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quinta-feira, 29 de março de 2012

O que você lê?

Pesquisas sobre leitura no Brasil são, via de regra, desanimadoras. Para dizer o mínimo! A última, realizada pelo Ibope Inteligência sob encomenda do Instituto Pró-Livro (IPL), entidade criada em 2006 pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional de Editores e Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares, mostra uma piora nos dados desde a última sondagem, em 2007.

Cai nº de leitores no País e metade não lê 
Parcela da população que se diz leitora passou de 55% em 2007 para 50% em 2011

Só para ficar mais evidente a situação, vamos colocar em tópicos:
  • São considerados leitores aqueles que leram pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa. 
  • 4 livros por ano é a média do brasileiro, contando os livros começados e não terminados.
  • 2,1 livros terminados e 2 abandonados antes do fim, estas são as médias reais.
  • 35% dizem não ler por falta de tempo (eu truco! falta coragem para admitir)
  • 30% dizem não ler por falta de interesse (mais sinceros)
  • 30% conhecem o livro digital e destes, 18% leram e-books
  • 45% dizem que o maior incentivador da leitura é o professor
  • 93% dizem preferir ler em casa
  • 12 % preferem ler na biblioteca
  • 20% dizem que ter livros novos é um incentivo para entrar em uma biblioteca
  • 30% dizem que não há incentivo capaz de fazê-los entrar em uma biblioteca
  • 28% dizem que seu passatempo preferido e ler livros, periódicos e textos na internet
  • 85% dizem que seu passatempo preferido é ver TV

Parece ruim? Que tal agora:

Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz estudo
Apenas 8% da população vão frequentemente aos espaços; os outros 17% fazem uso esporádico



E você, o que está lendo? Se não está lendo nada, porque?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fique de olho nos jornais!

O ano mal começou e muitos analistas internacionais já começaram a "apostar" em quais são as "promessas" para 2012. Que fique claro que as aspas são para destacar a triste ironia em se tentar especular sobre os graves conflitos internacionais. Mas é inevitável ao ler os mais diversos jornalistas, cientistas políticos ou especialistas em relações internacionais ter a sensação que estão todos a espera da confirmação de alguns prognósticos. Eu, pelo menos, fico na expectativa de dois: 1) Um conflito internacional ou um guerra civil sem precedentes na Síria; 2) Uma ação militar contra o Irã, provavelmente envolvendo Israel, EUA e mais alguns.
Não se trata de ficar naquela tensão um tanto besta quanto à uma guerra mundial, mas é fato que aquela região é motivo de atenções há muito tempo.
Em ambos os casos - Síria e Irã - a maior dificuldade é ter acesso à informações confiáveis. Os jornais de todo o mundo tentam obter imagens ou declarações dos habitantes, mas ambos os regimes são bem fechados e dificultam bastante a circulação de pessoas e notícias. Justamente por isso fiquei tão impressionado com o vídeo abaixo, feito pelo repórter e cinegrafista francês Mani. Em meio aos tiroteios e bombardeios em Homs, cidade considerada o principal foco de resistência ao governo de Bashar al Assad e base do Exército pela Libertação da Síria (formado por militares desertores e opositores civis armados), Mani registrou a dor de familiares pela perda de parentes mortos por atiradores do governo, protestos, cerimônias em honra aos mortos, ataques, atendimento precário aos feridos nos combates, etc. É bem impressionante.


A narração do vídeo está em inglês, mas nada muito complicado. Duro mesmo é ver tanta violência por longos 11 minutos.

Para entender melhor a situação da Síria, seguem três sugestões de leitura.

BBC Brasil
Conheça os diferentes grupos políticos que lutam contra o governo na Síria

O Estado de S. Paulo
Síria - Especial com diversos link para notícias, vídeos, fotos, etc.

Não deixe de consultar também o infográfico interativo com informações sobre todos os países da chamada Primavera Árabe AQUI.


Le Monde Diplomatique
Slogans da intifada síria
Assim como a resistência nacionalista árabe na Síria do século XX, a atual sublevação popular é marcada pelo lugar que a mesquita ocupa nas mobilizações, pelo papel motor da juventude e de setores sociais economicamente em crise ou distantes da capital, e pela participação das mulheres









Ah, sobre o Irã falaremos numa outra ocasião. Talvez quando Israel e Irã pararem com essa competição de blefes e mostrarem algo mais consistente.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Trabalho escravo hoje

