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| Desfile da FEB, em seu retorno, na Cinelândia (Rio) |
Durante um bom tempo e ainda para muita gente, falar da FEB provoca sentimentos patrióticos. Apesar da participação brasileira na 1a. Guerra Mundial, foi na guerra de 1939-1945 que o Brasil efetivamente se engajou participando de 445 missões contra os alemães no norte da Itália sob supervisão dos EUA. Mas deixando de lado o patriotismo ingênuo podemos encontrar aspectos pouco explorados deste envolvimento.
Pesquisas recentes do historiador César Campiani Maximiano, da PUC-SP, revelam o pouco treinamento, desconhecimento do armamento oferecidos pelos norte-americanos, falta de planejamento e de motivação clara dos pracinhas.
Um dos comandantes brasileiros, Gal. Zenóbio da Costa, diante do questionamento a respeito da falta de treinamento teria dito: "Não precisa! Os meus meninos tomam aquela merda no grito!". Contudo, nem sempre dava para resolver "no grito" e erros simplórios foram cometidos, apesar do sucesso alcançado.
Este contexto não significa qualquer demérito ou ofensa à FEB, mas, ao contrário, mostra o grau do sacrifício humano realizado por uma questão de política internacional. Ironicamente, o retorno desses homens acabou por escancarar as incoerências do governo ditatorial e de inspiração fascista de Getúlio Vargas. Tendo lutado ao lado dos Aliados contra o Eixo nazi-fascista, a ação dos pracinhas foi devidamente explorada pela mídia no questionamento do Estado Novo. Não por acaso que alguns consideram que os pracinhas venceram duas vezes, uma na Europa e outra no Brasil.
Barbudos, Sujos e Fatigados: soldados brasileiros na Segunda Guerra Mundial
Autor: Cesar Campiani Maximiano
Editora: Grua Livros
