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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Definição não definitiva

Deve ser possível montar uma biblioteca apenas com as discussões e definições sobre a história, seus objetos e objetivos, métodos, etc. E eu, definitivamente, não pretendo entrar nestes debates aqui. Mas gostei da não-definição abaixo:
"A história não é como um trem que segue seu percurso dentro dos trilhos de nossas intenções e nem obedece as horas marcadas de nossas esperanças."
(Frei Betto, Batismo de Sangue.)

Se não é precisa ao menos é poética e nos põe a pensar...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Novas perspectivas?

A educação, em seu sentido amplo, é um bem entendido como universal pela sociedade contemporânea de modo que, numa sociedade democrática, todos se sintam no direito de opinar sobre o que deve ou deveria ser feito. E assim é de fato. Todos podem e devem opinar, pois defender e investir em educação trará sempre benefícios enormes para todos.
No entanto, este direito de falar não é garantia de qualidade. Digamos que este é mais um efeito colateral da democracia, temos que conviver não só com as opiniões contrárias às nossas, como também precisamos superar algumas surpresas.
Por exemplo, li a notícia abaixo:

Ensino médio não prepara aluno para o mercado, diz empresário

Minha leitura por palavra-chave identificou na mesma frase "Ensino Médio", "mercado" e "empresário". Na hora achei que deveria ler, afinal uma combinação dessas promete muitas emoções.
A declaração foi dada por ocasião da Sala Mundo Curitiba 2011, envento que reúne educadores de vários países. O empresário em questão é Marcos Magalhães, ex-presidente da Philips para o Brasil e a América Latina e atual presidente do Instituto de Co-responsabilidade pela Educação (ICE) que além do comentário da manchete afirmou que:
"Temos de repensar a grade", disse. Para ele, só deveriam ser obrigatórias as disciplinas de língua portuguesa, idiomas, matemática, física, química e biologia. História e geografia, por outro lado, deveriam ser eletivas. "Hoje o aluno que vai prestar vestibular para Engenharia perde tempo estudando filosofia. Se ele achar essa matéria importante, deveria ter a opção de cursá-la, não a obrigação."
Não nego que repensar o currículo é uma necessidade constante. O mundo muda e a escola não pode se manter com a mesma grade de 50 anos atrás. No entanto, a impressão que tenho é que o empresário espera transferir para as escolas um caráter formativo que não cabe a elas. É objetivo do Ensino Médio formar para o mercado? Alguém sai do EM profissionalizado? Este não é o papel dos cursos superiores ou técnicos?
Eu gostei particularmente da parte em que ele diz que um aluno que presta engenharia perde tempo estudando filosofia. Imagino também que alguém que vá prestar jornalismo estaria perdendo tempo estudando biologia. Estamos voltando a defender formações parciais? A quem cabe estudar o que, com quantos anos o aluno deve decidir o que estudar, que tipo de aluno vai estudar cada matéria...
Sou plenamente favorável a disciplinas eletivas ou optativas na escola, mas sem que isso implique em diminuir o básico. O ensino integral é uma necessidade cada vez mais urgente, mas penso que o ideal seria preencher o restante do dia com aprofundamentos, aí sim, optativos dentre um leque de alternativas.
Para encerrar, um último comentário. Engenheiro que estudou filosofia, história, geografia não perdeu tempo. Afinal, antes de ser engenheiro espera-se que o sujeito seja cidadão e consciente do mundo no qual vive. Do contrário, a escola deste empresário formará indivíduos semi-alienados, seres parciais treinados apenas para um tipo de compreensão da sociedade em que vivemos.