Há uma série de eventos e temas que estão na moda e não digo que isto é bom ou ruim por princípio. Se cuidar da saúde está em voga não podemos considerar o modismo algo ruim. Também é o caso das discussões sobre trabalho escravo e consumo consciente.
Em geral pensamos em consumo consciente quando falamos de reciclagem, produtos orgânicos ou, simplesmente meio ambiente. Mas é claro que a coisa vai mais além. Se vivemos num mundo cujas relações se estabelecem por meio do consumo - ao fim temos "você é aquilo que você compra" - é fundamental que tenhamos consciência do que estamos comendo, vestindo, usando, etc. Não é fácil, afinal o capitalismo tem o "dom" de automatizar as coisas. Do consumo para o consumismo é um passo e logo estamos simplesmente adquirindo mais e mais, sem sequer pensar no porquê preferimos X a Y.
Da parte das empresas, o interesse é maximizar os lucros. Isso se consegue aumentando as vendas OU diminuindo custos que vão desde a matéria-prima até a mão de obra. Aí está o gancho para o trabalho escravo, também chamado de trabalho análogo ao escravo ou trabalho subumano. Não se trata do mesmo tipo de escravidão que vigorou oficialmente no Brasil até 1888, mas também envolve coerção, violência e condições degradantes de trabalho e sobrevivência. Basta lembrarmos do caso da confecção espanhola Zara e suas oficinas ilegais aqui no Brasil ou as denúncias contra o MacDonald's, além dos inúmeros casos envolvendo o agronegócio.
A grande questão é: você concorda com o uso de mão de obra escrava ou o tratamento desumano aos trabalhadores? Se não concorda, ainda assim consome estes produtos?
Pensando nisso e na necessidade de chamar a atenção das pessoas para seu consumo que a ONG Made in a Free World criou um teste on-line chamado de Slavery Footprint, uma alusão às tais pegadas de carbono. Com base em seus hábitos o site calcula quanto do seu dia a dia é fruto do trabalho escravo.



O teste é um pouco mais longo que os da Revista Capricho, mas acho que vale a pena. Eu fiquei um bocado espantando ao saber que cerca de 47 escravos trabalham para mim!


Fiquei sabendo aqui: Quantos escravos trabalham para você?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Patrimônio Nacional na internet

Os bens tidos como patrimônio cultural só fazem sentido se as pessoas os conhecem e se apropriam desses locais, ou seja, se entendem o valor e os "utilizam" cotidianamente. Mas na maioria das vezes habitamos na cidade onde se encontram tais patrimônios, o que não significa que não tenham importância para nós.
Mesmo estando longe de Permanbuco a riqueza arquitetônica de Olinda faz parte do universo cultural brasileiro: marco de uma época e da presença portuguesa (assim como holandesa) nesse território que hoje chamamos de Brasil.
Eu, particularmente, preferia conhecer em meio a uma viagem de férias, mas ainda não foi possível. Até lá, preciso me contentar com experiências virtuais como o Hzoom. Este projeto, tocado pelo historiador Rafael Vasconcellos, a fotógrafa Marília Vasconcellos e a produtora Mirza Pellicciotta, conta com apoio do ProAc do Governo do Estado de São Paulo e começou por gerar fotos panorâmicas para navegação em 360o. Ainda em fase inicial, o Hzoom reune alguns dos sítios reconhecidos como Patrimônio Cultural da Humanidade localizados no Brasil: até o momento concentrados no Nordeste (PE, PI e SE) e em São Paulo.
Todos os sítios contam com uma descrição sumária e as razões pelas quais houve o tombamento, além de bons controles: laterais, para cima e para baixo, zoom in e out. Não deve nada aos sites estrangeiros com a mesma proposta.
Vale o click!



Para saber +
Viagem virtual pelo patrimônio brasileiro



P.S. Para quem ficou intrigado com o fato de ter tantas imagens de Campinas, explica-se: os idealizadores do projeto são da cidade no interior de São Paulo e boa parte das imagens foram feitas nas horas livres. Olinda, por exemplo, foi fotografada durante as férias!!!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sugestão de leitura: FUVEST 2012

Passado o ENEM todos os olhares se voltam para a prova da FUVEST, cuja prova da 1a. Fase está marcada para o dia 27 de novembro. Serão 90 questões de múltipla escolha! É claro que todo mundo gostaria de saber exatamente o que vai cair, mas isso não é possível. A alternativa é começar a apostar na probabilidade. Seguindo tendências - apesar de a FUVEST não ter muito este hábito - cursinhos e a mídia em geral começam a fornecer materiais focados nas atualidades ou nas efemérides, como já tratei aqui outras vezes.
O jornal O Estado de S. Paulo, por meio de seu caderno voltado para educação, o Estadão.edu, lanção um material beeem interessante:


Trata-se de um especial multimídia com os eventos "mais significativos de 2011" com dicas de professores do Cursinho da Poli e do Objetivo sobre o que torna esses temas importantes (tudo é relativo!) e como eles podem cair na prova.
Obviamente, vale o click!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Das efemérides

