sábado, 30 de outubro de 2010

Se exercitar faz bem: As Respostas

Vocês devem ter reparado que as 3 questões que postei não são examente de história. Ou pelo menos não são apenas de história!

A questão 1 envolve um pouco de História Antiga e muito de interpretação de texto. Era importante prestar atenção na oposição "povo" e "indivíduo", ou ainda entre coletivo e individual. No caso grego, é bom lembrar que o exercício coletivo da política se dava por meio de assembléia que quer dizer justamente "reunião de pessoas". Enquanto que a dominação individual é tirania, poder absoluto de um sobre outros. Ou, quando o poder é de alguns poucos (oligo = poucos) sobre a maioria, chama-se oligarquia. O texto defende, na verdade, a democracia.
Resposta D

A questão 2, por sua vez, mistura História Medieval e atualidades. Porém o que interessa mesmo é sua capacidade de comparar dois tempos e duas situações buscando semelhanchas e diferenças. No texto sobre a Idade Média o problema da fome é encarado como um castigo divino e a solução seria a penitência. Já no texto atual, as enchentes e os desabamentos estão ligados ao fato de não terem sido aplicados os recursos destinados a evitar esse tipo de catástrofe. De modo que qualquer alternativa que tente comparar as soluções estará errada, pois é impossível.
Resposta B

A questão 3 é pura leitura de tabela. Você precisa analisar cada coluna e tentar extrair os padrões. Na prática você pode até tentar desenhar gráficos para cada uma das colunas da tabela. No entanto, é necessário ficar atento às informações que você tem e às que a questão lhe dá. É esperado que o candidato saiba o que aconteceu no Brasil entre 1940 e 1996 (melhoria de vida, industrialização, migrações campo-cidade, etc) e alguns conceitos de geografia, como esperança de vida, taxa de natalidade, mortalidade infantil, regime demográfico.
Resposta B

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vestibular UNESP

Quem vai prestar vestibular para a Unesp (estadual paulista) já pode conferir onde fará a prova da primeira fase, que acontece no dia 14 de novembro, em 30 cidades de São Paulo, além de Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande e Curitiba.
(Folha de S. Paulo)

A listagem dos locais das provas está na reportagem da Folha e no site da Vunesp.

Se exercitar faz bem

Senhores,
Temos menos de 10 dias até o ENEM. Sim, falta pouco para o pessoal da 3a. série mostrar o que aprendeu ao longo de três anos. Isso se não der nenhum pepino de última hora no exame. Mas, para todo mundo ficar mais ou menos em forma para o grande dia vou postar alguns exercícios que seguem o mesmo modelo, porém foram feitos para outra prova.
O estilão ENEM está tão na moda que o vestibular deste ano para a Academia do Barro Branco, da Polícia Militar de São Paulo, desenvolvido pela Vunesp foi mais ou menos na mesma receita. Seguem algumas questões.

ATENÇÃO! Quando falamos em ENEM estamos pensando em questões que pedem na maior parte das vezes leitura atenta, interpretação de texto e interdisciplinariedade. Ou seja, use todas as informações ao seu alcance, mas preste MUITA atenção no enunciado, nos textos, imagens, etc.

Questão 1:
O povo, em muitas coisas, julga melhor do que o indivíduo, seja quem for. Além disso, a multidão é mais incorruptível (...) e, se um indivíduo se deixa dominar pela ira ou por outra paixão semelhante, necessariamente corrompe o seu juízo; em compensação, é difícil que todos juntos se inflamem de cólera ou pequem.
(Aristóteles, 384-322 a.C. Política.)
As considerações do filósofo grego permitem afirmar que

(A) o pensamento antigo era de natureza mítica, porque se apoiava em explicações de caráter sobrenatural.
(B) o despotismo esclarecido surgiu no período greco-romano e foi retomado pelos soberanos da época moderna.
(C) a doutrina demagógica, criada por Aristóteles, forneceu os fundamentos para a política de pão e circo.
(D) o poder político, em vez de ser exercido por um tirano ou uma oligarquia, deveria caber a uma assembleia.
(E) as disputas entre as cidades gregas foram causadas por indivíduos que não seguiram os conselhos dos filósofos.

Questão 2:
Conservamos a narrativa de uma crise de fome que ocorreu em 1033, na Borgonha. (...) O cronista teria afirmado (...) que a solução era fazer penitência. O céu enviava esse flagelo, era preciso aplacar a cólera de Deus e prostrar-se diante Dele, lamentar seus próprios pecados.
(Georges Duby. Ano 1000 ano 2000, na pista de nossos medos.)

