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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mais uma vez...

Menina desmaia após agressão em escola de Santos (SP)
Uma estudante de 12 anos foi agredida por quatro alunos da escola estadual Barnabé, em Santos (litoral de São Paulo), após recusar-se a emprestar uma caneta para uma colega de classe. (...)
"Não posso definir se o caso foi uma prática clássica de bullying, mas a mãe da garota [vítima] contou que ela já tinha sido agredida outras três vezes no colégio", disse a delegada-assistente da Delegacia de Infância e Juventude Rita de Cássia Mendez. (...)
Bullying ou não bullyng, é realmente esta a questão?
Que tal discutirmos a violência como meio de expressão na sociedade brasileira? Se toda discordância é motivo para agressão a questão não é escolar, mas social. Arrisco dizer que não se trata de discutir quem pode bater, e sim se alguém pode bater!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Bullying News II

Agora virou bagunça! Antes nada era bullying e tínhamos um problema. Agora tudo é bullying e temos um problema.
Vejam o caso que seria cômico se não fosse trágico, ridículo, constrangedor e/ou ofensivo.
Na segunda-feira, dia 25 de abril, o senador pelo Paraná (ex-governador e famoso por sua truculência) Roberto Requião, arrancou o gravador das mãos de um repórter, irritado com a pergunta que lhe fora feita. O Sindicato dos Jornalistas imediatamente se manifestou, afinal o "nobre" parlamentar havia impedido o trabalho de um profissional e de forma agressiva.
Requião foi à tribuna do Senado no dia 26 para se justificar:
Segundo o senador, o repórter da Rádio Bandeirantes tentou lhe aplicar uma "armadilha" com "perguntas encomendadas", numa atitude de "bullying" que marca parte da imprensa brasileira.
"Temos que acabar com o abuso, o bullying que sofremos nas mãos de uma imprensa às vezes provocadora e muitas vezes irresponsável", disse.
Requião afirmou, sem citar nominalmente veículos de comunicação, que a imprensa se acostumou a "plantar ruídos que se afastam completamente da verdadeira natureza dos fatos". Sobre a retirada do gravador, disse que "há momentos em que a indignação é uma virtude".
 Só para que não fique dúvidas, cito trecho de uma matéria da Revista Nova Escola definindo o que NÃO é bullying
Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying. Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying.
O virtuoso Senador, em resumo, exagerou. Ou ele quis dizer que, mesmo tendo imunidade parlamentar, sendo julgado por foro privilegiado, recebendo um sem-número de regalias, ele é igual ao jornalista?!?! Não, acho que não...

E fica o aviso: a liberdade de expressão corre risco tanto à direita quanto à esquerda!

A matéria na íntegra sobre a desculpa esfarrapada de Requião AQUI.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Bullying News

Pais registram denúncia de bullying em cartório
Tentativa é de garantir provas documentais da perseguição feita contra os filhos pela internet e usá-las em processos contra os autores da agressão
Há seis meses, pais passaram a registrar em cartório ofensas sofridas pelos filhos vítimas de cyberbullying. O documento é usado para provar agressões virtuais em processos movidos contra autores mesmo que as mensagens venham a ser retiradas das redes sociais. (...)


MP quer que bullying seja crime

Promotores da Infância e Juventude de São Paulo querem que o bullying seja considerado crime. Um anteprojeto de lei elaborado pelo grupo prevê pena mínima de um a quatro anos de reclusão, além de multa. Se a prática for violenta, grave, reiterada e cometida por adolescente, o autor poderá ser internado na Fundação Casa, a antiga Febem.
(...)
A educadora Madalena Guasco Peixoto, da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), considera a proposta exagerada. “Essa questão não se resolve criminalizando, e para casos graves já existe o crime de lesão corporal”, opina. “As escolas precisam assumir a responsabilidade e, se tiver de haver punição, que seja aplicada pelos estabelecimentos de ensino”, defende. “O problema é que as escolas estão sendo omissas”, rebate o promotor Thales Cezar de Oliveira, que também assina o anteprojeto de lei.


Alguém disposto a se manifestar a respeito?