Palavrinha estranha esta. Efemérides vem tanto do grego quanto do latim. Os gregos entendiam por este termo algo relativo ao cotidiano, ao dia a dia, ou à lembrança desse acontecimento, enquanto que o romanos deram outro entendimento, mais prático. Para estes as efemérides eram o registro diário dos acontecimentos, um memorial. De modo que este movimento de anotar os acontecimentos para futura lembrança está profundamente ligado à ideia do cronista.
Veja, a crônica atualmente é um gênero literário, mas que ainda guarda algo de seu sentido original. Seu radical vem de cronos, ou seja, tempo. Assim, o cronista era aquele encarregado de anotar as efemérides, os acontecimentos do dia a dia. Claro que não se tratavam de quaisquer acontecimentos, mas particularmente os ligados aos reis e demais figuras públicas de importância social incontestável. Justamente por isso que o cronista, visto como o avô dos historiadores, foi caindo no esquecimento. Hoje em dia anotar apenas os acontecimentos ligados aos poderosos não interessa à história.
Contudo, ainda temos algo destas épocas, uma mania em rememorar grandes marcos, em quase comemorar ou celebrar de tempos em tempos algum evento entendido como importante. Quem mais gosta de efemérides nos dias atuais e no universo dos estudantes é, sem dúvida, o vestibular.
Os vestibulares adoram lembrar "grandes eventos" e aproveitar esta lembrança nas provas de história. Tanto é que a maior parte dos professores veste sua fantasia de vidente e tenta adivinhar entre as inúmeras possibilidades, o que será alvo da FUVEST, ou da Unicamp, ou...
Nós temos neste ano, por exemplo, 50 anos da Construção do Muro de Berlim, 50 anos da Renúncia do Presidente Jânio Quadros, mas, mais recente, temos os 10 anos do 11 de setembro.

Foto: Steve Ludlum/The New York Times
O "11 de setembro" é daqueles acontecimentos que se transformaram em marco instantâneo. Todos foram unânime em dizer que o mundo mudara depois dos atentados às Torres Gêmeas. Avaliações que variaram entre alarmismo, desespero e precipitação se espalharam pelo mundo nos anos seguintes. A verdade é que ainda estamos um pouco longe de reflexões mais equilibradas e despidas de tanta paixão, mas 10 anos depois muita coisa já emergiu daquele primeiro oceano de islamofobia, de guerra ao terror e violência como resposta à violência.
Por isso, recomendo a leitura do Especial 11 de Setembro do Estadão. Vídeos, reportagens, comentários, fotos, podcasts, infográficos compõem este esforço de dar conta de toda a complexidade decorrente de um evento que durou algumas horas e impactou a todos por anos (até o momento, por 10 anos).




P.S. É claro que vocês podem ler qualquer outro "especial". Ou melhor, o ideal seria ler mais de um. por isso, Vejam ainda:

FOLHA
BBC
VEJA

A Carta Capital parece não ter feito um "especial" num único link, mas há muitos artigos, reflexões e comentários interessantes.
O mesmo acontece com a Le Monde Diplomatique Brasil, mas a busca por 11 de setembro trás artigos antigos muito bons.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Forças Armadas, maus tratos e a sociedade brasileira

Imagino que não fui o único a ficar impressionado com a notícia de que mais de 50 recrutas da Marinha foram internados no Rio neste dia 20 de agosto último. Meu incômodo maior foi por ter ficado impressionado não com o fato em si, mas com o número de aspirantes a fusileiros navais internados provavelmente por "treinamento excessivo", um eufemismo para maus tratos. Digo que fiquei incomodado porque é já tão comum os maus tratos vez ou outra não me chamam mais a atenção: foram necessários 57 homens internados, alguns na UTI, para que eu voltasse a pensar no absurdo desse tratamento dado aos praças.
Há um certo mito de que o rigor destes treinamentos fortalece o soldado e o prepara melhor para o combate, razão de ser das Forças Armadas. É verdade que o militar não está ali para fazer exercícios como na aula de Educação Física do colégio, mas tenho minhas dúvidas de como humilhações, falta de água ou, muitas vezes, práticas idênticas à tortura, fazem de um jovem aspirante um soldado superior.
Além disso, há ainda a crença de que se trata de um ritual de passagem, algo como um batismo. Depois de superar esta fase o indivíduo será finalmente aceito em sua nova vida. É a mesma lógica do trote universitário e, justamente por ser entendido como um rito obrigatório, acaba se perpetuando. "Neste ano fui humilhado para ser aceito, no próximo humilharei o calouro". Esta batismo violento me assusta particularmente nos caso de profissões que lidam com gente em seu cotidiano. Qual a tolerância à violência ou o descaso com a vida humana que terá um jovem médico ou policial?
Em todo caso, o episódio recente da Marinha me fez lembrar outro acontecimento da mesma corporação, mas há 100 anos.
Em 22 de novembro de 1910 cerca de 2.300 marinheiros se rebelaram (ou amotinaram, na linguagem militar) no Rio de Janeiro matando oficiais e tomando navios. As reivindicações não era política, não se pretendia derrubar o governo ou instituir um novo regime, apenas queria o fim dos maus tratos, dos castigos físicos com chibata - daí seu nome -, melhores soldos e melhor alimentação.
A Revolta da Chibata ocorreu no interior da única das Armas Militares que ainda usava o castigo físico como norma e a mais aferrada ao passado. Pouco moderna, ainda era grande, por exemplo, o número de oficiais monarquistas. No entanto, o que ficou mais explícito foi o componente etnico-social. A esmagadora maioria dos marinheirros era composta de negros e mulados advindos das mais baixas camadas sociais, enquanto o oficialato era branco e de melhores posses. Se não bastassem os maus tratos em si, esta estrutura relembrava os tempos da escravidão abolida havia 22 anos.
As reivindicações acabaram atendidas e os marinheiros anistiados pelo Congresso Nacional, porém uma revolta de fusileiros logo tempo depois "permitiu" que a Marinha fizesse o que antes não tinha sido possível. Reprimiu violentamente os fusileiros da vez e os marinhos da revolta passada.
Da Revolta da Chibata sobraram a memória de seu principal líder João Cândido, o "almirante negro", e a sensação de que depois de 100 anos a Marinha ainda acredita que disciplina se consegue com violência.