Estado que vive uma tragédia por causa das chuvas, com 29 mortes confirmadas até agora, Alagoas não recebeu um centavo sequer do governo federal para programas de prevenção. Os dados constam de levantamento da ONG Contas Abertas. Os repasses para Pernambuco – que também contabiliza 12 mortos, milhares de desabrigados e desalojados – correspondem a 0,24% (R$ 172 mil) do total previsto para prevenção. O Rio de Janeiro, que foi atingido pelas chuvas em março e abril, figura como último da lista de contemplados, com R$ 10,6 mil, ou 0,02%.
(O Globo, 23 de junho de 2010. Adaptado.)
A partir dos textos, pode-se concluir que
(A) os avanços tecnológicos ainda não permitem que a produção agrícola alimente todos os seres humanos.
(B) a maneira de encarar as causas dos problemas informa sobre a concepção de mundo vigente nas sociedades.
(C) explicações de fundo religioso continuam a nortear a apreensão contemporânea sobre as dificuldades humanas.
(D) a má distribuição de renda é a causa dos problemas mencionados, tanto nos dias atuais como na Europa medieval.
(E) na Idade Média não se contava com cálculos precisos, o que explica a baixa produtividade das terras e a fome.
 
Questão 3:
 
(Hervé Thery. "Retrato Cartográfico e Estatístico." In: Paulo Sérgio Pinheiro, et alli. Brasil: um século de transformações.)

A partir dos dados, pode-se afirmar que
(A) as alterações observadas nos índices sociais ocorreram independentemente das condições econômicas do país.
(B) o regime demográfico conheceu alterações profundas, como indica a queda do número de filhos por família.
(C) no conjunto, observa-se tendência à estagnação dos índices, a partir dos anos 1980.
(D) o analfabetismo mostrou-se inalterável ao longo do período e continua a ser um dos desafios do país.
(E) a mortalidade infantil, que não caiu de modo expressivo no período, exige atenção das autoridades sanitárias.



As respostas estarão disponíveis para conferência em mais ou menos dois dias, no sábado à tarde. Fiquem à vontade para responder nos comentários.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Ah, a internet...

A internet acaba oferecendo algumas coisas curiosas. O Wallace acabou de me enviar um video do youtube com uma daquelas músicas que o Marcelo Adnet faz na MTV. O cara é bom, mas o tema escolhido é espinhudo. Numa proposta insana, Adnet decidiu fazer um RAP (?) com todos os presidentes do Brasil. As informações não estão erradas e o encadeamento está até mais detalhado do que se espera para 7min20s de música. Afinal, eu preciso de quase 2 bimestres para dar conta de tudo isso!
Porém, na internet tudo pode sofrer mudanças e a música do Adnet ganhou imagens de algum blogueiro. Infelizmente a colagem de imagens não é grande coisa e há imagens anacrônicas, ou seja, de períodos que não correspondem ao cantado. No mais, vale a diversão.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Qual o teu sonho?

Pense bem no que você deseja. Ser o único candidato em um processo seletivo? Ter um emprego respeitado? Assumir um cargo de chefia antes de ter 21 anos e sem ter sido estagiário?
Com vocês: Marisol Valles, mexicana de 20 anos, estudante de criminologia (sabe-se lá o que é exatamente isto!) que assumiu o cargo de Chefe de Polícia de sua cidade natal - Praxedis Guadalupe Guerrero - de 10mil habitantes.
Ok, são apenas 10mil moradores e muitos bairros de São Paulo são maiores que o povoado de PGG. Mas, maaaas... "o local é castigado pela violência E fica em uma das passagens mais usadas pelos cartéis para levar drogas aos Estados Unidos" E o prefeito foi assassinado em junho.
Lembra daqueles desenhos do Pica-Pau em que niguém quer ser xerife porque o temido Zeca Urubu vai atacar a vilarejo? É mais ou menos a mesma coisa. O desespero é tanto que uma jovem estudante e mãe de um recé-nascido topou o emprego. Parece que nem o Zorro aceitou o cargo!

Esta notícia um tanto quanto bizarra foi lida AQUI.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tá chegando

Faltam apenas 16 dias para o





Dúvidas sobre formato da prova, duração, calendário, etc? Veja no SITE OFICIAL.

Aviso do site:
Atenção! Cartão de confirmação de inscrição chegará entre 4 e 25 de outubro. Resultados da prova serão divulgados até 15 de janeiro de 2011.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Vi e lembrei de você...

Fim de ano chegando, último bimestre e o fantasma do exame começa a rondar.
Pelo jeito isso é mais comum do que eu pensava, afinal até a Folha de S. Paulo resolveu escrever a respeito. Mas não no caderno dedicado à educação, mas no Folhateen.

Ainda dá tempo de recuperar as notas e evitar a reprovação na reta final; confira as dicas


Sinceramente, acho que toda ajuda é válida. O que não vale é ter de repetir o ano...

