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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Vamos ao teatro?

Dica cultural quente para quem mora no Ipiranga!
Dias  13 e 14 de setembro, também conhecidos por quinta e sexta-feira, tem "Romeu e Julieta", clássico de Shakespeare, encenado pelo Grupo Galpão no Parque da Independência. E na FAIXA!!
O Grupo Galpão está comemorando 30 anos de existência e como parte da festa resolveu reencenar seus maiores trabalhos. Este "Romeu e Julieta", por exemplo, não é apenas mais uma peça do bardo inglês, mas uma releitura jogada para dentro do universo popular brasileiro.
Segundo a sinopse presente no site do Galpão,
Ao atualizar o sentido da mais conhecida história de amor da humanidade, a concepção de Gabriel Villela para o Galpão transpôs a tragédia dos dois jovens apaixonados para o contexto da cultura popular brasileira. Esse conceito sustenta todo o espetáculo, especialmente na figura do narrador, que rege toda a ação com uma linguagem inspirada em Guimarães Rosa e no sertão mineiro.
A montagem da tragédia de Shakespeare foi um marco na carreira do grupo. O encontro com Gabriel Villela significou a ousadia de fazer um clássico na rua. Ao texto original do espetáculo, na clássica tradução de Onestaldo de Pennaforte, juntam-se elementos da cultura popular brasileira e mineira, presente nas serestas e modinhas, nos adereços e figurinos que remetem ao interior profundo do Brasil.
Quase um "dois em um" ao somar dois grandes nomes da literatura!
Como vocês têm prova na manhã de sexta-feira, sugiro que optem pela apresentação de sexta à noite, às 19h.


Romeu e JulietaSESC Ipiranga
Dia(s) 13/09, 14/09
Quinta e sexta, às 19h.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Sem cultura?

Tem gente - muita gente! - que adora dizer que "o brasileiro não tem cultura" ou que "lá fora todo mundo vai ao museu". Afora o insuperável elitismo, segundo o qual cultura é só aquela que está dentro do museu, do teatro ou na Sala São Paulo, temos os fatos. E como dizem, contra fatos não há argumentos.
O brasileiro adora museu e adora exposições. Se isso não fosse verdade não teríamos tanta gente visitando Museu Paulista (o do Ipiranga), da Língua Portuguesa, Pinacoteca e todas as exposições que pintam no Centro Cultural Banco do Brasil ou no da Caixa.
Para quem não ficou sabendo, a expo "Impressionismo: Paris e a Modernidade" que está em cartaz no CCBB desde o dia 4 de agosto é um sucesso tão impressionante (perdão pelo trocadilho) que a organização teve que pensar novos horários. Na impossibilidade de estender a mostra resolveram fazer a Virada Impressionista: no dia 7 de setembro, sexta-feira, as portas serão abertas às 10h e só se fecharão às 23h de sábado, 8 de setembro!!!
Fico imaginando como será quando, na sequência, a exposição for para o CCBB do Rio que é maior e pode acolher um público ainda mais numeroso.
Em resumo, não falta cultura. Faltam bons motivos para o brasileiro ir ao museu.



Impressionismo: Paris e a Modernidade
4 de agosto a 7 de outubro
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Rua Álvares Penteado, 112
Centro – São Paulo – SP
Terça a quinta – 10h às 22h
Sexta – 10h às 23h
Sábado e domingo – 8h às 23h
Informações:  (11) 3113-3651 / 3113-3652



Vi a notícia AQUI.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Virada Cultural

Quem acompanha este blog há algum tempo sabe que sou um entusiasta da Virada Cultural. Milhões de pessoas nas ruas durante 24 horas para acompanhar espetáculos de dança, música, teatro, cinema, etc, me parece justificativa suficiente para adorar este evento anual. Como se não bastasse, é tudo grátis, free, na faixa!


A Virada deste ano acontece entre 5 e 6 de maio. Ou seja, é AMANHÃ!!!

Toda a programação está no site. E desta vez o site está funcionando muito bem, com versões da programação e mapas em pdf, e aplicativos para iOS e Android.