Para ler +
Revolta da Chibata: 100 anos
Relembramos um personagem pouco conhecido
Por Ronaldo Pelli

O marinheiro bordador
Duas toalhas de rosto bordadas pelo líder da Revolta da Chibata mostram os valores que defendia e revelam um pouco de seus afetos, sua dor e sofrimento
Por José Murilo de Carvalho

Revolta da Chibata
Post antigo sobre a exposição virtual organizada pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Novas perspectivas?

A educação, em seu sentido amplo, é um bem entendido como universal pela sociedade contemporânea de modo que, numa sociedade democrática, todos se sintam no direito de opinar sobre o que deve ou deveria ser feito. E assim é de fato. Todos podem e devem opinar, pois defender e investir em educação trará sempre benefícios enormes para todos.
No entanto, este direito de falar não é garantia de qualidade. Digamos que este é mais um efeito colateral da democracia, temos que conviver não só com as opiniões contrárias às nossas, como também precisamos superar algumas surpresas.
Por exemplo, li a notícia abaixo:

Ensino médio não prepara aluno para o mercado, diz empresário

Minha leitura por palavra-chave identificou na mesma frase "Ensino Médio", "mercado" e "empresário". Na hora achei que deveria ler, afinal uma combinação dessas promete muitas emoções.
A declaração foi dada por ocasião da Sala Mundo Curitiba 2011, envento que reúne educadores de vários países. O empresário em questão é Marcos Magalhães, ex-presidente da Philips para o Brasil e a América Latina e atual presidente do Instituto de Co-responsabilidade pela Educação (ICE) que além do comentário da manchete afirmou que:
"Temos de repensar a grade", disse. Para ele, só deveriam ser obrigatórias as disciplinas de língua portuguesa, idiomas, matemática, física, química e biologia. História e geografia, por outro lado, deveriam ser eletivas. "Hoje o aluno que vai prestar vestibular para Engenharia perde tempo estudando filosofia. Se ele achar essa matéria importante, deveria ter a opção de cursá-la, não a obrigação."
Não nego que repensar o currículo é uma necessidade constante. O mundo muda e a escola não pode se manter com a mesma grade de 50 anos atrás. No entanto, a impressão que tenho é que o empresário espera transferir para as escolas um caráter formativo que não cabe a elas. É objetivo do Ensino Médio formar para o mercado? Alguém sai do EM profissionalizado? Este não é o papel dos cursos superiores ou técnicos?
Eu gostei particularmente da parte em que ele diz que um aluno que presta engenharia perde tempo estudando filosofia. Imagino também que alguém que vá prestar jornalismo estaria perdendo tempo estudando biologia. Estamos voltando a defender formações parciais? A quem cabe estudar o que, com quantos anos o aluno deve decidir o que estudar, que tipo de aluno vai estudar cada matéria...
Sou plenamente favorável a disciplinas eletivas ou optativas na escola, mas sem que isso implique em diminuir o básico. O ensino integral é uma necessidade cada vez mais urgente, mas penso que o ideal seria preencher o restante do dia com aprofundamentos, aí sim, optativos dentre um leque de alternativas.
Para encerrar, um último comentário. Engenheiro que estudou filosofia, história, geografia não perdeu tempo. Afinal, antes de ser engenheiro espera-se que o sujeito seja cidadão e consciente do mundo no qual vive. Do contrário, a escola deste empresário formará indivíduos semi-alienados, seres parciais treinados apenas para um tipo de compreensão da sociedade em que vivemos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ainda os disturbíos na Inglaterra

Ontem postei aqui dois vídeos com comentários sobre os tumultos que tiveram início em Londres e agora já se espalham para outras cidades da Inglaterra.
Os comentários de Silvio Caccia Bava por mais que tivessem algumas discordâncias com a análise da reportagem da TV Folha.com, ainda estavam próximo. Identificavam problemas sociais razoavelmente sérios e quase crônicos nas regiões das agitações.
Agora sugiro que assistam à reportagem de Silio Boccanera exibida na noite de ontem no Jornal das Dez da Globo News.

Silio Boccanera vê tensões e contradições por trás da violência em Londres

É interessante notar que Boccanera aborda aspectos muito diferentes, mas que não necessariamente descartam os elementos oferecidos pelos outros comentaristas. O cenário fica apenas mais complexo!

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Fique atento!

