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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os imigrantes, São Paulo e você

Na primeira semana de aula o que sempre chama minha atenção são os nomes dos alunos. Na verdade, os sobrenomes. Por mais que eu considere que se exagera um pouco a raiz imigrante de São Paulo, é fato que muitas das famílias paulistanas são alienígenas, como se dizia muito antigamente. E isso é ainda mais marcante no Ipiranga.
Então, me lembrei que há alguns meses o Museu da Imigração do Estado de São Paulo lançou seu novo site com parte do seu acervo digitalizado: fotografias, jornais, mapas e os Registros de Matrícula. Esses registros contém os nomes de todos os imigrantes que passaram pela Hospedaria, vindos de Santos, antes de seguirem para alguma fazenda no interior do Estado ou se mudarem para alguma casa na cidade.


Nem todo imigrante passou pela Hospedaria, mas se sua família entrou por Santos na virada do século XIX para o XX há uma grande chance de achar o nome de um bisavô ou parente nesses registros.
Vale um passeio.




P.S. Antes que digam que estou forçando a mão, vejam o dicionário:
Alienígena: 1. que ou quem é natural de outro país; estrangeiro, forasteiro 2. Derivação: sentido figurado. Que ou o que pertence a outros mundos


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Humor na República

Ok, sei que a Proclamação da República foi comemorada ontem, mas só vi esta tirinha hoje no Jacaré Banguela.
Apesar do atraso a piada continua valendo.


Por Will Tirando

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Representações alegóricas

A cada dia somos mais visuais. Nos comunicamos por meio de imagens, estáticas ou em movimento, transmitimos ou lemos mensagens sem qualquer escrito. Cores, formatos, dimensões, expressões corporais ou gestos, tudo pode ter significado. Cabe a cada um saber ler esses códigos dentro do que cada cultura oferece. Esses códigos possuem também uma face temporal, o que nossos avós entendiam como óbvio não necessariamente nos dizem alguma coisa hoje.
Hoje, em aula, um aluno da 2a. série me perguntou o que era uma alegoria. A resposta não é tão complexa, trata-se de uma representação concreta de uma ideia abstrata. Não pareceu tão simples? Qualquer representação de uma ideia, sem corpo ou forma, em uma imagem (visual ou verbal) é considerada uma alegoria.
Como exemplo aproveito a proximidade com o 15 de novembro: a alegoria da República.


Esta aí em cima é a República Brasileira, recém-nascida, na verdade. Inspierada no republicanismo francês, nossa república resgata a personificação tradicional da "Marianne" nome da jovem destemida que venceu o Absolutismo em defesa do povo e da nação. Na prática, Marianne é república e mãe-pátria ao mesmo tempo.
Reparem que todo o parágrafo anterior é alegórico. A "moça" Marianne só existe enquanto imagem, sempre de vestido longo e barrete frígio sobre a cabeça. Ela nunca foi a luta contra um fulano chamado Absolutismo, mas metafóricamente este seria o combate da Revolução Francesa.
No caso brasileiro, a jovem (e armada) República supera a velha Monarquia. Na imagem acima, o último primeiro-ministro de D. Pedro II, o Visconde de Ouro Preto, ajoelha-se e entrega, rendido, a coroa para o novo regime que se inicia. Ao fundo, vê-se a cena da Proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca na Praça da Aclamação (hoje Praça da República) no Rio de Janeiro.
Toda a mensagem apenas com um desenho: isto é alegoria!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sugestão de leitura: o início da República

Dia 15 de novembro, feriado da Proclamação da República, está chegando, assim como a prova bimestral da 2a. série. Unindo o útil ao agradável (!?) escolhi um interessante artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional como leitura de aprofundamento.
Para o pessoal da 2a. série a sugestão é ainda mais recomendável, afinal, nossa prova no dia 16 tem como um dos conteúdos obrigatórios justamente o tema do texto abaixo...


O pecado original da RepúblicaComo a exclusão do povo marcou a vida política do país até os dias de hoje
José Murilo de Carvalho (professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autor de "A cidadania no Brasil: o longo caminho").

