De tempos em tempos os olhos dos mais diversos analistas se voltam para alguns temas, digamos, quentes. Se estivéssemos falando de moda, diríamos se tratar de uma tendência para a estação. Mas neste caso seria pouco. Se o assunto fosse futurologia barata, talvez tratássemos como aposta para o futuro. Porém, o ponto central é a compreensão de um cenário internacional que envolve aspectos históricos, políticos, sociais e econômicos dos mais complexos. É verdade que se trata de um futuro e que há, sim, uma tendência em se analisar de uma forma específica, só não podemos perder o foco na complexidade. Para isso precisamos aprofundar a leitura.
Você sabe o que são os BRICs?
Se a resposta é "não" então está na hora de correr atrás e se informar.
Aproveite a edição de abril da Revista Pré-Univesp. Dentre os diversos textos, destaco estes três abaixo. Ou seja, ao menos leia estes.
A União Europeia lançou um vídeo tendo em vista o público de 16 a 24 anos e com o objetivo chamar a todos a uma política de boa vizinhança. Com linguagem dinâmica e estética de filme de ação, Europa encontra China, Índia e Brasil.
Bom, a União Europeia lançou o vídeo e logo depois "des-lançou". Diante das críticas generalizadas foram obrigados a retirar o material do YouTube e se retratar.
Veja:
As críticas feitas ao filme publicitário vão desde "racista" a "imperialista", passando por "esteriotipado" e "agressivo".
Só para entender melhor, um resumo do roteiro: três lutadores (um chinês e seu kung fu, um indiano que levita e um negro capoeirista) cercam uma moça com cara de Kill Bill. Ela respira fundo, se multiplica em 12 (as doze estrelas da bandeira da União Europeia) e todos se sentam para conversar. No final, o slogan: "Quanto mais de nós houver, mais força teremos".
Opinião pessoal:
Entendo perfeitamente a polêmica apesar de não chamar de "racismo". Compreendo a tentativa de um discurso pró diálogo, de paz e harmonia entre os povos, mas o tiro saiu pela culatra. Para dizer o mínimo, o vídeo pode sugerir que os BRICs (com exceção da Rússia que não aparece no filme) são encarados como uma ameaça e depois convencidos a dialogar. Além disso, apostaram em esteriótipos. Nem vou comentar o capoeirista, porém é fato que quem chama para o diálogo é a Europa/Kill Bill. Ou seja, na minha leitura, voltamos à defesa da superioridade europeia e seu já antigo eurocentrismo.