Quem acompanha o blog já deve ter percebido e mesmo se você "só" assiste as aulas também, que eu gosto de sugerir leituras ou da Revista de História da Biblioteca Nacional ou da Le Monde Diplomatique. Uma ou outra sempre aparecem por aqui, nas provas ou em propostas de trabalho. Não porque sejam únicas ou especiais, mas porque são publicações sérias e sempre atuais.
Feita a declaração de amor, vamos ao que interessa.
Hoje, ao invés de sugerir a leitura de algum texto, fica a recomendação de dois vídeos da Diplô (para os íntimos!).
No primeiro, algo entre a divulgação da publicação e um exercício de "arte-jornalismo". Eles chamaram de "vídeo remix" (eu prefiro chamar de clip-reportagem) o resultado da colagem de trechos de entrevistas, imagens de televisão, etc., sobre as revoltas árabes. No entanto, não é A explicação. Sinceramente, é para ou você retomar a questão ou ficar motivado a ler a respeito. Ou seja, precisa de alguma informação prévia para entender do que se trata. E, ainda assim, vale muito a pena!


O segundo vídeo é uma entrevista do diretor da Diplô, o sociólogo Silvio Caccia Bava comentando os distúrbios "londrinos". É muito oportuno, pois estávamos falando disso justamente na quarta-feira com as 3as. séries. Outro aspecto interessante da entrevista é notar uma certa tensão entre os jornalistas da Globo News e o entrevistado.


Sugestão de exercício: defina, em linhas gerais, os dois discursos e seus argumentos: de um lado Caccia Bava e de outro o dos jornalistas.

Para quem preferir acompanhar a Diplô direto, sem intermediários, siga no Twitter: @diplobrasil



ATUALIZAÇÃO!
Para acrescentar outras informações, novas questões e algumas oposições  à reflexão de Silvio Caccia Bava, uma reportagem da Folha de S. Paulo.
Comentam os distúrbios em Londres a repórter Gabriela Manzini, a editora de Moda, Vivian Whiteman, e o correspondente em Londres, Vaguinaldo Marinheiro.


Agora, dureza é chamar Vaguinaldo!!! Obrigado, mãe!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O que um "burro" nos ensina

Vereador diz que professores são inúteis e causa polêmica em SP

A notícia acima me foi enviada por Krisman, um ex-aluno. A pergunta, um bocado indignada, era o que fazer com um indivíduo que declara com todas as letras, via redes sociais, que: "os professores são inúteis e que não gostam de dar aula".
Em sua defesa, o vereador afirmou que apenas estava sendo sincero e manteve sua posição. Os professores, por sua vez, o acusam de injúria e ameaçam processá-lo.
Na matéria que foi veiculada pela TV Globo fiquei impressionado com o vereador. Seu nome político é "Dario Burro", mas ao contrário do que eu esperava, o "Burro" é muito bem articulado, fala e escreve com clareza e não tem qualquer pudor em confirmar as declarações que fez.
Em suas declarações há toda sorte de clichês e generalizações: professor só pensa em salário, só quem é rejeitado pelo mercado vira professor, professor não gosta de aluno que vai na aula em emenda de feriado, professor adora palestra na escola porque é desculpa para não dar aula, etc.
Mas o interessante é pensar na repercussão que o "Burro" conseguiu. A indignação foi geral, tanto entre os professores de Jacareí, onde o nobre cidadão é vereador, como entre a população intrevistada. Concordo que tudo o que ele disse é um absurdo, em especial por partir do princípio que mau trabalhador há em qualquer profissão. Tem professor como ele disse? Tem. Mas também tem médico, advogado, engenheiro, etc. A diferença está na crise de auto-estima pela qual passa a profissão de professor. Se quase todo mundo reconhece o valor da educação, são poucos os que pensam em valorizar de fato a carreira que se dedica à formação dos cidadãos.
O infeliz foi certeiro. Sabia onde e quem atingir. E sabia qual resultado geraria. Quem é "Burro"?
Por outro lado, ele foi eleito de modo que se trata, na pior das hipóteses, de um efeito colateral da democacria. Se ele exerce um cargo público eletivo, quem é "Burro"? Resposta simples: quem votou nele!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Fugindo do programa

Por conta do conteúdo programático para as 2a. e 3a. séries eu acabo não lecionando História Antiga. É verdade que transito muito melhor pela História Moderna e Contemporânea, mas há aspectos da Antiguidade que são muito interessantes. Gostaria de abordar uma questão bem legal (ambos os sentidos!) com base em uma notícia de jornal. Sim, um jornal atual e uma referência à Babilônia.

Código de Hamurabi exposto na França
O mais antigo Código escrito de leis é o do rei Hamurabi. A fim de ordenar e uniformizar a justiça no Império Babilônico, na Mesopotâmia (mais ou menos o atual Iraque), Hamurabi reuniu em um monolito, espécie de monumento de pedra, toda as leis que julgava necessárias.
É marcante neste código a presença da pena de morte como punição a inúmeros crimes e o princípio que em latim ficaria conhecido por lex talionis, ou lei de talião, resumida na máxima "olho por olho, dente por dente".
"Se um construtor edificou uma casa para um homem livre, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto"
 Esse princípio de reciprocidade, ou melhor, de retaliação (veja a raiz da palavra talio, talis em uso) fazia muito sentido no século XVII a.C. e influenciou inúmeros outros códigos posteriores. E, a bem da verdade, quando minha mãe dizia "não faça aos outros o que você não quer que façam a você" era a lex talionis aplicada à formação ética. No entanto, o Código Romano já apresentava alguma revisão oferecendo penas alternativas que "equivaliam" ao crime. É verdade que crucificar, por exemplo, não chega a ser uma pena suave, mas não era mais "olho por olho, dente por dente".
Ainda assim,  há resquícios do princípio de talião na legislação de tradição muçulmana, como podemos ver neste caso iraniano. Em 2005 um jovem de nome Majid Mohavedi pediu a mão de Ameneh Bahrami em casamento. A moça recusou e Majid, ao invés de chorar no ombro de um amigo, simplesmente jogou ácido no rosto de Ameneh. Em resumo, a moça perdeu a visão e ficou deformada. No ano de 2008 um tribunal condenou o imbecil rapaz a perder a visão como pena por ter cegado Ameneh, seguindo exatamente o princípio da lei de talião.
Para a sorte de Majid a moça tem um coração imenso e o perdoou, evitando o cumprimento da pena. Em todo caso, ele continuará preso até que pague o equivalente a 150mil euros de indenização à vítima.
Quem disse que o Código de Hamurabi estava morto?