Ano de 1889: cem anos da Revolução Francesa. A corrente jacobina dos republicanos brasileiros julgava ser essa a ocasião ideal para a proclamação de nossa República, que deveria, segundo ela, ser feita revolucionariamente pelo povo lutando nas ruas e nas barricadas. O principal porta-voz dessa corrente, Silva Jardim, pregava abertamente o fuzilamento do conde d’Eu, o marido da princesa Isabel. Sendo o conde um nobre francês, seu eventual fuzilamento daria à revolução brasileira um sabor especial, pois lembraria a morte na guilhotina do rei Luís XVI.
Um ponto central da propaganda republicana era a idéia de autogoverno, do povo governando a si mesmo, do país se autodirigindo, sem necessidade de uma família real de origem européia e de um imperador hereditário. Das três correntes principais da propaganda, a jacobina era a que atribuía maior protagonismo ao povo.
A corrente mais forte era a liberal-federalista, de derivação anglo-americana. O liberalismo vinha do lado anglo, da Inglaterra; o federalismo, do lado norte-americano. O liberalismo predominou no Manifesto Republicano de 1870, mais bem representado por Saldanha Marinho, e o federalismo, no projeto de constituição dos republicanos paulistas de 1873, cujo representante mais influente era Campos Sales. Por sua ascendência liberal, oriunda dos liberais do Império, ela admitia participação popular, embora sem lhe atribuir o primeiro plano, como faziam os jacobinos. Pelo lado federalista, no entanto, não havia muita simpatia pelo povo. Interessava-lhe, sobretudo, o autogoverno estadual a ser conquistado pelo federalismo.
(CONTINUA)

terça-feira, 28 de junho de 2011

O café, uma cidade e seu teatro

 Na virada do século XX, São Paulo era uma cidade em crescimento acelerado, mas ainda assim longe de ser uma metrópole. A capital da República, Rio de Janeiro, era de fato uma cidade muito mais populosa e... cosmopolita. Capital e sede da Corte desde a chegada a Família Real Portuguesa em 1808, o Rio era a porta de entrada de legações diplomáticas e produtos estrangeiros, uma conexão direta com a Europa. Esta “vocação” continuou com a República, apesar da descentralização que vinha ocorrendo. Não por acaso via-se no Rio a chamada belle époque tropical: moda, literatura, companhias de teatro e ópera vindas Europa tinham acolhida certa.
Se o Rio de Janeiro havia abrigado a monarquia, em São Paulo vivia outro rei – o café – e este tinha muito mais poder. Metáforas à parte, o poderio econômico do estado de São Paulo era fruto da crescente produção e preços favoráveis do café no mercado internacional, o que concedia aos paulistas uma proeminência política ímpar. Feito o golpe (com auxílio dos militares) a Primeira República seria inevitavelmente a dos cafeicultores.
Viaduto do Chá, 1929
A florescente “cidade do café”, capital financeira de todo o complexo cafeeiro do interior do estado e que iniciava um processo de industrialização, necessitava de certos aparelhos urbanos que condissessem com a riqueza de seus mandatários, ou ainda, os ricos cafeicultores precisavam de uma cidade coerente com a imagem que eles tinham de si próprios. Ou seja, era urgente a transformação daquela cidade de cerca de 240 mil habitantes em uma metrópole de verdade. Entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do XX, São Paulo passou por profundas transformações urbanas: linhas de bonde, obras de saneamento, alargamento de ruas dando lugar a avenidas, criação de novos bairros, edifícios públicos, comerciais, residenciais (todos ostentando certa monumentalidade) tomaram conta da paisagem da cidade.
Vista do Vale do Anhangabaú com Teatro Municipal à direita, 1920
É neste contexto que veríamos a construção de um dos cartões postais da cidade (à época e ainda hoje): o Teatro Municipal. São Paulo possuía teatros, um tanto acanhados, é verdade, mas o Novo Teatro São José era bem maior que os demais. No entanto, não havia um capaz de abrigar concertos de ópera e música erudita, nem tampouco espelhar o requinte que a elite paulistana esperava exibir. Desse modo, em 1903 começou-se a construir o que seria o Teatro Municipal, na mesma colina onde antes ficava o São José. O projeto e desenho de Claudio e Domiziano Rossi foram executados pelo escritório do renomado engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo, o construtor predileto dos barões do café. Em estilo eclético e inspirado na ópera de Paris, o Theatro (como então se grafava) ocupava o alto de uma das áreas de lazer mais concorridas da época, o Vale do Anhangabaú, no coração da cidade.
A inauguração ocorreu em 1911, há exatos 100, e inscreveu São Paulo no circuito das companhias europeias de ópera. No entanto, o maior espetáculo recebido pelo Teatro Municipal pretendia justamente romper com o tradicionalismo e com as eternas referências à Europa: a Semana de Arte Moderna de 1922. No mesmo ano se comemorou o centenário da Independência do Brasil com festa também em São Paulo, mas mais ao sul da cidade, no Museu do Ipiranga. Esta não pretendia romper com nada, pelo contrário, pretendia-se reforçar o caráter fundador de São Paulo na formação do Brasil, como quem diz “a cidade do café é também o berço do Brasil”. Uma bela construção! Seja nesta festa mais tradicional, seja na semana que se pretendia vanguardista, a elite ligada ao café parecia comemorar seu vigor econômico, político e cultural. E eles nem imaginavam que ao fim daquela década veriam a derrocada dos preços do café e uma sutil, mas significativa, mudança de rumos na política nacional. No entanto, seus monumentos ainda persistem, a memória que construíram de si continua de pé, presente.