Para pensar

O Krisman, ex-aluno que vez ou outra aparece por aqui (e é muito bem vindo, como todos!), me recomendou um artista dizendo que achou algumas críticas interessantes. Como ele sabia que eu iria postar aqui o e-mail veio com um link.
O artista em questão é o ilustrador e artista gráfico polonês Paul Kuczynski nascido em 1976. Seus desenhos possuem um quê de humor, mas puxam para a sátira da sociedade, política, cultura. Não espere gargalhadas, mas um riso amarelo e incômodo de quem acabou de ser supreendido por alguma obviedade que você nunca quis ver. Ou seja, é um murro no estômago atrás do outro.
Eu resolvi fazer uma seleção bem pessoal e acrescentar legendas. Sim, eu sei que isso não é nada demais.

Uma parceria antiga e talvez eterna.

"Nós matamos o tempo. E o tempo nos enterra" (Machado de Assis)

Recentemente a FAO publicou um estudo onde revela que cerca de um terço de todos os alimentos produzidos por ano no mundo são desperdiçados. O estudo foi elaborado entre agosto de 2010 e janeiro de 2011 e aponta que estão sendo desperdiçados 1,3 bilhões de toneladas de alimentos por ano. De acordo com o relatório tanto em países industrializados como os emergentes desperdiçam 670 e 630 milhões de toneladas por ano, respectivamente.

Ter ou não ter, um dilema contemporâneo

Independente da real gravidade da situação, a maquiagem é a alternativa.

"Certas coisas vêm de berço" (a frase é sem autor, mas há inúmeros repetidores)


Fica a sugestão:
Tem muito mais AQUI e AQUI.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O olhar filosófico e científico

Compreender o mundo, a sociedade, a história, não é atividade simples. Qualquer olhada superficial pode nos oferecer uma ideia senão errada ao menos incompleta, parcial. Desde os socráticos depois reformulado pela "ciência" como nós entendemos hoje: a saída é o olhar filosófico. Ou, metaforicamente, a formulação de Ignácio de Loyola Brandão, escritor brasileiro contemporâneo:
"O grande rio visto do alto parece longo, sinuoso, você avista curvas, rochas, corredeiras, a sensação é de calma. Só que não fica sabendo de coisas importantíssimas: a profundidade, densidade das águas, a temperatura, força da correnteza, a velocidade da água. Aquilo que faz o verdadeiro rio."
(Ignácio de Loyola Brandão. O verde violentou o muro. 8.ed. P. 203)
 Se não chega a ser original, ao menos é claro!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Uma troca de e-mails

Os e-mails abaixo são reais. Minha esposa me escreveu o primeiro e na sequência lê-se a minha resposta.
de: "minha esposa"
para: "mim"
data: 20 de junho de 2011 16:14
assunto: Corte os pulsos

Cena: na sala de espera, ao lado da secretária. Vejo que ela preenche uma apostila e pergunto se voltou a estudar.
Resposta: o filho se machucou e ficou de licença. Ao invés de perder o bimestre a escola deu vários cadernos de exercício das matérias para ele entregar valendo nota.
Desfecho: a mãe está resolvendo as questões pro menino colando de um site onde, aparentemente, consta o gabarito.
E aí, professor, isso pode?


de: "eu mesmo"
para: "minha esposa"
data: 20 de junho de 2011 18:34
assunto: Re: Corte os pulsos

Não me conta essas coisas, não. Dá uma tristeza... Se a estrutura for coerente ele não perde o bimestre, mas perde o ano, afinal não aprendeu nada. O filhão, de todo modo, vai aprender muita coisa: aprendeu que a vida é mole porque a mamãe resolve, aprendeu que a escola não serve pra nada, aprendeu que ser vagal ainda vale a pena, entre outras coisas.
Parabéns mamãe, que valoriza a educação do filho. E parabéns meninão, que depois vai reclamar que o ensino que teve foi fraco.

Beijo do professor levemente deprimido


É isso. Acha que a qualidade do ensino depende só do Governo ou só da Escola? E a sua responsabilidade, meu caro, onde está?

sábado, 18 de junho de 2011

Mais uma verdade inconveniente

Eu adoro o trabalho do Laerte, apesar de achar que nem sempre ele acerta a mão nas tirinhas da Folha. Mas em geral sua crítica social e política é algo bem próximo da genialidade. Sem muita firula e com um traço limpo ele vai fundo na questão e gera aquele desconforto, típico de quem conseguiu o que queria.
Este cartum saiu na edição de hoje da Folha de S. Paulo no caderno Ilustrada, no qual aos sábados o cartunista publica a coluna Laertevisão.