Notícia original AQUI.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Arte e cultura urbanas

Eu me considero essencialmente urbano, gosto do barulho e da bagunça, da música urbana - não no sentido da Legião Urbana, mas... - gosto dos excessos dos grandes centros, da estética caótica e, não poderia ser diferente, adoro grafite ou como se diz hoje em dia, de arte de rua. Mas apesar de gostar muito, de procurar em cada cidade que visito um canto, um muro, um poste com alguma manifestação, não entendo muita coisa desta produção artística, sua história ou suas linguagens. É por isso que achei tão interessante esta matéria da Revista de História. Para quem gosta e quer saber um pouco mais, fica a sugestão.

Grafite x pichação: dois lados da mesma moeda?
Lei que proíbe venda de spray para menores de idade, debate na ABL e exposição em Los Angeles colocam a chamada arte de rua no foco da discussão

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Leituras do mundo contemporâneo

O cartunista argentino Quino está certamente entre os mais importantes artistas do gênero da América Latina. Com sua visão crítica do mundo contemporâneo e a predileção por temas sociais e políticos, Quino se tornou famoso pela tirinha da Mafalda e seus amigos. Não por acaso a garotinha questionadora, que teve vida entre as décadas de 1960 e 1970, tornou-se frequente nos vestibulares brasileiros.
De tempos para cá Quino tem se mostrado mais cético e um tanto niilista para com os rumos da sociedade atual. Ainda assim, vale a pena pensarmos a partir de seus questionamentos.







quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mais uma vez...

Menina desmaia após agressão em escola de Santos (SP)
Uma estudante de 12 anos foi agredida por quatro alunos da escola estadual Barnabé, em Santos (litoral de São Paulo), após recusar-se a emprestar uma caneta para uma colega de classe. (...)
"Não posso definir se o caso foi uma prática clássica de bullying, mas a mãe da garota [vítima] contou que ela já tinha sido agredida outras três vezes no colégio", disse a delegada-assistente da Delegacia de Infância e Juventude Rita de Cássia Mendez. (...)
Bullying ou não bullyng, é realmente esta a questão?
Que tal discutirmos a violência como meio de expressão na sociedade brasileira? Se toda discordância é motivo para agressão a questão não é escolar, mas social. Arrisco dizer que não se trata de discutir quem pode bater, e sim se alguém pode bater!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A nobreza e a vida aristocrática

