Como faço quase todo mês, chegou o momento de divulgar a edição da Revista Pré-Univesp (ou Revista de apoio ao estudante pré-vestibular).
Nesta edição o tema é MEMÓRIA, com reportagens e textos que vão desde a memória humana à dos computadores, abordando tanto a função social quanto o funcionamento da memória do ponto de vista da neurociência.
Não deixe de conferir também os infográficos, vídeos, e textos literários especialmente selecionados para esta edição.
Aqui eu resolvi destacar dois artigos que chamaram minha atenção. Então, fica como sugestão de leitura para o final de semana.
O tempo e a memória
Por Lia R. M. Bevilaqua, Cristiano A. Köhler, Janine I. Rossato e Martín Cammarota
Tempo e memória são dois conceitos que invadem diariamente nossas vidas, mesmo que não nos demos conta disto nem do quão intrinsecamente interligados estejam. Este artigo busca estabelecer uma relação entre tempo e memória a partir da definição destes dois termos e da apresentação de algumas situações onde a conexão entre eles é praticamente indissociável.
(CONTINUA)
A literatura como dispositivo de memória
Por Márcio Seligmann-Silva
As artes funcionam desde sempre como um meio de elaboração – normalmente lutuosa – de fatos e feitos históricos
(CONTINUA)
Mostrando postagens com marcador Memória. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memória. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
A memória da sociedade
Do "Epílogo" de Brasil nunca mais:
Meu pai contou para mim;
eu vou contar para meu filho.
Quando ele morrer?
Ele conta para o filho dele.
É assim: ninguém esquece.
eu vou contar para meu filho.
Quando ele morrer?
Ele conta para o filho dele.
É assim: ninguém esquece.
Kelé Maxacali,
índio da aldeia de Mikael,
Minas Gerais, 1984.
índio da aldeia de Mikael,
Minas Gerais, 1984.
E você, do que se lembra?
terça-feira, 28 de junho de 2011
O café, uma cidade e seu teatro
Na virada do século XX, São Paulo era uma cidade em crescimento acelerado, mas ainda assim longe de ser uma metrópole. A capital da República, Rio de Janeiro, era de fato uma cidade muito mais populosa e... cosmopolita. Capital e sede da Corte desde a chegada a Família Real Portuguesa em 1808, o Rio era a porta de entrada de legações diplomáticas e produtos estrangeiros, uma conexão direta com a Europa. Esta “vocação” continuou com a República, apesar da descentralização que vinha ocorrendo. Não por acaso via-se no Rio a chamada belle époque tropical: moda, literatura, companhias de teatro e ópera vindas Europa tinham acolhida certa.
Se o Rio de Janeiro havia abrigado a monarquia, em São Paulo vivia outro rei – o café – e este tinha muito mais poder. Metáforas à parte, o poderio econômico do estado de São Paulo era fruto da crescente produção e preços favoráveis do café no mercado internacional, o que concedia aos paulistas uma proeminência política ímpar. Feito o golpe (com auxílio dos militares) a Primeira República seria inevitavelmente a dos cafeicultores. ![]() |
| Viaduto do Chá, 1929 |
![]() |
| Vista do Vale do Anhangabaú com Teatro Municipal à direita, 1920 |
É neste contexto que veríamos a construção de um dos cartões postais da cidade (à época e ainda hoje): o Teatro Municipal. São Paulo possuía teatros, um tanto acanhados, é verdade, mas o Novo Teatro São José era bem maior que os demais. No entanto, não havia um capaz de abrigar concertos de ópera e música erudita, nem tampouco espelhar o requinte que a elite paulistana esperava exibir. Desse modo, em 1903 começou-se a construir o que seria o Teatro Municipal, na mesma colina onde antes ficava o São José. O projeto e desenho de Claudio e Domiziano Rossi foram executados pelo escritório do renomado engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo, o construtor predileto dos barões do café. Em estilo eclético e inspirado na ópera de Paris, o Theatro (como então se grafava) ocupava o alto de uma das áreas de lazer mais concorridas da época, o Vale do Anhangabaú, no coração da cidade.
A inauguração ocorreu em 1911, há exatos 100, e inscreveu São Paulo no circuito das companhias europeias de ópera. No entanto, o maior espetáculo recebido pelo Teatro Municipal pretendia justamente romper com o tradicionalismo e com as eternas referências à Europa: a Semana de Arte Moderna de 1922. No mesmo ano se comemorou o centenário da Independência do Brasil com festa também em São Paulo, mas mais ao sul da cidade, no Museu do Ipiranga. Esta não pretendia romper com nada, pelo contrário, pretendia-se reforçar o caráter fundador de São Paulo na formação do Brasil, como quem diz “a cidade do café é também o berço do Brasil”. Uma bela construção! Seja nesta festa mais tradicional, seja na semana que se pretendia vanguardista, a elite ligada ao café parecia comemorar seu vigor econômico, político e cultural. E eles nem imaginavam que ao fim daquela década veriam a derrocada dos preços do café e uma sutil, mas significativa, mudança de rumos na política nacional. No entanto, seus monumentos ainda persistem, a memória que construíram de si continua de pé, presente. Resta ainda um aviso a fazer: a história dos sucessos da oligarquia do café construída por ela mesma não é a História do Brasil República, e nem mesmo a História de São Paulo.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
O evitável e o inevitável
Após o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da chamada Guerra Fria a tecnologia nuclear virou vedete. Algo entre amada, respeitada e odiada, a energia nuclear - com fins pacíficos ou militares - marcou a segunda metade do século XX.