Pense nisso!


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Geração T?


Medo!
O pessoal de Recursos Humanos, os recrutadores de profissionais e os psicólogos que trabalham com seleção de funcionários adoram definir os perfis das gerações. Tem a geração BB, X, Y, Z, 00, e sei lá mais o que. Para entenderem melhor, um exemplo tirado da Folha de S. Paulo, de 28 de fevereiro de 2010:
Um jovem que estudou nas melhores escolas, aprendeu idiomas, teve experiências no exterior, é inteligente, criativo e conectado e tem disposição para trabalhar duro e inovar ostenta um currículo que parece ser o sonho dos selecionadores das empresas.
Não necessariamente. Esse mesmo perfil pode virar um pesadelo para os gestores que logo identificam a geração Y --leva dos nascidos entre 1980 e 1990, que reúne características como agilidade, autodidatismo tecnológico e criatividade.
Isso porque esses "nativos digitais" demandam muito de seus superiores, não temem atropelar processos e, principalmente, não pensam duas vezes antes de trocar a empresa que investiu em seu treinamento por uma que pague melhor ou outra que ainda não existe: a que vão criar.
Assim, os gestores tendem a ficar alertas para o perfil Y excessivo: aquele que, apesar de reunir o currículo ideal, não tem paciência para os ritos da cultura corporativa, como esperar por uma promoção.
(In: André Lobato. "Jovens imediatistas assustam gestores na hora da contratação". Folha de S. Paulo, 28.02.2010)
Eu já achava este cenário bem preocupante, quando, então, li o artigo/coluna/post de Luciano Pires no Cultura News.
O escritor diz emprestar um novo "rótulo" cunhado por um amigo - a geração T - mas com uma novidade, não depende de uma data de nascimento, pois se trata mais de uma postura que de um reflexo da época. O "T" é de testemunha - “Sou testemunha de tudo, mas não tenho opinião sobre nada.” - e o texto, muito leve e divertido (ainda que sério!), vale uma leitura. Depois, cada um faça sua reflexão e veja se o rótulo lhe serve, ou pior, se lhe fica confortável!

A "geração T" sabe tudo que acontece, mas permanece incapaz de analisar, comparar e julgar
Por Luciano Pires
Meu amigo Patrick é francês e vive no Brasil há anos. Tem uma visão crítica da forma de ser do brasileiro em comparação a outros povos, especialmente os europeus. E eu me divirto com ele. Recentemente, presente a um desses eventos badalados que tratam de redes sociais, ele me ligou para descrever o público. Jovens, muito jovens, com seus iPads e iPhones, tuitando furiosamente enquanto assistiam às palestras de dezenas de especialistas. Ao final da palestra, invariavelmente o apresentador dizia:
- Alguma pergunta?
Silêncio. Ninguém. Nada. E assim foi, de palestra em palestra. Ninguém nunca perguntava nada. O Patrick então disse que aquela era a geração T. Tê de testemunha: “Sou testemunha de tudo, mas não tenho opinião sobre nada.”
(CONTINUA)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Leituras do mundo contemporâneo

O cartunista argentino Quino está certamente entre os mais importantes artistas do gênero da América Latina. Com sua visão crítica do mundo contemporâneo e a predileção por temas sociais e políticos, Quino se tornou famoso pela tirinha da Mafalda e seus amigos. Não por acaso a garotinha questionadora, que teve vida entre as décadas de 1960 e 1970, tornou-se frequente nos vestibulares brasileiros.
De tempos para cá Quino tem se mostrado mais cético e um tanto niilista para com os rumos da sociedade atual. Ainda assim, vale a pena pensarmos a partir de seus questionamentos.







quinta-feira, 5 de maio de 2011

Qual a educação que queremos?