Para nós brasileiros é especialmente difícil entender o que significa exatamente ser nobre, ter sangue azul ou viver aristocraticamente. Na verdade, creio que isso seja difícil para qualquer não inglês, pois talvez só eles levem isso realmente a sério.
A revista inglesa Country Life tem como público alvo justamente os aristocratas e logo no título nota-se a primeira característica deste seleto grupo. O habitat de um aristocrata não pode ser a cidade e sim o campo, local onde pode aflorar toda a nobreza de seu caráter elevado. No entanto, não está em jogo apenas onde vive um nobre, mas especialmente o que ele faz e o que ele NÃO faz. Para isso, e preocupada com os futuros aristocratazinhos, a revista lançou uma lista com 39 dicas para um jovem alcançar maior aceitação social (!?). Na prática, um must do da granfinagem.
Eu sugiro a leitura dos itens 4, 6, 8, 9, 14, 16, 33 e 39!
  1. Poder cozinhar um jantar com três itens
  2. Saber dizer ''você pode me ajudar, por favor'' em outros idiomas além do inglês, como árabe, cantonês, urdu, espanhol e russo
  3. Tocar um instrumento musical, mesmo que seja apenas tambor ou gaita
  4. Montar a cavalo de forma adequada
  5. Ser capaz de dominar os mais recentes artefatos tecnológicos
  6. Conversar sobre cinco obras clássicas da literatura inglesa com autoridade e paixão
  7. Realizar ressuscitação de alguém que parou de respirar
  8. Aprender a cultivar cenouras, identificar cinco árvores nativas e 20 flores e saber fazer um buquê
  9. Manejar uma espingarda, tirar a pele de um coelho, limpar um peixe e depenar um pombo
  10. Consertar um pneu furado de bicicleta e a corrente
  11. Poder dançar uma dança folclórica, uma valsa de Strauss e uma música de Lady Gaga
  12. Saber discernir entre um Sauvignon Blanc e um Chardonnay e saber preparar um mojito ou uma margarita
  13. Escrever um carta de agradecimentos memorável
  14. Reconhecer músicas de Mozart, Elgar e Handel
  15. Montar uma estante e consertar uma tomada
  16. Fazer o nó de uma gravata borboleta e dois diferentes laços de gravata
  17. Conduzir um barco através do Solent (o estreito que separa a Inglaterra da Ilha de Wight)
  18. Saber cortar um pedaço de carne
  19. Saber diferenciar as arquiteturas gótica, barroca e paladiana
  20. Fazer um discurso, entreter uma palestra com um piada ou história e saber cantar pelo menos duas canções de memória
  21. Dirigir um trator, dar marcha-ré em um trailer, trocar o óleo e trocar um pneu
  22. Saber se orientar em pelo menos cinco grandes cidades
  23. Ser anfitrião de uma festa e fazer com que todos os convidados se sintam à vontade
  24. Ser capaz de devolver dez bolas seguidas jogando tênis
  25. Saber fazer fogo e montar uma fogueira
  26. Conhecer três bons truques com cartas
  27. Identificar cinco constelações e saber distinguir a Estrela Polar
  28. Manter a pontuação em uma partida de críquete
  29. Falar com conhecimento de cinco marcos da Grã-Bretanha
  30. Saber abrir e servir uma garrafa de champanha
  31. Passar uma camisa, coser um botão e costurar uma bainha
  32. Entreter crianças pequenas por pelo menos uma hora com truques de mágica e histórias
  33. Saber ler um mapa, montar uma barraca e empacotar uma mochila
  34. Demonstrar familiaridade com ao menos uma obra de da Vinci, Constable, Degas, Turner e Canaletto
  35. Controlar uma conta bancária
  36. Escapar de uma briga em um estádio de futebol
  37. Como se dirigir a um membro da família real
  38. Reclamar de forma eficaz, mas educadamente em um restaurante
  39. Realizar o parto de um cordeiro
Bom, com base nessa lista minha aceitação social beira a ZERO!


Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A informação e seu poder

Estava navegando pela internet quando me deparei com uma notícia curiosa.  A Prefeitura de Taubaté proibiu a venda do jornal Bom Dia, de circulação local, e que havia publicado uma série de denúncias de irregularidades cometidas pela administração do prefeito Roberto Peixoto (PMDB).
Mas o que há de curioso nisso? Afinal, que os meios de comunicação costumam sofrer censura mesmo em plena democracia não é novidade. Irei por partes (como o esquartejador), começando pelas questões mais pontuais.
1. Uma prefeitura não tem poder para silenciar um jornal. Na melhor (ou pior) das hipóteses seria necessário que a Justiça o fizesse. Qual foi a alternativa encontrada pela administração municipal? Criatividade pura: não se impediu a publicação do jornal, apenas foi exigido o cumprimento de uma lei de 1991 que proíbe o comércio ambulante, neste caso os gazeteiros (aqueles jornaleiros que circulam pela cidade). Provavelmente (não conheço Taubaté e seus jornais) a maior parte dos leitores tem acesso ao jornal pelos gazeteiros, sem estes, nada de circulação das notícias e denúncias.
2. Para quem acha que censura a jornais é coisa que só acontece nos estados do Pará, Mato Grosso, Bahia, etc, fique atento. Se há grupos de poder, haverá interesse em controlar a livre circulação de informação.
3. E mais importante: o motivo real deste post.

Informação é poder. Isto é praticamente um clichê, mas apenas porque se trata de uma obviedade. Porém, é importante entender a informação em um sentido amplo. Não se trata apenas de denúncias, queixas e críticas de grupos descontentes. Pensemos também em dados que auxiliam o planejamento e a administração (censos, índices econômicos e sociais, etc.), ou a segurança (estado das fronteiras, agitações populares em regiões ou cidades, etc) e por isso merecem total atenção de qualquer instância do Estado.
Os grandes impérios, desde a Antiguidade, dedicavam especial cuidado à manutenção de redes de estradas percorridas constantemente por mensageiros, funcionários especializados na reunião de informações, e, finalmente, formas de levar as informações desejadas aos ouvidos da população.
É importante lembrar que até o século XX a vida política não passava pela massa da população e, via de regra, eram as cidades capitais as que respiravam mais intensamente os humores da política.
Nesse sentido, um dos casos mais expressivos foi a Paris do século XVIII. Ao longo do século já crescia a publicação de livros, mas o público leitor não era significativo devido às altas taxas de analfabetismo. No entanto, não eram raras as leituras coletivas "popularizando" ideias que nem sempre agradavam o Rei, a Nobreza ou a Igreja. A resposta era só uma: em pleno Estado Absolutista a censura era algo, por assim dizer, habitual. A liberdade de expressão, enquanto valor, não existia como nós pensamos.
Já nas últimas décadas do século XVIII com os ânimos cada vez mais exaltados graças ao desemprego, aos gastos públicos (e militares) elevados, crise de abastecimento, aumento nos impostos e nenhuma participação política, os "ataques com palavras" se multiplicaram. Não só livros, mas principalmente jornais, cartazes e panfletos passaram a circular pela capital do reino informando a população. A informação devastou a Corte. Os problemas isolados, as insatisfações de grupos variados, transformaram-se em motivos para uma contestação coletiva: a Revolução Francesa. Neste caso, a informação foi arma das mais poderosas contra o status quo.

