigo, moderno e contemporâneo. É fundamental ficar atento à realidade brasileira, principalmente no que diz respeito ao racismo! O trabalho bimestral também é matéria, ok?
Capítulos 14 e 15.

Leia também:
Escravidões
O infame comércio
Abolição e abolicionismo
Análogo ou não?
Trabalho, muito trabalho


3a. série
Ao longo do bimestre abordamos principalmente o início do século XX ou, nas palavras de Eric Hobsbawm, o fim do "longo século XIX": Imperialismo e Neocolonialismo, Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa, o Pós-Guerra: Nazi-Fascismo e Crise de 1929.
Capítulo 9 (p. 185-189)
Capítulo 19 (377-380)
Capítulo 27 (546-558)


Leia também:
Velhos termos, usos atuais
Novo impulso imperialista?
Motins, estopins e consequências
Era uma vez um império...
Os 14 Pontos
A Crise de 1929 em imagens


E se você, aluno da 2a. ou 3a. série, quiser fazer exercícios, procure no Só exercícios


Bons estudos!!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Propaganda e os propagandistas

Bertolt Brecht (1898-1956)
Como atividade optativa neste bimestre havia um trabalho com documentos cujo tema era o nazi-fascismo. Um dos documentos era, na verdade, um poema de Bertolt Brecht, um dos maiores dramaturgos do século XX e ferrenho crítico do nazismo desde o primeiro instante. Perseguido pelo regime de Hitler, Brecht deixou a Alemanha e perdeu sua cidadania alemã. Suas peças e poemas possuem sempre uma crítica ao nazismo ou à sociedade que aceitava a liderança do Führer sem qualquer questionamento. Até hoje o termo brechtiano se aplica ao teatro crítico e pedagogicamente político, voltado para o engajamento da sociedade contra a opressão.
No poema abaixo, Brecht trata justamente de uma das inovações nazistas: a propaganda. Como os nazistas estavam voltados para uma política de massas, era fundamental seduzir e conquistar o apoio da população como um todo. Nunca, até então, um partido (e depois um governo) havia usado tanto de propaganda: cartazes, comícios, rádio, cinema, tudo servia aos propósitos de sedução de corações e mentes.
O curioso é que a inovação nazista acabou se tornando o "feijão com arroz" da política . Experimente ler o poema sem as estrofes 2, 3 e 4, que são bem específicas. Não parece a descrição de qualquer campanha política? Ou mais, não parece a propaganda de qualquer coisa, do sabão em pó a um carro de luxo?

NECESSIDADE DA PROPAGANDA
1.
É possível que em nosso país nem tudo ande como deveria andar.
Mas ninguém pode negar que a propaganda é boa.
Mesmo os famintos devem admitir
Que o Ministro da Alimentação fala bem.
2.
Quando o regime liquidou mil homens
Num único dia, sem investigação nem processo
O Ministro da Propaganda louvou a paciência infinita do Führer
Que havia esperado tanto para ter a matança
E havia acumulado os patifes de bens e distinções
Fazendo-o num discurso tão magistral, que
Naquele dia não só os parentes das vítimas
Mas também os próprios algozes choraram.
3.
E quando em um outro dia o maior dirigível do Reich
Se desfez em chamas, porque o haviam enchido de gás inflamável
Poupando o gás não-inflamável para fins de guerra
O Ministro da Aeronáutica prometeu diante dos caixões dos mortos
Que não se deixaria desencorajar, o que ocasionou
Uma grande ovação. Dizem que houve aplausos
Até mesmo de dentro dos caixões.
4.
E como é exemplar a propaganda
Do lixo e do livro do Führer!
Todo mundo é levado a recolher o livro do Führer
Onde quer que esteja jogado.
Para propagar o hábito de juntar trapos* , o poderoso Göring
Declarou-se o maior “juntador de crápulas” de todos os tempos
E para acomodar os crápulas* fez construir
No centro da capital do Reich
Um palácio ele mesmo do tamanho de uma cidade.
5.
Um bom propagandista
Transforma um monte de esterco em local de veraneio.
Quando não há manteiga, ele demonstra
Como um talhe esguio faz um homem esbelto.
Milhares de pessoas que o ouvem discorrer sobre as auto-estradas
Alegram-se como se tivessem carros.
Nos túmulos dos que morreram de fome ou em combate
Ele planta louros. Mas já bem antes disso
Falava de paz enquanto os canhões passavam.
6.
Somente através de propaganda perfeita
Pôde-se convencer milhões de pessoas
Que o crescimento do Exército constitui obra de paz
Que cada novo tanque é uma pomba da paz
E cada novo regimento uma prova de
Amor à paz.
7.
Mesmo assim: bons discursos podem conseguir muito
Mas não conseguem tudo. Muitas pessoas
Já se ouve dizerem: pena
Que a palavra “carne” apenas não satisfaça, e
Pena que a palavra “roupa” aqueça tão pouco.
Quando o Ministro do Planejamento faz um discurso de louvor à nova impostura
Não pode chover, pois seus ouvintes
Não têm com que se proteger.
8.
Ainda algo mais desperta dúvidas
Quanto à finalidade da propaganda: quanto mais propaganda há em nosso pais
Tanto menos há em outros países.