Sobre as dificuldades de convivência

Há termos que surgem sorrateiramente e se tornam quase moda frequentando rodas de conversa até então inimagináveis. A palavra bullying (e tudo o que ela significa) é um desses termos/assuntos/problemas que estão na crista da onda. Acho que me dei conta do peso deste fenômeno quando fui a um churrasco e a grande discussão foi a respeito dos efeitos danosos do bullying. Definitivamente aquele era o último lugar onde eu esperava ver um debate fervoroso com esta temática.
Mas eventos recentes trouxeram à tona as consequências extremas decorrentes do desrespeito entre as pessoas no plano cotidiano. Creio que em menos de 15 dias tivemos a veiculação do impressionante caso de Casey Haynes, o garoto australiano que ficou conhecido nas redes sociais como Zagief Kid após reagir a seu agressor, e a barbaridade causada por um jovem emocionalmente desequilibrado que abriu fogo contra um escola em Realengo, no Rio de Janeiro. Um tanto chocados, pais, professores, estudantes, a mídia em geral, todos parecem tentar entender o que leva alguém a praticar o bullying e, principalmente, como se faz para evitar esta conduta predatória.

Acesse AQUI a entrevista de Casey Haynes (com legendas).

Não sou especialista nem em psicologia da educaçao e muito menos em bullying, e, por isso, confesso que às vezes fico um pouco angustiado com esses casos todos. Fico me perguntando se estou deixando de ver algum caso em minha sala de aula, ou se estou sendo involuntariamente conivente. Lembro-me das vezes que sofri bullying no Ensino Fundamental ou no caso de minha irmã que sofreu calada inclusive à agressão física. Hoje ela é uma mulher de sucesso e feliz, mas sua vida escolar até a então 8a. série foi um inferno. Eu, na época, era um adolescente padrão empenhado em resolver meus próprios dilemas (e não eram poucos, como todo adolescente sabe!) e não fui capaz de ver que minha irmã precisava de ajuda. Ela, por sua vez, talvez achasse que em silêncio seria mais fácil de superar, de esperar passar. Quem a viu sofrer as agressões verbais e físicas não fez nada: a sala de aula tinha no mínimo 25 alunos e nenhum deficiente visual, e as professoras não souberam de nada ou pensaram que não era nada demais - "coisa da idade, eles sempre fazem 'panelinha'".
Aquela situação era muito ruim, mas agora penso que é pior. Não que haja mais casos, porém as possibilidades de perseguição - e esta é a prática mais cruel do bullying - são quase infinitas. Quando éramos crianças chegávamos em casa e estávamos a salvo. Nossas redes sociais eram a escola, o clube e a igreja, em todos os casos a presença física era imprescindível. Agora podemos levar para casa todos os nosso amiguinhos e nos "inimigozinhos" também. Liga-se o computador, o Orkut, o Facebook, o Twitter, o Msn e sei lá mais o que, pronto, as dores e as delícias da infância e da adolescência caminham do virtual para o real o tempo todo: fofocas, rumores, agressões, ameaças, deboches, etc.
As vezes que conversei com alunos a este respeito me espantei com algumas opiniões. Certo aluno me perguntou se combater o bullying não seria também combater o humor: não poderei mais apelidar meus colegas? Será que ele realmente não era capaz de distinguir entre um apelido afetuoso de quem é amigo e o apelido depreciativo de quem quer causar dor e sofrimento?
Lembrei-me neste instante de um colega de escola, acho que da 6a. série, que era chamado de "Fedido" ou "Fedô". Havia humor nisso? Honestamente, não. Imagino que eu até ria, talvez um tanto aliviado em saber que não era eu a vítima e com isso legitimava a agressão ao colega. Lamentável, não é?
Não me interessa agora remoer um sentimento de culpa, mas fica claro que as responsabilidades são múltiplas. No que me diz respeito diretamente, só posso assumir a minha responsabilidade como professor e convidar os alunos a assumirem as suas enquanto seres humanos e cidadãos que esperam ser um dia. Farei minha parte e espero contar com a colaboração dos outros.