Voltando ao Prefeito de Taubaté, ele está errado em tentar barrar a circulação de informação? Do ponto de vista de quem está no poder e quer garantí-lo a todo custo, não. Mas dentro de um Estado Democrático essa atitude é, no mínimo, arbitrária. Cabe aos que são contrários descobrirem meios de burlar essas amarras. Os revolucionários do século XVIII descobriram o uso do jornal, os rebeldes (revolucionários?) dos países árabes descobriram o uso do twitter e redes sociais. No fundo, a ideia é a mesma.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Qual a real dimensão?

Não poderia deixar de comentar, mas ao mesmo tempo não é um assunto que me motive grandes reflexões. Talvez seja o esgotamento do tema. Ouço a palavra "terrorismo" e imediatamente surgem na minha cabeça duas imagens: ou uma explosão suicida ou um ataque militar em nome de uma guerra ao terror. E em ambos os caso a morte de inocentes é um brinde obrigatório.
Então hoje olhei as notícias na internet e dei de cara com a morte do Bin Laden. Sendo sincero, beeem sincero, primeiramente duvidei para logo depois dizer "e daí?". É claro que tem importância, mas no momento não sei dizer qual a real dimensão para nós, aqui no Brasil, da execução deste assassino.
Entretanto, uma coisa me deixou bem impressionado. As fotos da população estadunidense comemorando nas ruas. Não sinto pela morte de Bin Laden, mas me causa algo estranho brindar à morte, agradecer à deus e entoar gritos de alegria e alívio...

(P.S.: Não coloquei nenhuma das fotos que circulam por aí para não ferir os direitos autorais dos jornais...)


Leia+
Não deixe de ler a coluna Janela para o mundo de Clóvis Rossi: A morte não mata o discurso

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Bullying News II

Agora virou bagunça! Antes nada era bullying e tínhamos um problema. Agora tudo é bullying e temos um problema.
Vejam o caso que seria cômico se não fosse trágico, ridículo, constrangedor e/ou ofensivo.
Na segunda-feira, dia 25 de abril, o senador pelo Paraná (ex-governador e famoso por sua truculência) Roberto Requião, arrancou o gravador das mãos de um repórter, irritado com a pergunta que lhe fora feita. O Sindicato dos Jornalistas imediatamente se manifestou, afinal o "nobre" parlamentar havia impedido o trabalho de um profissional e de forma agressiva.
Requião foi à tribuna do Senado no dia 26 para se justificar:
Segundo o senador, o repórter da Rádio Bandeirantes tentou lhe aplicar uma "armadilha" com "perguntas encomendadas", numa atitude de "bullying" que marca parte da imprensa brasileira.
"Temos que acabar com o abuso, o bullying que sofremos nas mãos de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável", disse.
Requião afirmou, sem citar nominalmente veículos de comunicação, que a imprensa se acostumou a "plantar ruídos que se afastam completamente da verdadeira natureza dos fatos". Sobre a retirada do gravador, disse que "há momentos em que a indignação é uma virtude".
 Só para que não fique dúvidas, cito trecho de uma matéria da Revista Nova Escola definindo o que NÃO é bullying
Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying. Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying.
O virtuoso Senador, em resumo, exagerou. Ou ele quis dizer que, mesmo tendo imunidade parlamentar, sendo julgado por foro privilegiado, recebendo um sem-número de regalias, ele é igual ao jornalista?!?! Não, acho que não...

E fica o aviso: a liberdade de expressão corre risco tanto à direita quanto à esquerda!

A matéria na íntegra sobre a desculpa esfarrapada de Requião AQUI.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Jogos, simulações e a realidade

Li na Folha de S. Paulo sobre um professor estadunidense que trabalha conceitos de geopolítica e resolução de problemas com alunos de 4a. série (creio que o equivalente ao nosso 5o. ano) utilizando um jogo chamado "Jogo da Paz Mundial". Trata-se de uma simulação desenvolvida pelo mesmo professor hácerca de 28 anos e, segundo a reportagem, muito premiado nos EUA.
Pelo que pude compreender da matéria e da entrevista com o professor, a atividade lembra bastante o SINU, a simulação da ONU desenvolvida pelo Colégio São Luiz que contou no ano passado com a participação de alguns alunos nossos. A maior diferença é justamente a idade: o SINU contou com alunos do Ensino Médio.

Veja o vídeo AQUI.

Após ver o vídeo estou simplesmente de boca aberta, a experiência é fantástica!!! Gostaria muito de saber mais sobre o "Jogo da Paz Mundial", mas infelizmente não sou um docente de Boston...


Ignore a manchete proto-poética da Folha e leia a entrevista:
Professor americano ensina a paz por meio da guerra