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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Escravidão, leitura obrigatória

Há alguns temas que nunca deixarão de ser comentados. Ou porque são fundamentais ou porque nunca se esgotam. Ou será que nunca se esgotam justamente porque são fundamentais? Bom, pouco importa, o fato é que a história da escravidão e qualquer reflexão a seu respeito fazem parte do DNA do Brasil e também do brasileiro, já que é marca permanente de nossa cultura.
Portanto, nunca é demais ler a respeito deste tema e, imagino, pode ser interessante ler algo além do seu livro didático ou apostila. A edição deste mês da Revista Pré-Univesp está repleta de textos saborosos, apesar da temática um tanto amarga.
Seguem algumas sugestões:


História cativa
Escravidão encerra violência e mercantilização dos seres humanos, numa lógica condenável contemporaneamente
 
Desigualdade como legado da escravidão no Brasil
Impactos de séculos de utilização da mão de obra escrava repercutem nas dimensões social e econômica do país

Mitos e equívocos sobre escravidão no Brasil
Para professor da UFMG, história ensinada desde o ensino fundamental até a universidade é baseada em versões historiográficas ultrapassadas

Quilombos e quilombolas: uma história de resistência
Mais do que vítimas, os escravos eram homens e mulheres que, diante de uma situação de extrema opressão, buscavam maneiras de sobreviver da melhor maneira possível


Não deixe de conferir também os infográficos, vídeos e textos literários!!
 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Trabalho escravo hoje

Há uma série de eventos e temas que estão na moda e não digo que isto é bom ou ruim por princípio. Se cuidar da saúde está em voga não podemos considerar o modismo algo ruim. Também é o caso das discussões sobre trabalho escravo e consumo consciente.
Em geral pensamos em consumo consciente quando falamos de reciclagem, produtos orgânicos ou, simplesmente meio ambiente. Mas é claro que a coisa vai mais além. Se vivemos num mundo cujas relações se estabelecem por meio do consumo - ao fim temos "você é aquilo que você compra" - é fundamental que tenhamos consciência do que estamos comendo, vestindo, usando, etc. Não é fácil, afinal o capitalismo tem o "dom" de automatizar as coisas. Do consumo para o consumismo é um passo e logo estamos simplesmente adquirindo mais e mais, sem sequer pensar no porquê preferimos X a Y.
Da parte das empresas, o interesse é maximizar os lucros. Isso se consegue aumentando as vendas OU diminuindo custos que vão desde a matéria-prima até a mão de obra. Aí está o gancho para o trabalho escravo, também chamado de trabalho análogo ao escravo ou trabalho subumano. Não se trata do mesmo tipo de escravidão que vigorou oficialmente no Brasil até 1888, mas também envolve coerção, violência e condições degradantes de trabalho e sobrevivência. Basta lembrarmos do caso da confecção espanhola Zara e suas oficinas ilegais aqui no Brasil ou as denúncias contra o MacDonald's, além dos inúmeros casos envolvendo o agronegócio.
A grande questão é: você concorda com o uso de mão de obra escrava ou o tratamento desumano aos trabalhadores? Se não concorda, ainda assim consome estes produtos?
Pensando nisso e na necessidade de chamar a atenção das pessoas para seu consumo que a ONG Made in a Free World criou um teste on-line chamado de Slavery Footprint, uma alusão às tais pegadas de carbono. Com base em seus hábitos o site calcula quanto do seu dia a dia é fruto do trabalho escravo.



O teste é um pouco mais longo que os da Revista Capricho, mas acho que vale a pena. Eu fiquei um bocado espantando ao saber que cerca de 47 escravos trabalham para mim!


Fiquei sabendo aqui: Quantos escravos trabalham para você?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Trabalho Bimestral - 2a. série EM

Um lembrete nunca é demais, não é?
Semana passada entreguei em sala o roteiro de trabalho com todas as especificações. Não pretendo repetir tudo aqui, mas a proposta e os textos não faz mal.

