terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

As opiniões de um mestre

Sem dúvida alguma Eric Hobsbawm é um dos maiores historiadores vivos. Apesar da idade avançada (quase 95 anos) continua lúcido e atento ao desenrolar da história contemporânea.
Como sugestão de leitura, deixo aqui uma entrevista realizada pela BBC e publicada no último dia do ano passado. Em uma conversa breve, o historiador inglês retoma as Revoltas Árabes, os movimentos revolucionários de 1848, o papel das esquerdas, o movimento Occupy e os Indignados nos EUA.
Vale a leitura!


Revoluções de 2011 'me lembram 1848', diz Hobsbawm

Em entrevista à BBC, Hobsbawm ressaltou que desta vez os movimentos de contestação são impulsionados pela classe média, e não pelo proletariado.
Hobsbawm nasceu poucos meses antes da Revolução Russa, de 1917, e foi comunista a maior parte de sua vida, assim com um influente pensador marxista. Um de seus livros mais conhecidos, a Era das Revoluções, que retrata justamente as revoltas de 1848, é um clássico da historiografia."Foi uma grande alegria redescobrir que é possível que as pessoas saiam às ruas para se manifestar e derrubar governos", disse o historiador, que passou toda sua vida ligado às revoluções.
Além de escrever sobre as revoluções, Hobsbawm também apoiou algumas revoltas. Com mais de 90 anos, sua longa paixão pela política aparece no título de seu mais novo livro:How to change the World (Como mudar o mundo) e em seu enorme interesse pela Primavera Árabe.
"A verdade é que eu tenho um sentimento de excitação e alívio", disse, ao receber a reportagem em sua casa em Hampstead Heath, bairro no norte de Londres.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vozes do Imperialismo

O ano começou devagar para o blog, mas em sala de aula a velocidade está a contento. E talvez por isso não tem sido tão fácil postar novidades por aqui.
Sei que todos os alunos da 3a. série já possuem os textos em mãos, pois estamos discutindo em aula. Mas para os demais interessados e caso alguém queira discuti-los por aqui, replico.

Em sala vimos dois textos, o primeiro de um político francês da virada do século XIX para o XX chamado Albert Sarrout. Suas palavras são interessantíssimas já que escancaram a mentalidade do europeu da Belle Époque. Notem sua visão de humanidade e de riqueza, assim como a noção de progresso.
“(...) A Natureza distribuiu desigualmente no planeta os depósitos e a abundância de suas matérias primas; enquanto localizou o gênero inventivo das raças brancas e a ciência da utilização das riquezas naturais nesta extremidade continental que é a Europa, concentrou os mais vastos depósitos de matérias primas na África e Ásia tropicais e Oceania equatorial, para onde as necessidades de viver e de criar lançariam o elã dos países civilizados. Estas imensas extensões incultas, de onde poderiam ser retiradas tantas riquezas, deveriam ser deixadas virgens, abandonadas à ignorância ou à incapacidade? A humanidade total deve poder usufruir da riqueza total espalhada pelo planeta. Esta riqueza é o tesouro comum da humanidade.” 
(Albert Sarrout)
O segundo testemunho é de Cecil Rhodes, homem de negócios, político, colonizador e ideólogo do imperialismo inglês na África.
“Ontem estive no East-End [bairro operário de Londres] e assisti a uma assembleia de desempregados. Ao ouvir ali discursos exaltados, cuja nota dominante era ‘pão! pão!’, e ao refletir, de regresso a casa, sobre o que tinha ouvido, convenci-me, mais do que nunca, da importância do imperialismo... A ideia que acalento representa a solução do problema social: para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil, nós, os políticos coloniais, devemos apoderar-nos de novos territórios; para eles enviaremos o excedente de população e neles encontraremos novos mercados para os produtos das nossas fábricas e das nossas minas. O império, sempre o tenho dito, é uma questão de estômago. Se quereis evitar a guerra civil, deveis tornar-vos imperialistas”.
(Cecil Rhodes)
Charge de Cecil Rhodes representando seu
ambicioso plano de construir uma linha
férrea do Cairo à Cidade do Cabo
Estes dois textos, na verdade, duas falas de homens do século XIX, expressam bem os pilares básicos da mentalidade imperialista e suas justificativas. Podemos ver a necessidade de matéria prima e de mercado consumir, o excedente populacional europeu e argumento racista segundo o qual os africanos e asiáticos não poderiam ser "donos" de tantas riquezas naturais.
Quanto a este pensamento racista, há outra citação de Cecil Rhodes que é imensamente esclarecedora:
"Considerei a existência de Deus e decidi que há uma boa chance de que ele exista. Se ele realmente existir, deve estar trabalhando em um plano. Portanto, se devo servir a Deus, preciso descobrir o plano e fazer o melhor possível para ajudá-lo em sua execução. Como descobrir o plano? Primeiramente, procurar a raça que Deus escolheu para ser o instrumento divino da futura evolução. Inquestionavelmente, é a raça branca… Devotarei o restante de minha vida ao propósito de Deus e a ajudá-lo a tornar o mundo inglês."