Se você tem medo de andar pelo centro de São Paulo ou sua mãe não te deixar sair à noite, não se desespere. Tem programação variada até no SESC Ipiranga e, além do mais, são 24h de atrações. Começa às 18h de sábado, mas tem muuuita coisa rolando às 9h da manhã, por exemplo.

Dá uma olhada na programação e 'bora pra rua!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Museus, museus, museus...

Quando eu estive na Turquia fomos conhecer as cavernas da Capadócia, região central do país. Essas cavernas serviram de refúgio para inúmeras populações, mas destacam-se as primeiras comunidades cristãs. Por conta disso, há uma série de pinturas e inscrições muito significativas nas paredes de rocha calcária. Imaginem que sem um guia o passeio fica realmente complicado, tanto para se localizar quanto para obter qualquer informação. Então contratamos um guia local: um sujeito muito bem informado que falava um inglês muito bom (apesar do forte sotaque) e era completamente apaixonado pelo que fazia. A especialidade do fulano era desmentir grandes teorias, ou seja, fanático por teorias da conspiração. Não por acaso, minha esposa e eu o apelidamos (entre a gente, claro) de "Dan Brown da Capadócia".
O mais intrigante é que ele fazia uma série de alusões a obras de artes em diversos museus. Citava obras que estavam no Louvre e no Vaticano, comentava sobre a Capela Sistina, etc. Então perguntamos se ele já tinha visitado todos esses lugares. Ele, muito tranquilo, respondeu que NUNCA havia saído da Turquia. Se você está se perguntando como é que ele se atrevia a fazer tantos comentários sem nunca ter visto nada pessoalmente, relaxa. Nós também perguntamos. A resposta, meio óbvia, foi: INTERNET.
Volto a dizer, não sou fã de museus virtuais porque considero a experiência do museu insuperável. Mas é fato que em alguns casos você verá melhor pela internet que ao vivo: nada de filas, com zoom, sem pressa para ir embora, etc. Sem falar que em alguns você não pode nem tirar uma foto para recordação!!
Pensando nisso, segue a sugestão de passeio.




Recomendo uma volta da Capela Sistina. Virtualmente não tem ninguém colado em você, não tem vigia pedindo silêncio, não dá dor no pescoço e o zoom em 360o. faz toda a diferença!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Diversão e cultura

Tem quem goste de Batman ou X-Men, e não são poucos. Mas há um tipo de leitor de HQ muito especial, é o estudioso-colecionador. Não se trata apenas de gostar de História em Quadrinhos, mas também da História das Histórias em Quadrinho. Eu, confesso, não me enquadro nesta última categoria. Eu me divirto com HQ, reconheço seu valor lúdico, artístico e mesmo histórico-cultural, mas não sou um aficionado por este universo.
No entanto, para quem adora HQ ou é apenas um curioso, fica aqui uma dica de primeira que me faz esquecer todas as críticas que tenho à frequente inutilidade (ou futilidade) da internet:


Em poucas palavras, é um mega arquivo com versões digitais de gibis desde a década de 1930 até a de 1960. Não procure pelo óbvio, não tem Superman. Por outro lado, há todo tipo de HQ, desde bang-bang até publicações oficiais do exército estadunidense. Ah, como tudo está em inglês, é um bom treino.
Interessou? Clique AQUI.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Dois bons passeios

Final de semana está virando sinônimo de shopping center ou, na melhor das hipóteses, algum parque. Mas é bom variar um pouquinho. Portanto, que tal uma exposição? Aqui ficam duas sugestões, uma delas é na faixa.

ROMA - A Vida e os Imperadores
370 peças e obras originais recontam fatos e costumes do período tardio da República e primeiros séculos do Império Romano.
De 25 de janeiro a 22 de abril de 2012

Busto de Cícero
Exposição temporária no MASP reúne um acervo que nunca saiu da Itália, vindo do Museu Arqueológico Nacional de Florença, do Museu Nacional Romano, do Museu Nacional de Nápoles, do Antiquário de Pompeia, do Museu Arqueológico de Fiesole e da Galeria Uffizi. 
A curadoria buscou "privilegiar a abordagem dos imperadores de Roma do ponto de vista do exercício de seu poder e de suas diferentes personalidades", dividindo o espaço expositivo em 4 núcleos - "Entre César e Augusto: o nascimento do Império", "Nero", "O Apogeu do Império" e "Um Império Multicultural" - cada qual subdividido em 3 a 4 módulos.
O release da exposição afirma que estão entre os destaques "três paredes com afrescos da Vila de Pompeia, as estátuas de Júpiter, de Lívia (esposa de Augusto) e da deusa Ísis, a Cabeça Colossal de Júlio César em mármore, máscaras teatrais, escultura de Calígula, Armadura de Gladiador, desenhos do Coliseu, a Lamparina de Ouro e cerca de 60 joias". 
Ou seja, é coisa fina! A não ser que você pense em ir para a Itália em breve, acho melhor não perder esta oportunidade.