Discutir o melhor modelo de educação é assunto que não acaba mais. E não importa se entre professores ou pessoas nem tão da área assim. O que eu não vejo é estudante falando sobre o que espera da própria educação.
Esta semana saíram alguns resultados de discussões que estavam em andamento há algum tempo a respeito de mudanças na área: aumento de carga horária e possibilidade de criação de áreas dentro do ensino. Por ora são apenas indicativos, a prática vai demorar um pouquinho ainda, de modo que nenhum dos meus atuais alunos verão as mudanças, ao meu ver, positivas.
O aumento da carga horária (aproximadamente uma hora a mais por dia), é sonho antigo dos educadores, especialmente dos que atuam no ensino público. Parte das escolas privadas já possuem uma grade extendida, porém o paraíso será o período integral. Claro que não um dia inteiro de sala de aula tradicional, porém é difícil negar os benefícios de uma educação mais ampla e que contemple um desenvolvimento mais plural do estudante.
O outro ponto em questão é a flexibilização dos currículos. Primeiramente, pretende-se permitir que o Ensino Médio tenha mais de 3 anos, o que seria ótimo para o ensino noturno que acaba espremido por causa da legislação atual. A outra parte da proposta é permitir que as escolas montem um programa pedagógico mais flexível e que o aluno possa optar por uma entre quatro áreas de atuação: ciência, tecnologia, cultura e trabalho (?). É clara (e interessante) a relação com os cursos técnicos e a constatação de que a formação dos trabalhadores brasileiros como um todo é falha. Mas também fica evidente a preocupação com a construção de uma escola mais "democrática" e adequada aos estudantes atuais.
Seria também louvável se essa revisão das diretrizes para o Ensino Médio de algum modo estimulasse a reflexão sobre os vestibulares e o entendedimento da formação universitária. Ao meu ver, devido a falhas da formação do Ensino Médio e do desenvolvimento do mercado de trabalho brasileiro criou-se a "mania" (por falta de palavra melhor) de considerar que a única formação válida é a universitária. Por consequência, todo o ensino ficou voltado para os vestibulares: estuda-se para passar no vestibular e não para aprender algo consistente. Mas só precisamos de profissionais diplomados?
Por fim, vejo aí um efeito colateral curioso. Pensando em meus alunos que sofrem para escolher uma carreira no vestibular, como seria ter de escolher uma área de "concentração" já no começo do Ensino Médio? Acredito que todos sejam capazes de tomar uma decisão desse porte, só vamos ter de abandonar aquele ritmo "quando chegar na 3a. série eu decido (ou começo a me preocupar)...".
Será que os estudante conseguirão pensar a educação como algo de seu interesse e não só como desejo de seus pais?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ecotudo