* A palavra alemã Lumpen tem os dois sentidos, “trapos” e “crápulas”. (N. do T. )

Explicações

Pessoal,
Não sei o que vocês acham, mas considero que as atualizações do blog estão aquém do desejado. Esse ritmo meio lento se deve a duas coisas: à falta de tempo por conta de compromissos profissionais e à tentativa de "dar um gás" no outro blog, o Só Exercícios.
Com a proximidade das provas bimestrais estou tentando ampliar a quantidade e a variedade de questões disponíveis no Só Exercícios para que vocês possam estudar com mais tranquilidade. Portanto, dê uma passadinha por lá.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Só exercícios!


Para os alunos da 2a. série, em breve as provas bimestrais estarão aí. Para os da 3a. série, todo dia é dia de estudar, afinal há os vestibulares no horizonte. Então, aqui vai um estímulo:
325 exercícios (até o momento) de história tirados dos principais vestibulares. Questões dissertativas e de múltipla escolha organizadas tematicamente com a ajuda de marcadores (ou tags).
Basta uma visitinha ao blog Só Exercícios.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ideologia?

Neste ano acabei assumindo também as aulas de Filosofia e Sociologia para a 3a. série. Para mim tem sido um enorme desafio, afinal sou historiador. Portanto, tive de voltar a estudar para não ficar "brincando" de filosofia. De acordo com uma amiga minha, professora de filosofia na Universidade Federal do Espírito Santo, um bom começo é levar a sério a proposta de fazer a filosofia e a sociologia dialogarem com a história. Tenho perseguido isso.
Na semana anterior ao Carnaval, discutimos em sala o conceito de ideologia. Mais que apenas trabalhar com significados de um dicionário, tentamos compreender que há mais de um entendimento a respeito do que é ideologia e como ela opera em nossas vidas.
Para ilustrar um sentido bem popular, ou "senso comum", começamos com Cazuza e sua "necessidade" de uma ideologia para viver.


Daí partimos para o que o cientista político Norberto Bobbio chama de "sentido fraco" do conceito, uma definição que não vê a ideologia como um fenômeno problemático, mas o resultado da vida sócio-política.
Entre as várias definições políticas, optei pela seguinte:
Ideologia são “sistemas de crenças explícitas, integradas e coerentes, que justificam o exercício do poder, explicam e julgam os acontecimentos históricos, identificam o que é bom e o que é mau em política, definem as relações entre política e outros campos de atividade, e fornecem uma orientação para a ação” 
(Herbert MacClosky)
Esta definição tenta estabelecer um terreno mais neutro e cuja aplicação é facilmente visualizado em meio a partidos políticos, governos e outros grupos políticos. Tudo muda de figura se adotarmos uma interpretação mais "forte", como diz Bobbio, no caso, seguindo a análise de Karl Marx para quem a ideologia tem como função manter a sociedade dentro do que ele definiu por "alienação social".
"A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dando-lhes a aparência de indivisão social e de diferenças naturais entre os seres humanos (...). A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as ideais”
(Marilena Chaui)
Desse modo, ideologia passa a representar uma forma de dominação e de manutenção do status quo, ou seja, da situação como está. Enquanto a "ideologia" do Cazuza é apenas uma bandeira - por mais que seja uma bandeira sinceramente a favor de uma mudança - a "ideologia" segundo o marxismo é um controle dos dominadores sobre os dominados a fim de abafar qualquer possibilidade de mudança.