Informações:
Local: MASP (Avenida Paulista, 1578), na Galeria Clemente de Faria, 1 e 2 subsolos. Mapa AQUI.
Horários: Ter.-Dom. e feriados, das 11h às 18h. Qui., das 11h às 20h. A bilheteria fecha sempre 30 minutos antes.
Ingressos: R$15,00. Estudantes, professores e aposentados com comprovantes pagam R$7,00. Visitantes até 10 anos e acima de 60 anos de idade têm entrada gratuita.


Devidamente restaurados, painéis "Guerra" e "Paz", de Portinari, visitam São Paulo pela primeira vez.
De 7 de fevereiro a 21 de abril de 2012

Como presente para a ONU, o governo brasileiro encomendou a Portinari, na década de 1950, dois enormes painéis. Entre 1952 e 1956, o artista trabalhou as duas superfícies de 14x10m, sendo finalmente instalados no hall de entrada da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em 1957.
A exposição conta ainda com cerca de 100 estudos que precederam os painéis.

Informações:
Local: Fundação Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664), nos seguintes espaços: Salão de Atos, Galeria Marta Traba e Biblioteca Latino-americana Victor Civita. Mapa AQUI.
Horário: Ter.-Dom., das 9h às 18h
Ingressos: GRÁTIS


Sugestão: em ambos os casos, vá de metrô!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Gosta de arte?

A maior dificuldade para quem gosta de arte, principalmente a produção mais "recente" (da década de 1950 para cá), é que moramos no Brasil e os maiores nomes e suas obras circulam no eixo EUA-Europa. A alternativa seria a internet, mas nem tudo (ou bem pouco, proporcionalmente) está na net.


Portanto, é uma ótima notícia saber que a Fundação Guggenheim, cujo principal (mas não único) museu fica em Nova York, disponibilizou 65 catálogos desde 1937 em formato digital para consulta on-line. Um prato cheio para quem gosta de pintura abstrata, concreta, expressionista, e outras vanguardas, ou ainda Kandinsky, Bacon, e companhia.

Veja AQUI

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Patrimônio Nacional na internet

Os bens tidos como patrimônio cultural só fazem sentido se as pessoas os conhecem e se apropriam desses locais, ou seja, se entendem o valor e os "utilizam" cotidianamente. Mas na maioria das vezes habitamos na cidade onde se encontram tais patrimônios, o que não significa que não tenham importância para nós.
Mesmo estando longe de Permanbuco a riqueza arquitetônica de Olinda faz parte do universo cultural brasileiro: marco de uma época e da presença portuguesa (assim como holandesa) nesse território que hoje chamamos de Brasil.
Eu, particularmente, preferia conhecer em meio a uma viagem de férias, mas ainda não foi possível. Até lá, preciso me contentar com experiências virtuais como o Hzoom. Este projeto, tocado pelo historiador Rafael Vasconcellos, a fotógrafa Marília Vasconcellos e a produtora Mirza Pellicciotta, conta com apoio do ProAc do Governo do Estado de São Paulo e começou por gerar fotos panorâmicas para navegação em 360o. Ainda em fase inicial, o Hzoom reune alguns dos sítios reconhecidos como Patrimônio Cultural da Humanidade localizados no Brasil: até o momento concentrados no Nordeste (PE, PI e SE) e em São Paulo.
Todos os sítios contam com uma descrição sumária e as razões pelas quais houve o tombamento, além de bons controles: laterais, para cima e para baixo, zoom in e out. Não deve nada aos sites estrangeiros com a mesma proposta.
Vale o click!