Por mais que a ecologia não seja uma bandeira ainda tão forte por aqui como é na França, na Alemanha e em outros países europeus, as pessoas já falam abusando do eco- alguma coisa. O Brasil definitivamente incorporou o discurso ecológico, mas infelizmente pouco se faz de efetivo no sentido de alcançar uma prática ecológica. Imagino que quase toda criança sabe dizer o que é "biodegradável", ou o que significa "reciclagem", e em breve o mesmo acontecerá com o termo "sustentabilidade" (atual vedete da publicidade!).
É bem comum confundir-se a incrível taxa de reciclagem das latinhas de alumínio com consciência ecológica. Neste caso em especial não se modificou nada, as latinhas só são recicladas porque representam uma possibilidade de renda para muitas famílias, não representando uma opção por uma forma de consumo mais sustentável.
O que poucas pessoas (considerando o universo cotidiano e não os estudiosos e ativistas) visualizam é que o tal "desenvolvimento sustentável" ou a "consciência ecológica" implicam em profunda modificação em nosso modo de vida. Para alguns seria uma autêntica revolução, pois questionaria toda a lógica liberal capitalista em que vivemos ao menos desde o século XIX.
Vejam o trecho de um interessante artigo de Cândido Grzybowski:
Aqui e agora precisamos transformar nossos ideais, modos de pensar e os sistemas políticos, econômicos e técnicos que sustentam o desenvolvimento. A ruptura tem de ser total, de ponta-cabeça. Passar de uma civilização industrial e produtivista para uma biocivilização, comprometida com a vida no planeta, implica verdadeira revolução.
A ruptura é espinhosa. O desenvolvimento está incrustado na gente, é um valor. Desenvolvimento lembra imediatamente progresso. E quem não quer progresso? O problema é que deixamos de discutir a qualidade de vida que nos traz o progresso.
Quanto de lixo, poluição e destruição estão associados a esse progresso?
Basta lembrar o carro, um dos protótipos atuais do modelo de desenvolvimento. As nossas cidades são desenhadas para eles e não para nós, cidadãs e cidadãos. E, no entanto, quase não andamos, por conta dos monumentais engarrafamentos.
Será que para viver bem precisamos sempre de mais? Ter mais e mais bens, trocados sempre porque estragam logo (feitos para não durar) ou pela compulsão, que o ideal nos impõe, de adquirir o último modelo. Isso só gera destruição em todo ciclo, da extração das matérias-primas ao lixão onde jogamos os bens em desuso. Já paramos para pensar quem está ganhando nessa história? (Grzybowski, Cândido. "Mudar mentalidades e práticas: um imperativo". In: Le Monde Diplomatique, 02.10.2009)
 Para o autor trata-se de recriar a atual civilização em novas bases ou, do contrário, nos "consumiremos". Mesmo segundo os menos "revolucionários", a única saída seria uma mudança radical nos nossos padrões culturais.
Numa leitura ingênua poderíamos nos perguntar mais uma vez a respeito dos 3 Rs do desenvolvimento sustentável: reduzir, reciclar e reutilizar. Como é possível reduzir e reutilizar se a cada minuto somos incentivados a consumir mais, a comprar mais, sempre em busca do mais novo, do mais moderno, do último lançamento?
Não por acaso o Colégio tem estimulado constantes reflexões desde as séries iniciais da escola e este ano voltaremos a trabalhar a temática em um projeto interdisciplinar com as 2as. séries do Ensino Médio.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Qual a real dimensão?

Não poderia deixar de comentar, mas ao mesmo tempo não é um assunto que me motive grandes reflexões. Talvez seja o esgotamento do tema. Ouço a palavra "terrorismo" e imediatamente surgem na minha cabeça duas imagens: ou uma explosão suicida ou um ataque militar em nome de uma guerra ao terror. E em ambos os caso a morte de inocentes é um brinde obrigatório.
Então hoje olhei as notícias na internet e dei de cara com a morte do Bin Laden. Sendo sincero, beeem sincero, primeiramente duvidei para logo depois dizer "e daí?". É claro que tem importância, mas no momento não sei dizer qual a real dimensão para nós, aqui no Brasil, da execução deste assassino.
Entretanto, uma coisa me deixou bem impressionado. As fotos da população estadunidense comemorando nas ruas. Não sinto pela morte de Bin Laden, mas me causa algo estranho brindar à morte, agradecer à deus e entoar gritos de alegria e alívio...

(P.S.: Não coloquei nenhuma das fotos que circulam por aí para não ferir os direitos autorais dos jornais...)


Leia+
Não deixe de ler a coluna Janela para o mundo de Clóvis Rossi: A morte não mata o discurso

sábado, 2 de abril de 2011

Eu tento mudar de assunto...

Eu juro que eu tento mudar de assunto, não voltar a discutir o racismo, mas... a sociedade brasileira não deixa! Para quem acha que não há racismo no Brasil temos Jair Bolsonaro, Deputado Federal pelo PP do Rio de Janeiro em uma entrevista horripilante no CQC.



