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quarta-feira, 28 de março de 2012

Valorizando a prata da casa

Hoje fiquei sabendo que um ex-aluno, Matheus Mans Dametto, tem investido na literatura. Via Twitter ele me mandou o link para uma crônica sua que foi publicada num interessante site colaborativo chamado Sobre Livros.
Como toda produção é bem vinda por aqui, aproveito para divulgar e sugerir a leitura...


Veríssimo nele!

O sol começa lentamente a se infiltrar pela janela de meu quarto e a enfrentar a resistência que a persiana vermelha faz contra esta ação monótona e bela da natureza. Meus olhos relutam em seguir a recomendação natural de se abrirem ao primeiro raio de sol. Afinal, não sou um galo que acorda ao primeiro sinal da estrela brilhante no horizonte. Digo a mim mesmo que irei dormir mais cinco minutinhos. Afinal, hoje é sábado e não tenho compromissos pela manhã que me impedem desta regalia. Quando estou quase deitando novamente nos braços de Morfeu e me entregando ao sono profundo ouço um barulho.
TRIM.
É algum de meus talheres de metal caindo no chão de linóleo da cozinha adjacente ao meu minúsculo quarto. Estranho, pois não há mais ninguém morando em minha casa. Os amigos que estava abrigando já se foram faz três dias.
(CONTINUA)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Um pouco da história do samba

Eu queria postar por aqui um pouco sobre o samba e sua história, afinal tratamos de modo um pouco pontual em sala. O samba acabou entrando nos conteúdos de aula não só por seu caráter identitário, ligado a um "espírito nacional", mas porque foi adotado pelo Estado Novo de Getúlio Vargas. No entanto este ritmo musical não surge nem acaba com Vargas, portanto é fundamental contemplar um horizonte mais amplo.
Como sabia que o aluno Matheus Mans Dametto (3a. série) é um apreciador do samba, pedi que ele redigisse um texto para o blog. Segue, então, a segunda contribuição de um aluno.


Uma reunião de músicos e compositores, em 1917, na casa da Tia Ciata, levou à composição do primeiro samba a ser registrado e gravado. O sambista Donga em parceria com Mauro de Almeida foram os sambistas responsáveis pela composição da memorável “Pelo Telefone” e que desencadeou uma série de outras composições deste novo ritmo, resultado de uma mistura de culturas africanas.
O sucesso que tal música causou na população pobre e suburbana da ‘cidade maravilhosa’ foi tamanho que novos sambistas e compositores deste novo estilo foram surgindo. Porém, este estilo musical não era bem visto pelas autoridades, sendo que quem fosse pego batucando nas ruas, era levado direto à delegacia da cidade. Foi só na década de 1940 que o samba foi aceito, promovendo um povo mais fiel ao Estado devido ao patriotismo embutido no novo ritmo nacional, sendo que a partir daí novos sambistas surgiram e os pioneiros se consagraram, a exemplo de Sinhô e Heitor dos Prazeres.
Esses sambistas começaram a se encontrar nas ‘noites’ cariocas e criar grandes grupos de apoiadores do novo estilo musical. Estavam criadas as escolas de samba. Caracterizadas pelo ambiente simples e pobre das recém formadas favelas do Rio de Janeiro, elas foram o ponto de partida para a disseminação do ritmo pelo resto do território nacional. Porém, os morros cariocas continuavam carregando o estandarte de grandes sambistas do país.
As músicas, não mais apenas sambas-enredos ou apenas canções para se tocar nas rodas de samba, foram aprovadas pelo governo de Getúlio Vargas e retratadas como identidade nacional. Aspirantes à músicos começaram a aparecer de outros estados e se apresentarem em rádios. Jovens cantores como Ataulfo Alves, Ary Barroso e Lamartine Babo se consagravam como sambistas e músicos, e não apenas como os malandros do Rio.
Na década de 1960, Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini em São Paulo mostravam que o samba poderia nascer em outros estados e que São Paulo não era “o túmulo do samba”, como dito por Vinicius de Moraes. Cartola e Paulinho da Viola, no Rio de Janeiro, voltavam a reaproximar o samba carioca dos morros nos quais teve origem.
Nos “anos de chumbo”, o samba foi um dos responsáveis pela expressão de opinião da população brasileira. Jovens compositores, como Chico Buarque e Caetano Veloso, compunham obras que atentavam contra a repressão dos militares brasileiros. Sambas como “Vai Passar” e “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” são exemplos claros da insatisfação dos músicos.
Os bambas de antigamente ainda faziam relativo sucesso, apesar de a maioria ter sido esmagada pelos novos ritmos brasileiros e internacionais que chegavam ao país. Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Cartola, Jamelão, entre outros, mostravam que ainda tinham “lenha para queimar” e o samba era revitalizado com a ajuda dos novos expoentes do samba e da Bossa Nova, como Caetano, Gil e Chico. Sendo que, apesar de modificado, está vivo até hoje como ritmo musical genuinamente brasileiro.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