Para saber +
Viagem virtual pelo patrimônio brasileiro



P.S. Para quem ficou intrigado com o fato de ter tantas imagens de Campinas, explica-se: os idealizadores do projeto são da cidade no interior de São Paulo e boa parte das imagens foram feitas nas horas livres. Olinda, por exemplo, foi fotografada durante as férias!!!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Para pensar

O Krisman, ex-aluno que vez ou outra aparece por aqui (e é muito bem vindo, como todos!), me recomendou um artista dizendo que achou algumas críticas interessantes. Como ele sabia que eu iria postar aqui o e-mail veio com um link.
O artista em questão é o ilustrador e artista gráfico polonês Paul Kuczynski nascido em 1976. Seus desenhos possuem um quê de humor, mas puxam para a sátira da sociedade, política, cultura. Não espere gargalhadas, mas um riso amarelo e incômodo de quem acabou de ser supreendido por alguma obviedade que você nunca quis ver. Ou seja, é um murro no estômago atrás do outro.
Eu resolvi fazer uma seleção bem pessoal e acrescentar legendas. Sim, eu sei que isso não é nada demais.

Uma parceria antiga e talvez eterna.

"Nós matamos o tempo. E o tempo nos enterra" (Machado de Assis)

Recentemente a FAO publicou um estudo onde revela que cerca de um terço de todos os alimentos produzidos por ano no mundo são desperdiçados. O estudo foi elaborado entre agosto de 2010 e janeiro de 2011 e aponta que estão sendo desperdiçados 1,3 bilhões de toneladas de alimentos por ano. De acordo com o relatório tanto em países industrializados como os emergentes desperdiçam 670 e 630 milhões de toneladas por ano, respectivamente.

Ter ou não ter, um dilema contemporâneo

Independente da real gravidade da situação, a maquiagem é a alternativa.

"Certas coisas vêm de berço" (a frase é sem autor, mas há inúmeros repetidores)


Fica a sugestão:
Tem muito mais AQUI e AQUI.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Recomendo

O universo das artes plásticas é vastíssimo. Dentro deste há outro enorme conjunto de linguagens artísticas chamadas de artes gráficas que podemos definir de modo bem genérico como aquilo que é passível de impressão ou reprodução. Assim, o artista gráfico talvez represente a face mais moderna, ágil e recente das artes, usando técnicas que podem variar desde a ancestral xilogravura até modernos recursos digitais.

São Sebastião, serigrafia

No meio da costelação de artistas temos o universo de Glauco Rodrigues, pintor, gravador, desenhista, ilustrador e cenógrafo, a quem se homenagea com um exposição composta de cerca de 100 trabalho que vão de serigrafias à capas de revistas e discos. Trabalhos primorosos, cheios de cores e referências tanto acadêmicas quanto pops.
Eu fiquei particularmente impressionado com a obra de Glauco Rodrigues especialmente porque fui à exposição ciente de minha total ignorância. Quando cheguei lá sabia perfeitamente que não sabia nada a respeito do artista e saí um tanto chocado por não saber nada dele até então.
Na exposição e também no catálogo há um texto muito ilustrativo escrito por Luiz Fernando Veríssimo:
Moça, serigrafia
Pedra. Madeira. Linóleo. Metal. Nada disto é tela, mas tudo vira tela nas mãos do artista gráfico.
Se a pintura é um mergulho, a arte gráfica é a arte das superfícies. A arte do que estiver à mão.
A arte gráfica não discrimina o que a contem. Folheto. Poster. Programa. Capa. Ilustração. Seja para o que for que se destina, é arte.
Pampa. Brasil colonial. Brasil um minuto antes da descoberta misturado com o Brasil de agora. Nossas cores e nossas sombras. São Sebastião e a moça de bikini, nosso martírio e nossa redenção embaixo do mesmo sol. Num flagrante ou numa composição, o Brasil de todas as evocações e paradoxos.
E acima de tudo, a técnica do Glauco. O seu admirável saber fazer, em qualquer superfície. Ninguém como ele combinou sensualidade e rigor artesanal e fez um retrato tão preciso deste carnaval.
Na sua obra gráfica como na sua pintura, o Glauco nunca deixou de dizer: que país curioso este nosso, e que país bonito.