Set list da entrevista:
  • Saudade da Ditadura
  • Na Ditadura não havia corrupção
  • Na Ditadura havia respeito e valorizava-se a família
  • Ter Bomba Atômica é legal
  • Homossexualismo é questão de educação e pais ausentes
  • Namorar uma mulher negra é questão de promiscuidade
Ou seja, um belo compêndio de reacionarismo, chauvinismo, machismo, homofobia, racismo e... cara de pau, muuuuuita cara de pau!!!

Vejam a pequena repercussão dessa entrevista:
Presidente da OAB diz que Bolsonaro violou a Constituição
Mobilizações contra Bolsonaro crescem na internet
ABGLT entra com representação contra Bolsonaro na Procuradoria
Declarações de Bolsonaro são ‘caso explícito’ de racismo, diz ministra da Igualdade Racial


Além de discutirmos o racismo brasileiro podemos aproveitar a oportunidade para pensar os limites da liberdade de expressão. Alguém topa?





P.S.: Chauvinismo - entusiasmo excessivo pelo que é nacional, e menosprezo sistemático pelo que é estrangeiro, entusiasmo intransigente por uma causa, atitude ou grupo.

Uma discussão inacabada

Eu e Sérgio, aluno da 3a. série, começamos uma discussão após uma aula há alguns dias a respeito da natureza do ser humano - naturalmente bom ou naturalmente mau - e a possibilidade de se construir algo melhor coletivamente. O debate, muito interessante, não se encerrou e também não pretendo retomá-lo aqui em detalhes, mas chamou minha atenção o fato de ele ter voltado à questão nos comentários do blog. Ele falou em envolvimento "lá e cá", citando um humorista que (se entendi corretamente) ironizava a comoção das pessoas em casos de catástrofes: "estou totalmente envolvido, eu cá e eles lá".
Entendo perfeitamente o limite de ação e as possibilidades que temos. Mas não consigo entender ou aceitar a passividade. O inconformismo ou qualquer outra emoção, mesmo que sem possibilidade de ação direta, é preferível ao mero olhar inerte.
E toda vez que penso nisso me vem à mente a passagem abaixo, de um sacerdote anglicano:
Nenhum homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um pequeno torrão carregado pelo mar deixa menor a Europa, como se todo um promontório fosse, ou a herdade de uma amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.

(John Donne)
Mas eu já havia quase me esquecido deste tema quando caiu em minhas mãos um texto em pleno Fórum Permanente de Professores (dos Colégios jesuítas). O autor é talvez o maior nome da educação brasileira e mundialmente reconhecido, Paulo Freire:
A primeira condição para que um ser possa assumir um ato comprometido está em ser capaz de agir e refletir. (...) É preciso que seja capaz de, estando no mundo, saber-se nele. (...) Somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de "distanciar-se" dele para ficar com ele; capaz de armirá-lo para, objetivando-o, transformá-lo e, transformando-o, saber-se tranformado pla própria criação; um ser que é e está sendo no tempo que é o seu, um ser histórico, somente este é capaz, por tudo isto, de comprometer-se".
(Paulo Freire)
Com o que você se compromete? Você se sente capaz de se comprometer? Ou ainda, você se vê parte da Humanidade e, por tanto, realmente humano?
Pensemos todos, uns cá e outros lá.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Linguagens e discursos


A Grande Onda de Kangawa

Recentemente uma charge do cartunista João Montanaro provocou uma polêmica inesperada. Em meio à comoção geral causada pela catástrofe no Japão, Montanaro fez uma releitura de uma tradicional xilogravura japonesa de 1830-33 do artista Hokusai.