Por fim, recomendo que vocês leiam também os posts antigos sobre Imperialismo AQUI.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Gosta de arte?

A maior dificuldade para quem gosta de arte, principalmente a produção mais "recente" (da década de 1950 para cá), é que moramos no Brasil e os maiores nomes e suas obras circulam no eixo EUA-Europa. A alternativa seria a internet, mas nem tudo (ou bem pouco, proporcionalmente) está na net.


Portanto, é uma ótima notícia saber que a Fundação Guggenheim, cujo principal (mas não único) museu fica em Nova York, disponibilizou 65 catálogos desde 1937 em formato digital para consulta on-line. Um prato cheio para quem gosta de pintura abstrata, concreta, expressionista, e outras vanguardas, ou ainda Kandinsky, Bacon, e companhia.

Veja AQUI

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os imigrantes, São Paulo e você

Na primeira semana de aula o que sempre chama minha atenção são os nomes dos alunos. Na verdade, os sobrenomes. Por mais que eu considere que se exagera um pouco a raiz imigrante de São Paulo, é fato que muitas das famílias paulistanas são alienígenas, como se dizia muito antigamente. E isso é ainda mais marcante no Ipiranga.
Então, me lembrei que há alguns meses o Museu da Imigração do Estado de São Paulo lançou seu novo site com parte do seu acervo digitalizado: fotografias, jornais, mapas e os Registros de Matrícula. Esses registros contém os nomes de todos os imigrantes que passaram pela Hospedaria, vindos de Santos, antes de seguirem para alguma fazenda no interior do Estado ou se mudarem para alguma casa na cidade.


Nem todo imigrante passou pela Hospedaria, mas se sua família entrou por Santos na virada do século XIX para o XX há uma grande chance de achar o nome de um bisavô ou parente nesses registros.
Vale um passeio.




P.S. Antes que digam que estou forçando a mão, vejam o dicionário:
Alienígena: 1. que ou quem é natural de outro país; estrangeiro, forasteiro 2. Derivação: sentido figurado. Que ou o que pertence a outros mundos


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Volta às aulas!!

Ok, talvez o entusiasmo do título não seja generalizado. Mas em todo caso, estou satisfeito em voltar para a sala de aula depois de um descanso merecido.
O blog também volta das férias cheio de planos. Agora fica a expectativa de conseguir dar conta de tudo: as aulas de história para a 2a. e 3a. séries e as aulas de filosofia e sociologia para a 3a. série. Além disso, comecei um novo blog, só com exercícios de vestibular: Só exercícios. O título não é dos mais originais, mas o conteúdo é bom, eu juro!


Para quem está chegando, sinta-se em casa. Eu recomendo um passeio pelas postagens antigas, até mesmo para saber o que já foi tratado, o que te espera neste ano de 2012...


No mais, 'bora estudar!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Férias

Pessoal,
Finalmente chegamos ao final de mais um ano. Amanhã tenho o Conselho de Classe final e, portanto, o encerramento oficial do ano. Para os alunos da 3a. série, essa conclusão será na quinta-feira, com a formatura.
Como também mereço um descanso, este Blog entrará de férias junto com vocês. Nossas atividades estarão de volta apenas em janeiro, quando espero apresentar algumas novidades por aqui.
Aproveitem esse tempo para relaxar, ler bons livros, ver filmes minimamente inteligentes, e ampliar seus horizontes. No mais, façam o que vocês não deveriam ter feito durante o ano: NADA.


Abraços

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quase férias...

Parte dos alunos já estão de férias e até mesmo este blog anda num ritmo bem lento. Com o fim das aulas regulares e o início da Recuperação do 4o. Bimestre e a Recuperação Final (a começar amanhã) tudo está mais devagar por aqui.
Aos alunos que já concluíram o ano, gostaria de dar meus parabéns. Por mais que os pais digam (e os meus também disseram!) que você não fizeram nada além da obrigação, bom, vocês fizeram direito e isso é muito importante. Para os que ainda vão precisar de mais uma prova para encerrar 2011, ficam aqui algumas recomendações.

1. Verifiquem os conteúdos exigidos para a Recuperação Final. 
Está tudo no GIC, mas vou colocar aqui:


2a. série:
  • Mundo do trabalho: trabalho assalariado e escravo
  • Revolução Industrial
  • Revolução Francesa 
  • Processo de Independência do Brasil.
Reparem que são apenas 4 tópicos, porém não é pouca coisa. Obviamente não vou exigir aquele detalhe mínimo, mas é fundamental que vocês dominem os conceitos e consigam fazer comparações. Vou continuar pedindo leitura e compreensão de texto, portanto fiquem atentos.

3a. série:
  • Período entre-guerras: crise de 1929 e Nazi-fascismos 
  • Crise da República Velha e Revolução de 1930 
  • Era Vargas: questões trabalhistas e sociais
  • Guerra Fria
Não poderia ser mais fácil! A matéria equivale apenas aos 2o. e 3o. bimestres. Cuidado que não peço 2a. Guerra Mundial, mas se vocês não souberem ao menos o resultado dela ficará um pouco complicado falar de Guerra Fria. No mais, valem as mesmas recomendações feitas para a 2a. série.