O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues
Quando? Até 21 de agosto
Horário? De terça a sábado, das 9h às 21h, e domingos e feriados das 10h às 21h
Onde? Caixa Cultural – Conjunto Nacional  (Av. Paulista, 2083)
Quanto? GRÁTIS


O Estado da Guanabara (1960-1975), litografia

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Filosofia do Rock!

Patrocinado pelo Cento Cultural Banco do Brasil e com curadoria e mediação da filósofa Márcia Tíburi, o Filosofia do Rock é um evento gratuito cuja proposta consiste em colocar para conversar o rock 'n roll (em suas mais variadas vertentes) e a filosofia (em suas mais variadas escolas).
Já perdi vários encontros, mas na próxima terça estarei lá!


Dia 9 de agosto
Márcia Tiburi e Kid Vinil se encontram para colocar frente a frente o Punk Rock e a obra de F. Nietzsche.
O rock também entra em crise e pode precisar de uma espécie de autodestruição crítica. O Punk aparece na cena da história e da filosofia do Rock como fabricação da revolta. No mix de elementos do Punk, a perversão aparece como parte do sistema da crítica. Nietzsche, o pensador que tratou da filosofia como perturbação e provocação, é o convidado.
Horário: 19:30
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro (Prefira ir de metrô - Estação SÉ)
Preço: GRÁTIS, mas precisa retirar senha 1h antes.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Debret e as imagens do Brasil

É comum na história das artes que algumas obras se transformem em ícones. Essas obras acabam extrapolando até mesmo o universo artístico ou círculo de especialistas, circulando até mesmo pela publicidades e meios mais populares. Podemos dizer que é o caso de uma Mona Lisa, você pode não entender absolutamente nada de arte, mas aquele meio sorriso lhe será familiar.
Guardadas as devidas proporções, quando se estuda história do Brasil ocorre o mesmo com duas obras, ou melhor, com uma obra específica e um artista, de modo mais amplo. Eu arriscaria dizer que independente de você ter ido alguma vez ao Museu do Ipiranga em São Paulo ou mesmo de saber quem foi o pintor, ao ver a imagem abaixo terá a certeza de já a ter visto em algum lugar
"Independência ou morte!", de Pedro Américo
O quadro é "Independência ou morte!", do pintor Pedro Américo, e deve ilustrar 9 em cada 10 livros didáticos (isso se não estiver em todos!), se tornando quase maior que o próprio tema do retratado. Esquece-se com frequência que o quadro é uma celebração ao momento da independência brasileira e não uma espécie de fotografia do ocorrido. Portanto, trata-se de uma representação como desejava o Governo Imperial em 1888,  quando o pintor entregou o quadro conforme lhe havia sido encomendado.

Cena doméstica retratada por Debret
Outro artista icônico é Jean-Baptiste Debret, pintor e desenhista francês que chegou ao Brasil na Missão Artística Francesa em 1816. Membro da "escola" neoclássica, Debret não só veio para ensinar pintura e desenho como acabou responsável por uma série de obras realizadas ao longo de sua estada no Rio de Janeiro e de sua viagem pelo Brasil. Depois de 15 anos por aqui, Debret havia retratado paisagens, costumes, tipos humanos, além da própria Corte.Pode verificar seu livro didático, tenho certeza que há alguma aquarela ou desenho de Debret. Talvez um escravo sendo castigado, uma dança ou festividade afro, ou uma paisagem urbana do Rio, entre outras possibilidades.
Mas para quem prefere ver o original, temos a possibilidade de dar um pulinho até a Avenida Paulista e conferir a exposição Debret – Viagem ao Sul do Brasil que entra em cartaz na Galeria Vitrine da Caixa Cultural (Conjunto Nacional) nesta quarta-feira, dia 4, e segue até 19 de junho.
Segundo o Catraca Livre:
“Debret – viagem ao Sul do Brasil” apresentará dois conjuntos de obras. O primeiro traz as célebres aquarelas feitas pelo artista na viagem ao Sul do Brasil, em 1827, na comitiva do imperador D. Pedro I, que percorreu os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O artista pintou belas marinhas da costa sul brasileira, paisagens da mata nativa, índio, brancos e negros e seu cotidiano, destacando-se as festas e as tradições populares.
No segundo, os visitantes poderão conferir as aquarelas realizadas no Rio de Janeiro, que retratam a vida urbana na Corte. Toda a pompa do Império, o dia a dia de escravos – seus hábitos, vestimentas, os trabalhos por eles executados -, toda a crônica do cotidiano urbano da cidade e de seus habitantes transparecem nas aquarelas de Debret.
Digo sem medo de errar que se trata de uma exposição de visitação obrigatória, tanto pela temática quanto pela representatividade do artista para a história do Brasil. Para aqueles que só entendem a linguagem dos vestibulares, se você vê antes se prepara melhor para a prova.


