Um artista plástico conceituado com uma fixação - materiais recicláveis - e um propósito social em mente - modificar o mundo, mesmo que atingindo apenas poucas pessoas. Na outra ponta pessoas anônimas com uma imposição - viver da coleta de materiais recicláveis - e um objetivo em mente - sobreviver da melhor forma possível. Juntando as duas pontas tem-se o belo documentário
Lixo extraordinário, filmado ao longo de três anos, tempo em que durou a ação de
Vik Muniz no lixão de Gramacho, Duque de Caxias-RJ.
A verdade é que dificilmente este documentário poderia sair ruim. A proposta do artista brasileiro era ótima e contava com uma eficiente equipe de apoio, e as pessoas encontradas no lixão se mostraram personagens interessantíssimos: carismáticos, bem articulados, com histórias envolventes.
Este foi o filme que cerca de 130 alunos da 2a. e 3a. séries do Ensino Médio assistiram ontem em uma saída idealizada pela Profa. Vânia, de artes. Aparentemente os alunos gostaram do que viram e eu gostei do que ouvi deles. Alguns mais sensibilizados, outros mais impressionados... espero, apenas, que tenham se aberto a um mundo que definitivamente não é vivido por eles, mas ao qual não deixam de pertencer.
Uma breve reflexão


Fiquei um tempo pensando no porquê do documentário ser grande parte em inglês, mesmo quando o depoente era o artista brasileiro (radicado em Nova York), Vik Muniz. Vendo a versão em inglês do site promocional do documentário uma resposta começou a pintar. Quantas pessoas se atinge em inglês? Quantas pessoas dispostas a colaborar de algum modo se atinge em inglês?
Há um bocado de coerência nisso considerando o projeto idealizado pelo artista. Do contrário eu seria obrigado a pensar que o interesse brasileiro é menor que o internacional...