2. Planejem seus estudos
Não se esqueçam do calendário de provas!!
Nossa prova é na sexta-feira, dia 9 de dezembro, para ambas as séries.


3. Plantão de dúvidas
Eu permanecerei à disposição para dúvidas na quarta e na quinta-feira.
Veja bem! Não é aula, é plantão de dúvidas. Estudou e não entendeu muito bem a matéria? Então, me procure!!!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Ah, a FUVEST

A FUVEST conseguiu criar uma aura de respeitabilidade e temor. Nunca sei se os vestibulando tem mais medo ou respeito por este vestibular, mas é fato que depois que ele passa todos respiram mais aliviados.
Do ponto de vista prático, da prova em si, já disse antes: não considero uma prova muito bonita. O pessoal andou fazendo umas mudanças, mas nada que mudasse profundamente. Aliás, como deveria ser mudado.
A prova deste ano ocorreu ontem, domingo, e exigia que o candidato resolvesse 90 testes de conhecimentos gerais. Em princípio era dito que parte dessas questões seriam interdisciplinares, o que estou procurando até agora.
No que diz respeito à prova de História, está bem melhor que no ano passado. Melhoraram bastante a distribuição temática de modo que tivemos, entre as 10 pergunta: uma questão de Pré-história Brasileira (leitura atenta e raciocínio lógico resolviam); uma de Idade Média (genérica, sem mistério); Idade Moderna contou com duas, uma sobre a Expansão Marítima Portuguesa e o pensamento mercantilista, e outra sobre a escravidão; e a FUVEST gosta tando do tema escravidão que teve mais uma questão, agora no século XIX e que lembrava bastante uma da UNESP; teve uma questão sobre Período Joanino e relações com Inglaterra (voltarei a falar desta questão); muito próxima desta última, que abordava as mudanças da produção e comércio mundiais, uma sobre ferrovias (achei meio chatinha de fazer, pois era fácil de se confundir); século XX a dentro, tivemos uma sobre a Revolução de 1930 e, curiosamente, o mesmo tema foi abordado na prova da UNICAMP; e terminamos a prova com uma pergunta sobre Ditadura Militar e outra sobre o Impeachment do Presidente Collor, dois temas que também apareceram no ENEM e na UNICAMP.


Em resumo, ao contrário do ano passado, o vestibular 2012 foi feito para alunos brasileiros! Parabéns, FUVEST!!!!!






Bom, gostaria de aproveitar este post só para apontar uma curiosidade e defender a dedicação aos estudos e a atenção às provas.
Neste ano a questão 73 da prova V dizia:
“Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil.”
[Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil. São Paulo: Edusp, 1990, p. 230 (publicado originalmente em 1824). Adaptado.] 
Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos
a) do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul.
b) do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias.
c) da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América.
d) do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispanoamericana. e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.
e) da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.
Questão sem muito mistério, precisava ficar atento às datas para evitar confusões e lembrar que com a Abertura dos Portos, em 1808, e o Tratado de Comércio e Amizade com a Inglaterra, em 1810, o mercado brasileiro foi invadido pelos produtos da maior potência industrial e comercial da época, e aliada histórica de Portugal. Resposta C.

Agora, vejam esta questão, da 2a. Fase da FUVEST de 1993 e que eu já usei em provas da 2a. série do Ensino Médio:
"As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras SUPERFINO DE LONDRES saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmigham, podem ser obtidas nas lojas do Brasil a um preço um pouco mais alto do que em nossa terra."

Esta descrição das lojas do Rio de Janeiro foi feita por Mary Graham, uma inglesa que veio ao Brasil em 1821.
a) Como se explica a grande quantidade de produtos ingleses à venda no Brasil desde 1808, e sobretudo depois de 1810?
b) Quais os privilégios que os produtos ingleses tinham nas alfândegas brasileiras?
Oh!!! Mas é o mesmo texto e a mesma questão? Sim, senhores! Só a questão B é que pedia para nomear as vantagens alfandegárias da Inglaterra que chegavam a ser maiores que às oferecidas aos produtos portugueses.
'Bora estudar, rapaziada!

Para quem não viu a prova, clique AQUI.
Gabarito oficial, clique AQUI.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Valeu a tentativa?

Todo bimestre é a mesma coisa, tem sempre alguém tentando... só nunca ouvi falar que deu certo!


Do Deixando o Ócio visto no Jacaré Banguela.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Domingo é dia de...



Domingo é dia de FUVEST!!
Como você já teve oportunidade de errar nos outros vestibulares, agora não tem mais desculpa. Na dúvida, verifique logo abaixo se não está esquecendo nada:

  • Local da prova AQUI
  • Documento de Identidade (RG)
  • Caneta esferográfica (azul ou preta)
  • Lápis nº 2 
  • Borracha
  • Chegar até 12:30


Não levar celular!! 


Boa sorte!