Proposta:
Com base nos textos abaixo elabore um texto ou conjunto de textos discutindo as condições de trabalho no sistema capitalista.
É importante que seu trabalho contemple os seguintes pontos:
  • As condições de trabalho no século XIX, início da industrialização europeia.
  • As condições de trabalho no final do século XX e início do XXI.
  • Era esperado que houvesse alguma mudança ao longo dos séculos? Justifique.
Texto 1
“Nosso período regular de trabalho ia das cinco da manhã até as nove ou dez da noite. No sábado, até as onze, às vezes meia-noite, e então éramos mandados para a limpeza das máquinas no domingo. Não havia tempo disponível para o café da manhã e não se podia sentar para o jantar ou qualquer tempo disponível para o chá da tarde. Nós íamos para o moinho às cinco da manhã e trabalhávamos até as oito ou nove horas quando vinha o nosso café, que consistia de flocos de aveia com água, acompanhado de cebolas e bolo de aveia tudo amontoado em duas vasilhas. Acompanhando o bolo de aveia vinha o leite. Bebíamos e comíamos com as mãos e depois voltávamos para o trabalho sem que pudéssemos nem ao menos nos sentar para a refeição.”
(O jornal Ashton Chronicle entrevistou John Birley em maio de 1849)

Texto 2
“Pergunta: Os acidentes acontecem mais no período final do dia?
Resposta: Eu tenho conhecimento de mais acidentes no início do dia do que no final. Eu fui, inclusive, testemunha de um deles. Uma criança estava trabalhando a lã, isso é, preparando a lã para a máquina; mas a alça o prendeu, como ele foi pego de surpresa, acabou sendo levado para dentro do mecanismo; e nós encontramos um de seus membros em um lugar, outro acolá, e ele foi cortado em pedaços; todo o seu corpo foi mandado para dentro e foi totalmente mutilado.”
(John Allett começou a trabalhar numa fábrica de tecidos quando tinha apenas quatorze anos. Foi convocado a dar um depoimento ao parlamento britânico sobre as condições de trabalho nas fábricas aos 53 anos)

Texto 3
“Aproximadamente uma semana depois de me tornar um trabalhador no moinho, fui acometido por uma forte e pesada doença da qual poucos escapavam ao se tornarem trabalhadores nas fábricas. A causa dessa doença, que é conhecida pelo nome de “febre dos moinhos”, é a atmosfera contaminada produzida pela respiração de tantas pessoas num pequeno e reduzido espaço; também pela temperatura alta e os gases exalados pela graxa e óleo necessários para iluminar o ambiente.”
(Esse depoimento faz parte do livro “Capítulos da vida de um garoto nas fábricas de Dundee”, de Frank Forrest)

Texto 4"Oficina de costura necessita retistas (casados). Overlorquista. Urgente. 'Sábado não trabalha'. Bom Retiro". Os anúncios, a maior parte em espanhol, estão em um mural, à vista, aos domingos, das cerca de 3.000 pessoas que vão à praça Kantuta, no Pari, em São Paulo. À noite, mais ofertas de emprego com homens em Kombis circulam pelo local convidando para trabalho. Início imediato.
A inusitada fartura de vagas na cidade com quase 20% de taxa de desemprego esconde longas jornadas de trabalho (15,16 horas por dia), salários baixos --quando não deixam de ser pagos--, ameaças e condição precária de moradia e alimentação. É a versão urbana do trabalho análogo à escravidão – embora, em alguns casos menos rigorosos, o Ministério Público do Trabalho prefira qualificar de trabalho forçado.
O alvo dos anúncios é o imigrante ilegal latino, em sua maioria, boliviano --por isso a escolha da praça onde ocorre há dois anos uma feira de comida e artigos da Bolívia.
Nem a Polícia Federal nem o Ministério do Trabalho tem números sobre o problema, mas o que sai das oficinas de costura, espalhadas na região central (Pari, Bom Retiro, Canindé) e até em Guarulhos, movimenta parte do mercado de roupa na cidade. Lavanderias também integram o esquema. (...)
("Migrantes latinos são explorados em São Paulo". Folha de S. Paulo, 19.07.2004)