Em sala a discussão foi bem mais passo a passo, mas se houver dúvidas, voltamos ao assunto. Ok?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mais leitura...

Para os que estão chegando agora ao blog ou para os mais distraídos é bom esclarecer um ponto importante. Um dos principais objetivos deste espaço é poder oferecer algo a mais, uma opção de leitura e aprofundamento. Por que? Oras, porque ninguém merece ficar na superficialidade ou no achismo e o tempo de sala de aula é muito curto para conseguir ir a fundo em todos os assuntos interessantes. Além disso, para o pessoal da 3a. série, leitura é necessidade um tanto urgente já que o bicho-papão Vestibular/ENEM está aí, no fim da caminhada. Portanto, sempre que possível farei sugestões de leitura.
Gosto bastante do trabalho desenvolvido pela revista Pré-Univesp com suas edições temáticas. Acho que divulguei todas as edições de 2011 aqui e vou continuar fazendo o mesmo este ano.
A edição número 17 é sobre Mundo Contemporâneo:

Além de um “click” e outro
Tecnologias digitais permitem formas invisíveis de vigilância e identificação dos internautas

Para além dos 7 bilhões
O crescimento populacional coloca em evidência desigualdades, desafios e oportunidades para o mundo em expansão

O dragão chinês
A China conta com sua história e cultura milenares para ser uma das principais potências da contemporaneidade

Vinte anos do fim da União Soviética
Entenda as causas e o legado histórico do colapso da superpotência

As reformas na economia de Cuba
Da queda da União Soviética à crise global

Falta um projeto à Europa?
A União Europeia vive uma crise inusitada que coloca em risco sua própria


Se você acha bastante, não viu o que ainda tem disponível nesta edição. Não deixe de conferir os outros artigos, além dos infográficos, vídeos e textos literários.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vozes do Imperialismo

O ano começou devagar para o blog, mas em sala de aula a velocidade está a contento. E talvez por isso não tem sido tão fácil postar novidades por aqui.
Sei que todos os alunos da 3a. série já possuem os textos em mãos, pois estamos discutindo em aula. Mas para os demais interessados e caso alguém queira discuti-los por aqui, replico.

Em sala vimos dois textos, o primeiro de um político francês da virada do século XIX para o XX chamado Albert Sarrout. Suas palavras são interessantíssimas já que escancaram a mentalidade do europeu da Belle Époque. Notem sua visão de humanidade e de riqueza, assim como a noção de progresso.
“(...) A Natureza distribuiu desigualmente no planeta os depósitos e a abundância de suas matérias primas; enquanto localizou o gênero inventivo das raças brancas e a ciência da utilização das riquezas naturais nesta extremidade continental que é a Europa, concentrou os mais vastos depósitos de matérias primas na África e Ásia tropicais e Oceania equatorial, para onde as necessidades de viver e de criar lançariam o elã dos países civilizados. Estas imensas extensões incultas, de onde poderiam ser retiradas tantas riquezas, deveriam ser deixadas virgens, abandonadas à ignorância ou à incapacidade? A humanidade total deve poder usufruir da riqueza total espalhada pelo planeta. Esta riqueza é o tesouro comum da humanidade.” 
(Albert Sarrout)
O segundo testemunho é de Cecil Rhodes, homem de negócios, político, colonizador e ideólogo do imperialismo inglês na África.
“Ontem estive no East-End [bairro operário de Londres] e assisti a uma assembleia de desempregados. Ao ouvir ali discursos exaltados, cuja nota dominante era ‘pão! pão!’, e ao refletir, de regresso a casa, sobre o que tinha ouvido, convenci-me, mais do que nunca, da importância do imperialismo... A ideia que acalento representa a solução do problema social: para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil, nós, os políticos coloniais, devemos apoderar-nos de novos territórios; para eles enviaremos o excedente de população e neles encontraremos novos mercados para os produtos das nossas fábricas e das nossas minas. O império, sempre o tenho dito, é uma questão de estômago. Se quereis evitar a guerra civil, deveis tornar-vos imperialistas”.
(Cecil Rhodes)
Charge de Cecil Rhodes representando seu
ambicioso plano de construir uma linha
férrea do Cairo à Cidade do Cabo
Estes dois textos, na verdade, duas falas de homens do século XIX, expressam bem os pilares básicos da mentalidade imperialista e suas justificativas. Podemos ver a necessidade de matéria prima e de mercado consumir, o excedente populacional europeu e argumento racista segundo o qual os africanos e asiáticos não poderiam ser "donos" de tantas riquezas naturais.
Quanto a este pensamento racista, há outra citação de Cecil Rhodes que é imensamente esclarecedora:
"Considerei a existência de Deus e decidi que há uma boa chance de que ele exista. Se ele realmente existir, deve estar trabalhando em um plano. Portanto, se devo servir a Deus, preciso descobrir o plano e fazer o melhor possível para ajudá-lo em sua execução. Como descobrir o plano? Primeiramente, procurar a raça que Deus escolheu para ser o instrumento divino da futura evolução. Inquestionavelmente, é a raça branca… Devotarei o restante de minha vida ao propósito de Deus e a ajudá-lo a tornar o mundo inglês."