A onda de Montanaro

Muitos leitores da Folha, jornal que publicou o cartum, se manifestaram acusando mal gosto ou insensibilidade por parte do artista. O jornal se manifestou em defesa de Montanaro buscando, inclusive, a opinião de outros cartunistas. Por fim, ficou patente dois tipos de desconhecimentos:

  1. Nem toda charge precisa ser cômica. Críticas sociais, culturais, religiosaas ou outra qualquer podem ocorrer por meio do drama sem qualquer inconveniente.
  2. As charges, como todo tipo de arte, trabalha a partir de referenciais. Se o leitor não domina os "códigos" a mensagem não alcançará o sucesso pretendido.
É este segundo aspecto que me interessa no momento. A charge a seguir foi publicada no Le Monde Diplomatique Brasil e é de autoria de Daniel Kondo.
Observem que o cartunista "exige" o conhecimento de ao menos duas referências. É fundamental que o eleitor localize no espaço e no tempo o estilo do desenho. Sem entender que se trata de reproduzir (de modo estilizado) uma inscrição egípcia do tempo dos faraós o leitor não saberá dizer qual o tema específico da charge e terá dificuldade em identificar o personagem que corre: Hosni Mubarak, o ditador recém deposto pela vontade popular.
Ironia, humor ou simplesmente sentido conotativo, sem o domínio da linguagem e das referências a interpretação e, logo, a comunicação serão apenas parciais.

Posto desse modo, faz mais sentido a insistência dos professores para que vocês ampliem seus horizontes culturais com leituras, cinema, música, etc?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Uma reflexão interessante

Vi no JB e gostei.



Uma observação. O autor do vídeo, Gustavo Horn, até onde me consta, ainda não terminou o Ensino Médio e faz um trabalho de primeira na internet: boa técnica e com conteúdo. Aliás, a produção dele é maior que de muito marmanjo "profissional".

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Para pensar

A globalização não provoca apenas um aumento da circulação de mercadorias. Ela trasnforma a maneira com a qual nós representamos o mundo, as suas possibilidades, as fronteiras, o espaço, o tempo: ela estrutura as imaginações.
Abdou Diouf, ex-presidente do Senegal

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Para ler e refletir

Da Folha de S. Paulo do dia 4 de outubro:

Escolas e colegas são hostis a alunos e alunas homossexuais, aponta pesquisa
As escolas brasileiras são hostis aos homossexuais e o tema da sexualidade continua sendo pouco discutido nas salas de aula. Essas são as principais constatações da pesquisa Homofobia nas Escolas, realizada em 11 capitais brasileiras pela organização não governamental Reprolatina, com apoio do Ministério da Educação.
(Continua AQUI)

Não sei vocês, mas não fiquei surpreso, nem um pouco surpreso. Iaí, alguém encara a reflexão?
Apesar de não ter sido dito na matéria do jornal, arrisco dizer que a postura geral é "se eu não falo sobre algo, logo o 'problema' não existe" e isso serve para qualquer assunto...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Um pensamento para as férias...

Alguém já ouviu o ditado "se a farinha é pouca, meu angu primeiro"? É daquelas máximas que vêm caindo em esquecimento, mas a ideia que ela contém continua bem viva. Angu ou polenta é quase a mesma coisa, em geral feito de farinha de milho, o bom e velho fubá. Ou seja, se há pouca farinha que se faça o meu angu primeiro. Uma síntese popular do egoísmo ou da "lei" da vantagem.
Em tempos "umbigocêntricos" quando o ditado da vovó vira, não poucas vezes, regra ou filosofia de vida é sempre bom lembrar de reflexões no sentido contrário.
Para quem não conhece, seguem as palavras do poeta e pastor anglicano John Donne, do final do século XVI e início do seguinte:
Nenhum homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um pequeno torrão carregado pelo mar deixa menor a Europa, como se todo um promontório fosse, ou a herdade de uma amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.

John Donne
Durmam com este bom barulho, meditem e recarreguem as baterias ao longo do mês de julho. Em agosto temos a segunda metade do ano e isto não é pouca coisa...
Boas férias e até dia 2 de agosto!


P.S. O blog também entrará de férias. Justo, não?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma frase... II

"Cada um de nós chama barbárie aquilo que não é de seus hábitos." Michel de Montaigne (1533-1592)


Alguém é capaz de ver relações entre esta frase do pensador e ensaísta francês do século XVI e nossos tempos?