"A história não é como um trem que segue seu percurso dentro dos trilhos de nossas intenções e nem obedece as horas marcadas de nossas esperanças."
(Frei Betto, Batismo de Sangue.)
Se não é precisa ao menos é poética e nos põe a pensar...
"A história não é como um trem que segue seu percurso dentro dos trilhos de nossas intenções e nem obedece as horas marcadas de nossas esperanças."
(Frei Betto, Batismo de Sangue.)
"Temos de repensar a grade", disse. Para ele, só deveriam ser obrigatórias as disciplinas de língua portuguesa, idiomas, matemática, física, química e biologia. História e geografia, por outro lado, deveriam ser eletivas. "Hoje o aluno que vai prestar vestibular para Engenharia perde tempo estudando filosofia. Se ele achar essa matéria importante, deveria ter a opção de cursá-la, não a obrigação."Não nego que repensar o currículo é uma necessidade constante. O mundo muda e a escola não pode se manter com a mesma grade de 50 anos atrás. No entanto, a impressão que tenho é que o empresário espera transferir para as escolas um caráter formativo que não cabe a elas. É objetivo do Ensino Médio formar para o mercado? Alguém sai do EM profissionalizado? Este não é o papel dos cursos superiores ou técnicos?
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| Uma parceria antiga e talvez eterna. |
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| "Nós matamos o tempo. E o tempo nos enterra" (Machado de Assis) |
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| Recentemente a FAO publicou um estudo onde revela que cerca de um terço de todos os alimentos produzidos por ano no mundo são desperdiçados. O estudo foi elaborado entre agosto de 2010 e janeiro de 2011 e aponta que estão sendo desperdiçados 1,3 bilhões de toneladas de alimentos por ano. De acordo com o relatório tanto em países industrializados como os emergentes desperdiçam 670 e 630 milhões de toneladas por ano, respectivamente. |
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| Ter ou não ter, um dilema contemporâneo |
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| Independente da real gravidade da situação, a maquiagem é a alternativa. |
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| "Certas coisas vêm de berço" (a frase é sem autor, mas há inúmeros repetidores) |
"O grande rio visto do alto parece longo, sinuoso, você avista curvas, rochas, corredeiras, a sensação é de calma. Só que não fica sabendo de coisas importantíssimas: a profundidade, densidade das águas, a temperatura, força da correnteza, a velocidade da água. Aquilo que faz o verdadeiro rio."Se não chega a ser original, ao menos é claro!
(Ignácio de Loyola Brandão. O verde violentou o muro. 8.ed. P. 203)
de: "minha esposa"
para: "mim"
data: 20 de junho de 2011 16:14
assunto: Corte os pulsos
Cena: na sala de espera, ao lado da secretária. Vejo que ela preenche uma apostila e pergunto se voltou a estudar.
Resposta: o filho se machucou e ficou de licença. Ao invés de perder o bimestre a escola deu vários cadernos de exercício das matérias para ele entregar valendo nota.
Desfecho: a mãe está resolvendo as questões pro menino colando de um site onde, aparentemente, consta o gabarito.
E aí, professor, isso pode?
de: "eu mesmo"
para: "minha esposa"
data: 20 de junho de 2011 18:34
assunto: Re: Corte os pulsos
Não me conta essas coisas, não. Dá uma tristeza... Se a estrutura for coerente ele não perde o bimestre, mas perde o ano, afinal não aprendeu nada. O filhão, de todo modo, vai aprender muita coisa: aprendeu que a vida é mole porque a mamãe resolve, aprendeu que a escola não serve pra nada, aprendeu que ser vagal ainda vale a pena, entre outras coisas.
Parabéns mamãe, que valoriza a educação do filho. E parabéns meninão, que depois vai reclamar que o ensino que teve foi fraco.
Beijo do professor levemente deprimido
| Pense nisso! |
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| Medo! |
Um jovem que estudou nas melhores escolas, aprendeu idiomas, teve experiências no exterior, é inteligente, criativo e conectado e tem disposição para trabalhar duro e inovar ostenta um currículo que parece ser o sonho dos selecionadores das empresas.Eu já achava este cenário bem preocupante, quando, então, li o artigo/coluna/post de Luciano Pires no Cultura News.
Não necessariamente. Esse mesmo perfil pode virar um pesadelo para os gestores que logo identificam a geração Y --leva dos nascidos entre 1980 e 1990, que reúne características como agilidade, autodidatismo tecnológico e criatividade.
Isso porque esses "nativos digitais" demandam muito de seus superiores, não temem atropelar processos e, principalmente, não pensam duas vezes antes de trocar a empresa que investiu em seu treinamento por uma que pague melhor ou outra que ainda não existe: a que vão criar.
Assim, os gestores tendem a ficar alertas para o perfil Y excessivo: aquele que, apesar de reunir o currículo ideal, não tem paciência para os ritos da cultura corporativa, como esperar por uma promoção.