O primeiro texto de um colaborador

Há alguns dias o ex-aluno Gabriel Krisman Bertazi me enviou um e-mail fazendo uma sugestão de texto para o blog. Tratava-se de uma notícia da Folha de S. Paulo a respeito de problemas recentes da Fuvest. Obviamente a pauta interessava, mas achei que poderia inverter a situação. Devolvi a sugestão e perguntei-lhe se não queria escrever um post. Junto com o "aceito" ele já enviou o texto prontinho.
Espero que esta tenha sido a primeira de outras colaborações (e não apenas do Krisman!).


Problemas na Fuvest: Treineiros disputam vagas reais

Essa semana li na Folha Online, no caderno Saber, sobre uma questão bastante séria que pode trazer grandes prejuízos aos vestibulandos. Trata-se dos “treineiros piratas” conforme definição da própria Folha.
Na Fuvest, existe a opção de inscrição como “treineiro” para os alunos que, por não terem terminado o ensino médio, não podem se matricular na USP. Assim praticam para quando puderem fazer a prova “para valer”.
A Fuvest disponibiliza três carreiras “fictícias”, uma de exatas, uma de humanas e uma de biológicas, nas quais os treineiros podem se candidatar, a fim de fazer a segunda fase da prova com matérias específicas de sua área de interesse.
Todavia, as vagas de ingresso na segunda fase nessas carreiras são limitadas. De fato, pela grande procura de treineiros, as notas de corte, essenciais para aprovação do candidato à segunda fase, costumam ser bem altas, se comparadas a diversos cursos reais da USP.
É nesse cenário que a Folha apresentou o problema. Para garantir que possam fazer a segunda fase, muitos treineiros acabam procurando carreiras reais, com notas de corte mais baixas, prejudicando candidatos que realmente buscam aquela vaga.
No vestibular 2011, por exemplo, no curso Ciências da Informação e da Documentação, oferecido no campus de Ribeirão Preto, 47% dos inscritos eram treineiros.
Essa situação gera grandes problemas para candidatos reais. Primeiramente, pelo aumento da relação candidato/vaga que, mesmo não sendo um fator direto que atrapalha no vestibular, sabemos a tranquilidade que um C/V baixo pode causar.
Outro problema gerado pelos treineiros piratas ocorre na hora da convocação. Como o número de treineiros aprovados nos cursos reais é bastante grande, a lista de aprovados varia muito de uma chamada para outra. Desta forma, muitos candidatos reais que poderiam ter passado nas primeiras chamadas, ficam para traz, e muitos, abandonam o concurso da Fuvest para se matricularem em outro lugar.
Mas o pior problema é, na minha opinião, as notas de corte. Com o aumento da concorrência nesses cursos, as notas de corte tendem a subir, barrando o acesso à segunda fase de candidatos reais, que poderiam ter sido aprovados.
Resolver a questão é fácil, a Fuvest poderia barrar o acesso, na inscrição, aos alunos que não tem ensino médio completo às carreiras reais, por exemplo. Mas a melhor atitude, aquela que beneficiaria tanto os candidatos reais quanto os treineiros, seria o aumento do número de vagas nas carreiras fictícias. Isto reduziria as notas de corte na raiz do problema, permitindo o acesso dos que querem treinar à segunda fase, sem atrapalhar quem quer prestar um curso menos concorrido.
Não se pode questionar a estrutura e a capacidade da Fuvest de fazer isso. Um exame que sempre foi exemplo de seriedade e compromisso, além de uma organização impecável, não vai permitir que candidatos saiam prejudicados. Por certo, a Fuvest tomará providencias. Só resta saber o que será feito, e como isso afetará os candidatos deste ano.
 
Notícia da Folha de S. Paulo AQUI