Texto 5
Imaginávamos que os progressos tecnológicos e a automação levariam a condições de trabalho menos penosas e mais saudáveis. Doce ilusão. É verdade que não se trabalha mais como na época de Zola [Émile Zola, escritor francês do séc. XIX]. Algumas tarefas duras e perigosas desapareceram, mas outras surgiram, colocando em risco a saúde dos trabalhadores. Na França do século XXI, duas pessoas morrem diariamente em conseqüência de acidentes de trabalho. Mortes invisíveis, ignoradas pelos meios de comunicação. Quanto às doenças profissionais reconhecidas – e de modo geral subestimadas – triplicaram em oito anos, atingindo 124 mil casos em 1999.
Por incrível que pareça, as condições de trabalho atuais nada têm a invejar às do início do século XIX. Os estudos sobre os acidentados do trabalho, realizados pela Direction de l’animation de la recherche, des études et des statistiques (Dares), controlada pelo Ministério do Emprego e da Solidariedade, estão cheios de provas nesse sentido. Tal como o de Emmanuel, com 17 anos, jovem aprendiz de carrocerias, obrigado a trabalhar a dois metros de altura, sem qualquer proteção e com ferramentas que não conhecia. Quando foi atingido por um fragmento no olho e caiu, seu patrão o fez se tratar sem declarar que se tratava de acidente de trabalho; quando o aprendiz voltou, foi submetido a diversos vexames... a ponto de romper seu contrato de aprendizado; o que o obrigou a deixar a escola. Emmanuel jamais trabalhará com carrocerias. A partir de então, vive de bicos e outros contratos por tempo determinado (CDD), com seqüelas (visão diminuída, problemas na coluna...). Seu caso não é único. Entre os 27 jovens, acompanhados durante três anos pelos pesquisadores, que saíram do curso de informática aplicada à mecânica, seis foram vítimas de acidente de trabalho, e apenas um foi declarado como tal junto ao Serviço de seguro-saúde.
(...)
Os assalariados mais velhos não são poupados. Um operário de uma fábrica terceirizada da Sollac, em Dunquerque, por exemplo, morreu após uma extenuante jornada de... 21 horas. Os especialistas descobriram inclusive um nome – "burn out" (exaustão) – para esse fenômeno de esgotamento no trabalho. Nem todas as vítimas morrem, mas a maioria sofre patologias pesadas (depressões, problemas nas articulações, dores na coluna...).
Os acidentes de trabalho e as doenças profissionais mudaram de forma, mas nada perderam de sua força destruidora. "Após uma década de redução, entramos em uma fase de aumento lento e regular dos acidentes", indica a Dares, na conclusão de sua pesquisa sobre as condições de trabalho na França em 1998. Essa constatação bate com a da Fundação Européia para Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho (conhecida como Fundação Dublin), após dez anos de pesquisas na União Européia.
(Martine Bulard. “Uma máquina que mata”. In: Le Monde Diplomatique, 01.12.2001. In: http://diplomatique.uol.com.br/, acessado em 18.01.2011)

Prazo de entrega: 05 de maio

 Simples, não é? Qualquer dúvida me procurem no Colégio ou aqui, pelo espaço para comentários.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Trabalho, muito trabalho

Creio que falei para os alunos da 2a. série que a temática do trabalho - escravo, compulsório, degradante, ou qualquer outro adjetivo que preferir - havia sido tema da redação da Fuvest 2011. Na verdade foi tema do ENEM 2011, desculpe-me.
De qualquer modo vejam a proposta e leiam com atenção pois coincide exatamente com a nossa proposta para o começo deste ano.
Nós iremos um pouco mais além, pois abordaremos também a escravidão antiga e moderna, bem como as condições de trabalho surgidas da Revolução Industrial. Mas isto é assunto para outro post.

P.S. No ano passado já escrevi sobre esta temática. Veja o post Análogo ou não?

Proposta de Redação ENEM 2011

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema O trabalho na Construção da Dignidade Humana, apresentando experiência ou proposta de ação social, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatospara defesa de seu ponto de vista.

O que é trabalho escravo
Escravidão contemporânea é o trabalho degradante que envolve cerceamento da liberdade

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão de obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados “gatos”. Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime.
Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.
Disponível em: http://www.reporterbrasil.org.br/ Acesso em: 02 set. 2010 (fragmento).

O futuro do trabalho
Esqueça os escritórios, os salários fixos e a aposentadoria. Em 2020, você trabalhará em casa, seu chefe terá menos de 30 anos e será uma mulher

Felizmente, nunca houve tantas ferramentas disponíveis para mudar o modo como trabalhamos e, consequentemente, como vivemos. E as transformações estão acontecendo. A crise despedaçou companhias gigantes tidas até então como modelos de administração. Em vez de grandes conglomerados, o futuro será povoado de empresas menores reunidas em torno de projetos em comum. Os próximos anos também vão consolidar mudanças que vêm acontecendo há algum tempo: a busca pela qualidade de vida, a preocupação com o meio ambiente, e a vontade de nos realizarmos como pessoas também em nossos trabalhos. “Falamos tanto em desperdício de recursos naturais e energia, mas e quanto ao desperdício de talentos?”, diz o filósofo e ensaísta suíço Alain de Botton em seu novo livro The Pleasures and Sorrows of Works (Os prazeres e as dores do trabalho, ainda inédito no Brasil).
Disponível em: http://revistagalileu.globo.com/  Acesso em: 02 set. 2010 (fragmento).