Serviço:
Data: de 04.05 a 19.06
Horário: de terça a sábado, das 9h às 21h; aos domingos, das 10h às 21h
Local: Caixa Cultural - Vitrine Paulista (Conjunto Nacional)
Endereço: Av. Paulista, 2083. Consolação - Centro.
Telefone: (11) 3145-6600
Entrada FRANCA

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Eu vou!

Você assistiu o filme A Origem, do diretor C. Nolan e com Leonardo Di Caprio no papel principal? A imagem abaixo não se parece com alguma cena do filme?


A obra acima, "Relatividade", é do artista gráfico holandes Maurits Cornelis ESCHER (1898-1972) e foi uma inspiração declarada do diretor de A Origem, entre muitos outros. Escher é um mestre das perspectivas geométricas e dos paradoxos que geram ilusões intrigantes capazes de fixar o olhar do expectador por horas a fio na tentativa de encontrar todos os caminhos possíveis.
Você poderia viajar até a Holanda para ir ao Museu Escher, não é? Mas não é necessário. Depois de passar pelo Rio de Janeiro chegou ao Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo a exposição O Mundo Mágico de Escher.

Abaixo as informações que constam do site do CCBB.
O Mundo Mágico de Escher
A mostra reúne 94 obras, entre gravuras originais e desenhos, incluindo todos os trabalhos mais conhecidos do artista. Escher ficou mundialmente conhecido por representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano e explorações do infinito. Escher foi um gênio da imaginação lúdica e um artesão habilidoso nas artes gráficas, mas a chave para muitos dos seus efeitos surpreendentes é a matemática, utilizada de uma forma intuitiva. A exposição mostra de forma analítica o desenvolvimento da obra gráfica do Escher em uma carreira de mais de 50 anos. Além disso, a exposição evidencia os efeitos de alguns fenômenos de espelhamento, perspectiva e matemática em diversas instalações interativas e lúdicas, além de um filme em 3D.
SERVIÇO
Data: 19 de abril a 17 de julho de 2011
Horário: Terça a domingo, das 09h às 20h
Local: Subsolo, térreo, 1º, 2º e 3º andares
Classificação indicativa: Livre
Entrada Franca
Visita mediada: das 9h às 19h



Recomendação: o CCBB fica na Rua Álvares Penteado, 112 (Centro), mas prefira ir de Metrô (estação Sé ou São Bento). Deixe o carro em casa e ande um pouco, é bom para você e é bom para a cidade.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mais uma Virada

Em 2010 eu já havia divulgado aqui a Virada Cultural. Sou um entusiasta confesso das 24h de música, teatro, circo, cinema, artes em geral, evando milhares de pessoas para as ruas do centro de São Paulo. Este ano a programação me pareceu mais extensa que a do ano passado. Já li e reli a relação dos palcos e artistas, mas ainda não me decidi. Sei que não vou assistir Lucha Libre (sim, aqueles caras mascarados lutando de mentirinha) nem vou participar do circuito Cosplay (eu passo!), mas tem um super palco com Funk e R&B de verdade, outro com Beatles4ever tocando TODOS os álbuns dos Beatles na sequência, o palco da Luz com o instrumental sinfônico de sempre, nações de Maracatu, etc.
Vamos ver quanto eu vou conseguir assistir!

Confira a programação para os dias 16 e 17 de abril AQUI.

terça-feira, 15 de março de 2011

Imperdível!!!