A corrida armamentista entre EUA e URSS fez com que ambos os países construíssem enormes arsenais nucleares. Os EUA, por exemplo, construíram (desde 1945) 66,5 mil armas nucleares de 100 tipos diferentes. Como era de se esperar, a tensão internacional alcançou um nível insuportável e em 1968 a ONU estabeleceu um Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares reunindo incialmente os 5 membros do Conselho de Segurança - EUA, URSS (depois Rússia), China, Reino Unido e França - todos detentores de armas nucleares. No entanto, França e China só ratificaram o tratado em 1992.
Pelos termos do tratado ficaria estabelecido um limite máximo de ogivas nucleares e ninguém poderia vender ou transferir armas deste tipo para outros países "não-nucleares". Desse modo, a ideia era afastar o fantasma da guerra nuclear generalizada, sem impedir o uso pacífico da tecnologia.
Uso este que tem sido alvo de inúmeras críticas entre ecologistas e mesmo pessoas com alguma memória. Em princípio a energia atômica para geração de energia elétrica foi aplaudida como uma tecnologia limpa e eficiente. No entanto, rapidamente se expôs o problema da água usada para o resfriamento dos reatores das usinas nucleares que é devolvida à natureza com alta temperatura, interferindo no meio ambiente. Porém o pior ainda viria no ano de 1986.
No dia 26 de abril de 1986 (fevereiro no nosso calendário) uma ação mal executada na Usina de Chernobyl, na Ucrânia, provocou a explosão de um dos reatores. Com a "ajuda" do vento a núvem tóxica atingiu boa parte da Europa, apesar de os efeitos mais nocivos terem acontecido na Ucrânia, Rússia e Bielarus. Depois disso, não só os reatores soviéticos foram alvo de críticas, mas toda usina nuclear foi colocada como suspeita diante da opinião pública mundial.
A Alemanha acabou com todas as suas usinas (apesar de comprar energia da França, do outro lado da fronteira, produzida em usinas nucleares). No Brasil as críticas em relação à energia nuclear são apoiadas na convicção popular de que uma usina e uma bomba relógio são praticamente a mesma coisa. Este ano o acidente, ou catástrofe, de Chernobyl comemora 25 anos e a Ucrânia planeja abrir a usina desativada para visitação pública.
O armamento do mundo pode ser evitado, o acidente poderia ser evitado, as mortes, enfim, poderiam ter sido evitadas. Só as sequelas não podem mais ser evitadas.
Leia +
Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Texto integral AQUI
Novo tratado entre EUA e Rússia, assinado em 5 de fevereiro de 2011. Notícia AQUI
20 anos de Chernobyl. Notícia AQUI
25 anos de Chernobyl. Notícia AQUI
A corrida armamentista entre EUA e URSS fez com que ambos os países construíssem enormes arsenais nucleares. Os EUA, por exemplo, construíram (desde 1945) 66,5 mil armas nucleares de 100 tipos diferentes. Como era de se esperar, a tensão internacional alcançou um nível insuportável e em 1968 a ONU estabeleceu um Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares reunindo incialmente os 5 membros do Conselho de Segurança - EUA, URSS (depois Rússia), China, Reino Unido e França - todos detentores de armas nucleares. No entanto, França e China só ratificaram o tratado em 1992.
Pelos termos do tratado ficaria estabelecido um limite máximo de ogivas nucleares e ninguém poderia vender ou transferir armas deste tipo para outros países "não-nucleares". Desse modo, a ideia era afastar o fantasma da guerra nuclear generalizada, sem impedir o uso pacífico da tecnologia.
Uso este que tem sido alvo de inúmeras críticas entre ecologistas e mesmo pessoas com alguma memória. Em princípio a energia atômica para geração de energia elétrica foi aplaudida como uma tecnologia limpa e eficiente. No entanto, rapidamente se expôs o problema da água usada para o resfriamento dos reatores das usinas nucleares que é devolvida à natureza com alta temperatura, interferindo no meio ambiente. Porém o pior ainda viria no ano de 1986.
No dia 26 de abril de 1986 (fevereiro no nosso calendário) uma ação mal executada na Usina de Chernobyl, na Ucrânia, provocou a explosão de um dos reatores. Com a "ajuda" do vento a núvem tóxica atingiu boa parte da Europa, apesar de os efeitos mais nocivos terem acontecido na Ucrânia, Rússia e Bielarus. Depois disso, não só os reatores soviéticos foram alvo de críticas, mas toda usina nuclear foi colocada como suspeita diante da opinião pública mundial.
![]() |
| Em amarelo a principal área afetada, as demais receberam "restos" da núvem radioativa |
As imagens são de 2006. Narração em inglês.
O armamento do mundo pode ser evitado, o acidente poderia ser evitado, as mortes, enfim, poderiam ter sido evitadas. Só as sequelas não podem mais ser evitadas.
Leia +
Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Texto integral AQUI
Novo tratado entre EUA e Rússia, assinado em 5 de fevereiro de 2011. Notícia AQUI
20 anos de Chernobyl. Notícia AQUI
25 anos de Chernobyl. Notícia AQUI
Assinar:
Postagens (Atom)