Resta ainda um aviso a fazer: a história dos sucessos da oligarquia do café construída por ela mesma não é a História do Brasil República, e nem mesmo a História de São Paulo.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Uma ferramenta útil

A disputa por leitores e a construção de uma imagem criativa faz com que os jornais tentem sempre apresentar novidades. Por conta das recentes eleições acabou surgindo uma série de infográficos interessantes nos grandes jornais brasileiros. O Estado de S. Paulo, por exemplo, lançou um tipo de "painel presidencial" que, até o momento, ainda está em construção.

Imagem do painel: charge e links temáricos

A proposta é montar uma linha do tempo que contemple de modo resumido toda a história da República brasileira, presidente a presidente. Ou seja, começando com Deodoro da Fonseca e terminando em Dilma Roussef. Está longe de ser algo profundo e detalhado, mas pinta um cenário interessante. Vamos ver quando chegarem no período da Ditadura Militar ou nos presidentes mais recentes... há sempre mais polêmica de 1964 para cá.
Para ver o painel clique AQUI.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Revolta da Chibata

Há algum tempo eu postei aqui o link para uma exposição virtual montada pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP) a respeito da Revolução de 1924 em São Paulo. Agora a mesma instituição disponibilizou o resultado de suas pesquisas sobre a Revolta da Chibata de 1910.
Além de completar 100 anos agora a Revolta reúne inúmeras temáticas interessantes: foi um movimento de marinheiros contra os castigos físicos dentro da Marinha, criticava a jovem República ao acusá-la de não modernizar a sociedade como havia proposto e tinha como liderança um marinheiro negro chamado João Cândido.
Vale a pena dar uma olhada nas 9 "salas" que o APESP organizou reunindo fotografias, artigos de jornais e revistas da época, textos originais, etc.

Clique AQUI.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ah, a internet...

A internet acaba oferecendo algumas coisas curiosas. O Wallace acabou de me enviar um video do youtube com uma daquelas músicas que o Marcelo Adnet faz na MTV. O cara é bom, mas o tema escolhido é espinhudo. Numa proposta insana, Adnet decidiu fazer um RAP (?) com todos os presidentes do Brasil. As informações não estão erradas e o encadeamento está até mais detalhado do que se espera para 7min20s de música. Afinal, eu preciso de quase 2 bimestres para dar conta de tudo isso!
Porém, na internet tudo pode sofrer mudanças e a música do Adnet ganhou imagens de algum blogueiro. Infelizmente a colagem de imagens não é grande coisa e há imagens anacrônicas, ou seja, de períodos que não correspondem ao cantado. No mais, vale a diversão.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Exposição Virtual

O tempo que temos na escola é sempre curto para tantos conteúdos diferentes. E isso não é só para o caso de História! Mas, verdade seja dita, sempre há pouco tempo ou espaço para abordarmos todo o universo do conhecimento. Os próprios museus serão sempre poucos para expor seus documentos e objetos. O Museu do Ipiranga, por exemplo, tem cerca de 80% de seu acervo guardado.
O Arquivo Público do Estado de São Paulo resolveu contornar este problema. Além de não possuir um espaço expositivo (arquivo guarda, museu expõe), seu acervo é simplesmente gigantesco. A alternativa foi criar uma exposição virtual com cartas, documentos oficiais, fotos, a respeito da Revolução de 1924, ocorrida aqui em São Paulo.
Pouco conhecido, este movimento armado foi comentado (mas não aprofundado!) no final do segundo bimestre com a 3a. série ao falarmos do movimento tenentista e do descontentamento com a República Oligárquica.
Não é perfeito, mas é uma boa oportunidade para ler (e ver) mais sobre o assunto sem sair de casa.