Para quem mora perto do Parque da Independência é praticamente obrigatório, mas ainda é imperdível mesmo para quem está um pouco mais longe.
Sábado, dia 19, tem apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP). O programa? A melhor orquestra do Brasil e uma das melhores do mundo só vai tocar um dos maiores (e mais populares) clássicos da música instrumental: a 9a. Sinfonia de Beethoven e com o Coral.
Quanda o OSESP toca a 9a. os ingressos da Sala São Paulo esgotam em um ou dois dias. Agora vai ser ao ar livre e de graça.


OSESP no Parque da Independência
Sinfonia nº 9 em Ré Menor, Op.125 – Coral

19 de março, sábado, às 18h30





P.S. Eu não me conformo que estarei fora e não poderei assistir a apresentação.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Curso "História e Imagem"


História e Imagem
introdução à história e percepção das artes visuais

Fica a sugestão. Mais informações e inscrições AQUI.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Para os que ficaram interessados em conhecer mais do trabalho do Vik Muniz começa hoje, dia 2, uma exposição do artista no Instituto Tomie Ohtake. Só cuidado, não vá pensando que verá as obras resultantes do "Lixo Extraordinário". A exposição - de nome Relicário - traz outras obras, algumas do começo da carreira de Muniz.
Esta é a descrição feita por um crítico na Revista Rollingstone:
Um origami feito de uma só folha de papel; um crânio com nariz de palhaço; uma ampulheta com um tijolo dentro; um sarcófago feito de Tupperware; luvas de seis dedos; uma "Enciclopédia Britânica" de um só volume; uma pluma de mármore. Estes são alguns dos trabalhos que estão na exposição.
São obras repletas de ironia que tratam da identidade destes objetos em relação à sua função, sempre impregnadas de humor levado a sério. "Interessam-me espaços onde a lógica e o senso comum falham, criando oportunidade ao público para novas experiências", diz Vik Muniz.
A recriação de objetos cotidianos por meio de uma farta pesquisa material - do lixo aos materiais nobres - contribui para o amplo repertório de imitação ilusória do real construído pelo artista, conferindo-lhe especial notoriedade. O processo de sedução por meio desse grande cenário vem acalantado pelo humor, o elo final a captar o olhar do espectador.

Relicário, em São Paulo De terça a domingo, das 11h às 20h
Até 24/4Instituto Tomie Ohtake - Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés)
Entrada GRATUITA
Informações: 11 2245-1900


+ Notícia
Vik Muniz estreia mostra em SP com fotos, flores e esculturas

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sociedade, reciclagem e cinema

Um artista plástico conceituado com uma fixação - materiais recicláveis - e um propósito social em mente - modificar o mundo, mesmo que atingindo apenas poucas pessoas. Na outra ponta pessoas anônimas com uma imposição - viver da coleta de materiais recicláveis - e um objetivo em mente - sobreviver da melhor forma possível. Juntando as duas pontas tem-se o belo documentário Lixo extraordinário, filmado ao longo de três anos, tempo em que durou a ação de Vik Muniz no lixão de Gramacho, Duque de Caxias-RJ.
A verdade é que dificilmente este documentário poderia sair ruim. A proposta do artista brasileiro era ótima e contava com uma eficiente equipe de apoio, e as pessoas encontradas no lixão se mostraram personagens interessantíssimos: carismáticos, bem articulados, com histórias envolventes.

Este foi o filme que cerca de 130 alunos da 2a. e 3a. séries do Ensino Médio assistiram ontem em uma saída idealizada pela Profa. Vânia, de artes. Aparentemente os alunos gostaram do que viram e eu gostei do que ouvi deles. Alguns mais sensibilizados, outros mais impressionados... espero, apenas, que tenham se aberto a um mundo que definitivamente não é vivido por eles, mas ao qual não deixam de pertencer.

Uma breve reflexão
Fiquei um tempo pensando no porquê do documentário ser grande parte em inglês, mesmo quando o depoente era o artista brasileiro (radicado em Nova York), Vik Muniz. Vendo a versão em inglês do site promocional do documentário uma resposta começou a pintar. Quantas pessoas se atinge em inglês? Quantas pessoas dispostas a colaborar de algum modo se atinge em inglês?
Há um bocado de coerência nisso considerando o projeto idealizado pelo artista. Do contrário eu seria obrigado a pensar que o interesse brasileiro é menor que o internacional...