História e Saúde

No sábado, dia 16, saiu na Folha de S. Paulo uma matéria a respeito de doenças e epidemias no Brasil Colonial. Na verdade se tratava da divulgação do livro Doenças e Curas de uma médica especializada em história da medicina chamada Cristina Gurgel. A temática não é exatamente nova, mas é sempre interessante ter um outro olhar sobre questões já mais ou menos conhecidas. Todos sabem, por exemplo, que epidemias devastaram as populações nativas da América e que os europeus não eram exatamente um primor em higiene. No entanto, analisar estas questões pelo olhar da medicina é, sem dúvida, enriquecedor. Não li o livro, mas fiquei curioso.

Hábitos insalubres tornaram Brasil Colônia grande foco de epidemias, mostra livro
Não raro, no Rio de Janeiro, em Salvador ou em qualquer outro núcleo urbano brasileiro colonial, um pedestre era "abatido" por excrementos humanos voadores enquanto seguia pela rua.
Não havia esgoto, e o hábito era jogar o resíduo pela janela mesmo. As ruas, claro, não ficavam exatamente limpas, e se tornavam bastante insalubres. Não tendo o país nenhuma faculdade de medicina, doenças contagiosas chegavam e ficavam sem enfrentar grande resistência.
Mesmo em 1799, já muito perto do fim da colônia e da chegada da família real portuguesa em fuga para o Brasil, o país, com cerca de 3 milhões de habitantes, não tinha mais de 12 médicos formados --todos importados.
Em Portugal (como no resto da Europa) também existia o hábito pouco higiênico de defenestrar fezes humanas, mas por lá, pelo menos, a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra já formava gente desde 1290 --outros países europeus também já tinham escolas médicas.

No caso brasileiro, a única solução era improvisar.
"No Brasil Colônia, então, formou-se uma pequena multidão de curandeiros, benzedeiras e rezadores que tentavam suprir a absoluta carência de profissionais habilitados", diz Cristina Gurgel, médica da PUC de Campinas que é especialista em história da saúde.
Ela está lançando o livro "Doenças e curas: o Brasil nos primeiros séculos", pela editora Contexto. Nele, ela lista doenças que se propagavam com facilidade na época, como varíola, hanseníase, malária e sarampo, além de constantes disenterias.
Por isso, a expectativa de vida dificilmente passava dos 30 anos. Crianças também eram vítimas fáceis: no século 17, por exemplo, apenas uma em cada três crianças nascidas no Nordeste conseguia sobreviver.
Até existiam alguns hospitais, como as Santas Casas, mas eles eram mantidos muito mais pelos religiosos do que por médicos.
(Continua AQUI)
(Leia também: Com higiene precária, navios não eram para narizes delicados)

A reportagem acima, de Ricardo Mioto, começa com uma cena bem curiosa: o risco de as pessoas serem atingidas por escrementos humanos. Antes da existência de esgoto encanado tudo ia para o penico e do penico ia para... qualquer lugar fora de casa. Poderia ser a rua, sim. E este hábito não terminou com a Independência. Durante o Brasil Império ainda poderia acontecer, mas surgia também outra figura, os "tigres". Eram escravos (sempre eles!) encarregados de levar os escrementos da casa até o lugar "apropriado", em geral rios ou praias. Como as fezes respingavam sobre a pele do escrava e o deixavam rajado, ganhava o apelido de tigre.
 
Leia mais:
Cuidado com o tigre!
Bichos mortos nas ruas, dejetos atirados ao mar, doenças se propagando: o insalubre cotidiano da capital pernambucana nos tempos do Império

O artigo da Revista de História da Biblioteca Nacional trata principalmente do Recife, mas de modo geral se aplica também ao Rio de Janeiro, Salvador e demais capitais do Brasil Império.

domingo, 17 de outubro de 2010

Exposição em Santos

O café se manteve como principal produto da pauta de exportações do Brasil até meados da década de 1970. Sim, apesar de lembrarmos sempre do café no Brasil Império, no Estado de São Paulo e seus imigrantes e na chamada "Política do Café com Leite", o peso do ouro verde na economia brasileira manteve-se inquestionável por quase 150 anos. Mas é claro que isso não se fez por acaso, havia interesses variados e a ação dos cafeicultores, comerciantes e governantes em geral. É justamente esta trajetória ao longo do século XX, entre o Convênio de Taubaté (1906) e o fim do Instituto Brasileiro do Café (1990), o alvo da exposição A Defesa do Café faz História.
Quem estiver em Santos, no Museu do Café, aproveite e confira meu trabalho de pesquisa, redação de textos e produção.
Inauguração no dia 21 de outubro (quinta-feira), às 18h.


Palácio da Bolsa Oficial de Café
Rua XV de Novembro nº 95, Centro - Santos - SP
Telefone: (13) 3213-1750

Horários:
Terça a Sábado - das 09h às 17h
Domingo - das 10h às 17h
Fechamento da Bilheteria: 16h15

Ingressos:
Inteira: R$ 5,00
Meia: R$ 2,50