Por fim, recomendo que vocês leiam também os posts antigos sobre Imperialismo AQUI.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

De quem é o petróleo?

Falar de petróleo no Brasil neste momento é muito curioso. Primeiro, porque discute-se no Congresso Nacional o destino dos royalties, ou seja, quem ganha diretamente com a exploração das reservas do Pré-sal. Em segundo lugar, é tempo dos apostadores e videntes começarem a apostar nos temas que surgirão no ENEM e nos vestibulares e o trio Petróleo/Pré-sal/Getúlio Vargas é sempre uma boa pedida. Por fim, coincide com o fato de estarmos tratando em sala dos idos da década de 1950.
A associação que se faz normalmente entre a discussão da divisão dos royalties do Pré-sal e a criação da Petrobrás se deve a uma leitura irônica do lema da Campanha do Petróleo durante o governo (democrático) de Getúlio Vargas. "O petróleo é nosso" guarda sempre a pergunta quanto a verdadeira identidade deste "nós".
Nos anos de 1950 "nós" se opunha ao capital estrangeiro e às empresas petrolíferas multinacionais interessadas em extrair e refinar petróleo no Brasil. Dentro dos embates ideológicos e mesmo de concepções econômicas da época os debates ficaram polarizados entre os "nacionalistas" e os "entreguistas". Em outras palavras, de um lado estavam os que defendiam o uso do capital estatal e, portanto, nacional, e do outro a abertura ao capital privado internacional.
A Capanha do Petróleo acabou levando a discussão para a praça pública e transformou um tema de política econômica em assunto popular. O governo, claro, aproveitou-se da situação e fez valer seu ponto de vista, conseguindo criar a Petrobrás e o monopólio estatal sobre a extração e refino em 1953. Sob esta ótica, estariam protegidos os interesses dos brasileiros. Situação que me parece bem diferente da atual, quando na maioria das vezes vemos governadores discutindo a participação dos ganhos do petróleo quase como hienas famintas.
De qualquer modo, é interessante observar que o tom nacionalista dado à campanha na década de 1950 permanece atrelado à Petrobrás e sobreviveu até mesmo à Ditadura Militar, túmulo do patriotismo.
Veja abaixo alguns vídeos oficiais, dois são Cine-Jornais produzidos pelo governo Vargas e o outro innfelizmente não consegui identificar a origem.
Atenção!! Não deixem de notar o tom ufanista.

Getúlio Vargas: campanha "O petróleo é nosso"



Concluída a instalação da Petrobras - 1954 

Nasce a Petrobras - 1953

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sugestão de Leitura: a Carta-testamento de Vargas

Manuscrito da Carta Testamento
Nesta semana que passou trabalhamos em sala a Carta-testamento de Getúlio Vargas.
Apesar de repetir a seguir o documento, cada um deve ter (eu espero!) sua cópia para futuras consultas. Em todo caso, não faria sentido em postar como sugestão de leitura justamente uma atividade realizada. Na verdade, gostaria de indicar a vocês a página do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, ou apenas CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas no Rio.
Afirmo sem medo de errar que este é o melhor Arquivo do Brasil. Seu rico acervo de natureza privada soma-se ao cuidadoso trabalho de pesquisadores e técnicos que não só conservam os originais como oferecem importantes instrumentos de pesquisa aos historidares.
Neste caso, eu sugiro o texto de Luciana Quillet Heymann:



Melhor que a carta em si é a reflexão a respeito do gesto, do significado da morte, da teatralização da política. Mas antes de se aprofundar, releia o documento discutido em aula. O aprofundamento valerá a pena.
“Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.
E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.”