(In: André Lobato. "Jovens imediatistas assustam gestores na hora da contratação". Folha de S. Paulo, 28.02.2010)
Meu amigo Patrick é francês e vive no Brasil há anos. Tem uma visão crítica da forma de ser do brasileiro em comparação a outros povos, especialmente os europeus. E eu me divirto com ele. Recentemente, presente a um desses eventos badalados que tratam de redes sociais, ele me ligou para descrever o público. Jovens, muito jovens, com seus iPads e iPhones, tuitando furiosamente enquanto assistiam às palestras de dezenas de especialistas. Ao final da palestra, invariavelmente o apresentador dizia:
- Alguma pergunta?
Silêncio. Ninguém. Nada. E assim foi, de palestra em palestra. Ninguém nunca perguntava nada. O Patrick então disse que aquela era a geração T. Tê de testemunha: “Sou testemunha de tudo, mas não tenho opinião sobre nada.”
(CONTINUA)
O que poucas pessoas (considerando o universo cotidiano e não os estudiosos e ativistas) visualizam é que o tal "desenvolvimento sustentável" ou a "consciência ecológica" implicam em profunda modificação em nosso modo de vida. Para alguns seria uma autêntica revolução, pois questionaria toda a lógica liberal capitalista em que vivemos ao menos desde o século XIX.Aqui e agora precisamos transformar nossos ideais, modos de pensar e os sistemas políticos, econômicos e técnicos que sustentam o desenvolvimento. A ruptura tem de ser total, de ponta-cabeça. Passar de uma civilização industrial e produtivista para uma biocivilização, comprometida com a vida no planeta, implica verdadeira revolução.Para o autor trata-se de recriar a atual civilização em novas bases ou, do contrário, nos "consumiremos". Mesmo segundo os menos "revolucionários", a única saída seria uma mudança radical nos nossos padrões culturais.
A ruptura é espinhosa. O desenvolvimento está incrustado na gente, é um valor. Desenvolvimento lembra imediatamente progresso. E quem não quer progresso? O problema é que deixamos de discutir a qualidade de vida que nos traz o progresso.
Quanto de lixo, poluição e destruição estão associados a esse progresso?
Basta lembrar o carro, um dos protótipos atuais do modelo de desenvolvimento. As nossas cidades são desenhadas para eles e não para nós, cidadãs e cidadãos. E, no entanto, quase não andamos, por conta dos monumentais engarrafamentos.
Será que para viver bem precisamos sempre de mais? Ter mais e mais bens, trocados sempre porque estragam logo (feitos para não durar) ou pela compulsão, que o ideal nos impõe, de adquirir o último modelo. Isso só gera destruição em todo ciclo, da extração das matérias-primas ao lixão onde jogamos os bens em desuso. Já paramos para pensar quem está ganhando nessa história? (Grzybowski, Cândido. "Mudar mentalidades e práticas: um imperativo". In: Le Monde Diplomatique, 02.10.2009)
Nenhum homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um pequeno torrão carregado pelo mar deixa menor a Europa, como se todo um promontório fosse, ou a herdade de uma amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.Mas eu já havia quase me esquecido deste tema quando caiu em minhas mãos um texto em pleno Fórum Permanente de Professores (dos Colégios jesuítas). O autor é talvez o maior nome da educação brasileira e mundialmente reconhecido, Paulo Freire:
(John Donne)
A primeira condição para que um ser possa assumir um ato comprometido está em ser capaz de agir e refletir. (...) É preciso que seja capaz de, estando no mundo, saber-se nele. (...) Somente um ser que é capaz de sair de seu contexto, de "distanciar-se" dele para ficar com ele; capaz de armirá-lo para, objetivando-o, transformá-lo e, transformando-o, saber-se tranformado pla própria criação; um ser que é e está sendo no tempo que é o seu, um ser histórico, somente este é capaz, por tudo isto, de comprometer-se".Com o que você se compromete? Você se sente capaz de se comprometer? Ou ainda, você se vê parte da Humanidade e, por tanto, realmente humano?
(Paulo Freire)
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| A Grande Onda de Kangawa |
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| A onda de Montanaro |
A globalização não provoca apenas um aumento da circulação de mercadorias. Ela trasnforma a maneira com a qual nós representamos o mundo, as suas possibilidades, as fronteiras, o espaço, o tempo: ela estrutura as imaginações.
Abdou Diouf, ex-presidente do Senegal
Nenhum homem é uma ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do continente, uma parte da terra. Se um pequeno torrão carregado pelo mar deixa menor a Europa, como se todo um promontório fosse, ou a herdade de uma amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.Durmam com este bom barulho, meditem e recarreguem as baterias ao longo do mês de julho. Em agosto temos a segunda metade do ano e isto não é pouca coisa...
John Donne
"Cada um de nós chama barbárie aquilo que não é de seus hábitos." Michel de Montaigne (1533-1592)