 Site em inglês do filme AQUI.


Atualização
Notícia na Folha de S. Paulo

Catador de lixo quer ir ao Oscar de limusine e terno

Sinceramente, achei a manchete bem maldosa. O que menos importa é o fato de ele ir à entrega do prêmio de limusine.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Música e história

Poucas manifestações culturais são tão marcantes quanto a música. Sem grande dificuldade podemos identificar - de modo genérico, é verdade - uma determinada cultura pela sonoridade de sua música. A cítara indiana, o violino entre os ciganos, a percussão de raiz africana... Porém a musicalidade é algo muito vivo, fluido, em constante mutação, ainda mais nos dias de hoje. Algumas manifestações musicais já desapareceram, outras tantas surgiram e talvez venha a sumir também.
No caso do Brasil a música disputa, ao meu ver, o posto de ícone identitário junto com o futebol. Não importa qual estilo musical você prefere, mas via de regra o brasileiro de orgulha em seu patriotismo meio heterodoxo com a diversidade musical brasileira. Samba, bossa, MPB, pagode, axé, coco, xote, etc, isso sem contar nos estilos que vieram de fora e já parecem nativos.
Eu, por exemplo, adoro rock. Mas como sou do interior de São Paulo tenho minhas raízes caipiras e, portanto, gosto muito de viola. Não aquele instrumento que lembra um violino, e sim aquele "violão" menorzinho de 10 cordas em pares que fez a fama das Duplas Caipiras e das modas de viola. É uma sonoridade e um jeito de contar/cantar a vida bem particular. Instrumento antigo (pelo menos 500 anos de existência, chutando baixo) era o som típico do trovadorismo português visto nas aulas de literatura e foi dos primeiros instrumentos populares da América Portuguesa. Não por acaso marca presença em praticamente todo o território nacional, especialmente nas regiões mais rurais.
Bom, mas tudo isso para dizer que acabei de ouvir um CD interessantíssimo de dois violeiros que resolveram tocar rock com violas. E ficou bom!!! Aliás, infinitamente melhor que aquele pessoal que resolve tocar Stairway to Heaven no piano ou coisa parecida.

O fanfarrão do Ozzy provavelmente aprovaria, mas antes perguntaria a opinião da Sharon!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um rei, seus problemas pessoais e históricos

Ontem, na minha patética tentativa de assistir todos os filmes que estão concorrendo ao Oscar, fui ver "O Discurso do Rei". A quantidade de prêmios que já ganhou (e ainda pode ganhar) e as polêmicas geradas aumentaram a espectativa, mas o filme não decepcionou. No entanto, falar da qualidade das atuações ou da beleza do filme é totalmente desnecessário aqui. Há um monte de críticas em todos os jornais e sites de cinema, portanto vou economizar minhas palavras.
Só gostaria de chamar a atenção para dois tópicos interessantes, duas das polêmicas que considerei mais interessantes.

Uma é a polêmica causada pelos historiadores sempre que aparece um filme com contexto histórico. Digo com "contexto" porque não considero este filme exatamente histórico, pois a questão maior é o drama pessoal do Rei George VI e sua gagueira que diante de suas resposabilidade como homem público praticamente o impediam de reinar. Porém, o que gerou discordâncias sérias foi o fato de o filme atenuar a simpatia pelo nazismo de David, irmão mais velho e primeiro herdeiro do trono de George V. Aspecto bem delicado e historicamente muito interessante. Afinal, lança luzes sobre a relativa aceitação velada que o regime de Hitler teve entre os conservadores dos demais países europeus e que acabaram fechando os olhos para o avanço nazista. Quando se deram conta havia uma guerra armada diante de seus olhos.
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Outra polêmica, bem mais suave, diz respeito à gagueira do rei. No filme ela é encarada apenas como uma questão psicológica, no entanto hoje conhece-se fatores genéticos diretamente ligados a este problema da fala. De todo modo não se pode dizer que se trata de uma erro do diretor ou do roteirista, na década de 1930 não se fazia ideia das causas da gagueira. Os fonoaudiólogos e demais especialistas que cuidam da fala estão felizes como nunca ao ver um tema tão pouco comentado sendo visto e discutido graças ao filme.
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