Para se ter ideia do efeito imediato da carta vejam algumas cenas do velório público de Vargas:


A narração dramática do trecho final do documento só aumenta a teatralidade do sucicídio.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Imagens e mensagens

Na prova de recuperação da 3a. série pedi que os alunos comentassem uma imagem. Nada demais, para ser sincero. Mas alguns alunos gostaram tanto do tal cartaz japonês que me pediram uma versão melhor (i.é, algo que não fosse preto e branco e em um prova de REC).
Porém, é lógico que só colocar a imagem aqui não tem graça. Vamos aprofundar um pouquinho.


Durante a II Guerra Mundial os diversos governos - democráticos ou totalitários - tentaram conquistar a opinião pública. O melhor caminho é sempre com imagens e, em tempos pré-televisão e internet, os cartazes são simplesmente certeiros. Como vimos em aula e mesmo aqui no blog, os alemães,  italianos, soviéticos, estadunidenses, ingleses, todos usaram e abusaram dos símbolos, dos clichês, do drama e das palavras de ordem. O jovem nazista ou fascista, o operário soviético e o Tio Sam eram figuras frequentes e formam hoje toda uma iconografia do período.
O cartaz acima, por sua vez, fazia parte das campanhas do Império Japonês. Um gigante samurai, quase um Colosso de Rodes destemido, massacra uma indefesa frota de navios inimigos. Estes pequenos barquinhos de guerra seriam certamente dos EUA, o oponente óbvio na Guerra do Pacífico. Atrás do samurai, as bandeiras dos países do Eixo. Da esquerda para a direita, a Alemanha Nazista, o Império Japonês e a Itália Fascista.
Para se ter um pouco a ideia do nascionalismo japonês nesta época e a dimensão do Colosso nipônico, observem o mapa a seguir. Lembre-se, contudo, que até meados do século XIX o Japão havia se mantido isolado, abrindo-se para a modernização industrial (e ocidental) apenas a partir do final da década de 1860.

Império Japonês em agosto de 1942
A expansão territorial era inevitável diante do desejo de consolidar um império moderno e poderoso. Também parecia inevitável que em algum momento se chocaria com outros impérios. Contra os impérios do Extremo Oriente o Japão saiu vitorioso: Rússia Czarista e China. Durante a II Guerra, o império inimigo era americano.
Guerra de cartazes: a resposta dos EUA a Pearl Harbor
O fim nós sabemos qual foi.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Mini-Curso: História e Futebol

Não é muito comum vermos no colégio o formato "mini-curso". Para quem não conhece, é geralmente uma abordagem mais recortada de algum conteúdo e, justamente por isso, mais livre para aprofundamentos.
Renato Brigati, ou apenas Renatão, propôs um belo mini-curso tratando de História e Futebol, mais especificamente nas relações entre a paixão nacional, sociedade e política, abordando com mais vagar dois períodos, a Era Vargas e a Ditadura Militar. Eu, como professor responsável, só posso aplaudir a inciativa e dar meu total apoio. Não por acaso embarquei de cara na ideia do Renato.


Resumo
O Futebol está presente no cotidiano e na alma do brasileiro: jogamos bola nas escolas, nos clubes, nas ruas, nos videogames; vamos aos estádios, assistimos às partidas pela televisão, escutamos as análises do Campeonato Brasileiro pelo rádio... No entanto, viver o futebol dispensa pensá-lo?
Longe de ser apenas um tempo livre, de lazer desprendido do trabalho, o futebol carrega consigo uma série de discursos políticos. A seleção brasileira é motivo de orgulho para os Presidentes da República quando vence um torneio internacional. O brasileiro se une enquanto nação nos períodos de Copa do Mundo, e o nacionalismo chega ao seu nível de exacerbação máximo. Porém, o futebol não é apenas um “ópio para o povo”: grupos marginalizados e oprimidos também encontraram no esporte formas de manifestação contra governos, costumes e instituições ao longo da História do Brasil.
O mini-curso “Futebol, ideologias e resistências no Brasil” é um convite para conhecer o futebol em suas diversas manifestações políticas, já que a bola é mediadora de conflitos e interesses que transcendem o próprio esporte.
E você? Vai fazer parte deste time?