Clique AQUI.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

República Federativa do Brasil

Uma das mais significativas mudanças políticas que o Brasil sofreu na mudança do regime monárquico para o republicano foi a adoção do chamado sistema federativo. Estabelecido na Constituição de 1891, este sistema tinha inspiração estadunidense e figurava entre as reivindicações de parte dos republicanos brasileiros. Apesar de ter sofrido algumas adaptações ao longo de nossa história republicana, ainda vivemos sob o federalismo: não por acaso vivemos na República Federativa do Brasil.

As transformações econômicas e sociais que se processaram durante a segunda metade do século XIX acarretaram o aparecimento de uma série de aspirações novas provocando numerosos conflitos. Os meios industriais pleiteavam uma política protecionista, nem sempre aprovada pela lavoura tradicional. Os fazendeiros do Oeste paulista almejavam uma política favorável à imigração. Já os senhores de engenho ou fazendeiros de áreas tradicionais, que ainda dispunham de numerosos escravos, eram contrários a essa orientação preferindo estimular a criação de núcleos coloniais. Alguns grupos urbanos não comprometidos com o sistema escravista empenhavam-se na abolição e pleiteavam maior representação na vida política do país, exigindo a substituição do sistema de eleições indiretas que propiciava a preponderância dos grupos tradicionais pela eleição direta. (...) Havia ainda problemas decorrentes da penetração do capitalismo internacional em vários setores tais como redes ferroviárias, gás, iluminação de rua, instalação de engenhos centrais, criação de Bancos, (...) que eram monopolizadas por estrangeiros.
Face a tantas contradições a solução parecia estar no sistema federativo. A excessiva centralização que caracterizava a administração imperial desgostava uma parcela da opinião pública que considerava tal sistema um entrave ao desenvolvimento do país e à solução dos problemas mais urgentes.
(Emilia Viotti da Costa. Da Monarquia à República: momentos decisivos. P. 309)
Questão proposta aos alunos da 3ª série:
Com base no texto e em seus conhecimentos explique o significado de sistema federativo, plataforma política dos republicanos, e porque ele era defendido.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Exercícios

Nada como um treininho vez ou outra. Para vocês passarem o tempo algumas questões de vestibulares antigos, todos dentro do tema "República Velha".
Vale a regra de sempre, correção só para quem tentar responder nos comentários. E fica a dica: leiam o livro e façam os testes como estudo de verdade.
Se algum conteúdo não ficou claro ou ainda não foi tratado em sala, me procure.

1. "Por ora a cor do governo é puramente militar e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava." (Aristides Lobo. "Diário Popular". Rio de Janeiro, 15/11/1889.)

"O Brasil não tem povo."
(Louis Couty. Apud: José Murilo de Carvalho. Os bestializados.)


Tomando como referência as citações acima e a relação delas com o contexto social e político após a Proclamação da República no Brasil, pode-se afirmar que:

I - o comentário de Aristides Lobo refere-se ao caráter elitista da proclamação, realizada por militares com o apoio das oligarquias cafeeiras, transformando a população civil em meros espectadores.
II - a fala de Louis Couty, partidário da ala revolucionária dos republicanos, refere-se ao processo de exclusão social, instaurado a partir da proclamação e consolidado pelos republicanos jacobinos na montagem do Governo Provisório, na chamada República da Espada.
III - a participação popular nas decisões políticas concretizou-se a partir da promulgação da Constituição de 1891, com a qual criava-se uma República Federativa de cunho regionalista e ampliava-se o direito de voto, tornando-o universal e secreto.
IV - a mentalidade positivista assumida pelos oficiais do exército, em defesa da modernização a ser promovida pela República, tinha como perspectiva a instalação de um regime que superasse o "atraso" mantido pelo Império e promovesse a "ordem" para viabilizar o "progresso" capitalista.

Assinale a alternativa que contém somente afirmações corretas.
a) II e III

b) I e IV

c) I e II

d) II e IV

e) I e III


2. "Voto de cabresto", "curral eleitoral", "eleição a bico de pena", "juiz nosso", "delegado nosso", "capangas" e "apadrinhamento" são expressões que lembram em nosso país o:

a) liberalismo.

b) totalitarismo.

c) messianismo.

d) coronelismo.

e) comunismo.


3. Do "Convênio de Taubaté", em 1906, decorreu uma política de:

a) incentivo à policultura, para atender aos interes¬ses dos pequenos proprietários.

b) valorização do café, com a intervenção direta do Estado na economia cafeeira.

c) controle da produção açucareira pelas limitações do mercado consumidor.

d) estímulo à produção cafeeira no Vale do Paraíba e no sul de Minas Gerais.

e) reestruturação da economia paulista, sem a inter¬venção governamental