Informações Gerais:
Datas: Dias 21 e 28 de outubro, 4 e 11 de novembro (sempre às sextas-feiras)
Horário: Das 14h às 15h40min
Local: Sala do Prof. Erik (a de sempre!)
Inscrições: Até dia 5 de outubro, pessoalmente com Renato ou Erik

Vagas Limitadas!


Atualização:
Revisão da data - devido a um evento da 3a. série e o fato de este ser o público-alvo do mini-curso, a data de início foi mudada para o dia 21 de outubro, sendo a aula final em 11 de novembro.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Tempo de Recuperação

Chegamos a mais um período de recuperação, desta vez do 3o. Bimestre.
Peço a todos que estudem previamente, realizem as atividades e compareçam às aulas com suas dúvidas e dispostos a aprofundar os estudos.
Lembro a todos o calendário:
Aula-plantão
23.09 (sexta-feira):
Às 14h: 3a. série
Às 16h: 2a. série

Provas
27.09 (terça-feira):
Às 15h: 3a. série
30.09 (sexta-feira):
Às 15h: 2a. série



Roteiro de Estudos (2a. série)

Os conteúdos necessários para Recuperação são:
  • Mentalidade e cultura burguesa – cap. 18
Os tópicos mais relevantes dentro deste conteúdo são: conceito de liberalismo e progresso, trabalhadores x burguesia, pensamento conservador.
  • Processo de independência do Brasil – cap. 20 e visita ao Museu do Ipiranga
O fio condutor deste conteúdo é justamente a visita ao Museu. Não esqueça de estudar os “antecedentes”, movimentos de insatisfação como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana (ou dos Alfaiates).
 
 
Roteiro de Exercícios
Como já enfatizado na prova bimestral, os exercícios abaixo são baseados em “leitura e compreensão”.
P. 364-365: “Londres e Paris no século XIX: os trabalhadores e a miséria”
P. 411-413: “A independência do Brasil (1984)” e “A independência do Brasil (1933)”
Observação: 1) Note que o roteiro se resume a duas atividades e elas serão cobradas na aula de recuperação. 2) Não deixe de acompanhar a matéria pelo que foi dado em aula e está em seu caderno. Alunos que eventualmente fizeram o exercício das páginas 264-365 como atividade extra tragam-na na aula.


Roteiro de Estudos (3a. série)

Os conteúdos necessários para a Recuperação do 3º Bimestre são:
  • II Guerra Mundial – cap. 5, un. 5 
Os tópicos mais relevantes dentro deste conteúdo são: as questões ideológicas (nazi-fascismo x comunismo), antecedentes da II Guerra, política de alianças, acordos internacionais para encerramento da Guerra. 
  • Era Vargas – cap.7, un. 5 
Os tópicos mais relevantes dentro deste conteúdo são: Estado Novo (1937-1945), política trabalhista, processo de industrialização e participação brasileira na II Guerra Mundial. 
  • Guerra Fria – cap. 1, un. 6 
Os tópicos mais relevantes dentro deste conteúdo são: Plano Marshall e reconstrução do Pós-Guerra, definição ideológica da Guerra Fria e formação de blocos antagônicos (capitalistas x comunistas), conceito de Paz Armada. 

Roteiro de Exercícios: 
II Guerra Mundial: 
P. 478-479: 1 a 3, 4, 5 e 9. 
Era Vargas: 
P. 509: "Estudo do Texto" e questão. 
P. 510-516: 6, 19 e 25. 
Guerra Fria: 
P. 530-533: 1, 3, 6 e 7. 

IMPORTANTE: A aula de recuperação tem caráter de plantão de dúvidas, portanto é fundamental que o aluno compareça munido do Livro Didático, exercícios resolvidos e estudo previamente realizado.