sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Questão de linguagem

Atualmente se defende que os professores falem a língua dos jovens ou, ao menos, tente diminuir a distância entre realidades ou idades muito diferentes.
Um professor de matemática em Santos foi radical. O raciocínio foi bem preconceituoso simples: ele leciona na periferia da cidade e pensou em usar "casos reais" ao formular problemas para os alunos da 1a. série do Ensino Médio.
Nas questões, o professor pergunta, por exemplo, qual a quantidade de pó de giz que um traficante deverá misturar para ganhar 20% na venda de 200 gramas de heroína ou quantos clientes cada prostituta deverá atender para que o cafetão compre uma dose diária de crack.
In: O Estado de S. Paulo

Genial, não? Não! Além de desnecessário ele deve ter imaginado que isso fizesse parte do universo dos seus estudantes. Prostitutas, drogas, traficantes, etc, não precisam figurar em um problema de matemática para aproximar alunos e professor. Resultado: ele está sendo acusado de apologia ao crime.
Além do mais, para fazer regra de três serve quase qualquer coisa do planeta!!!

Vídeo e poesia

Castro Alves, poeta romântico baiano escreveu os mais intensos poemas contra a escravidão no Brasil Império. Abolicionista dedicado, um de seus mais famosos poemas é O Navio Negreiro (Tragédia no Mar), escrito em 1868, em São Paulo, quando tinha apenas 21 anos.
O poema apresenta um quadro contundente das atrocidades envolvidas no tráfico de escravos africanos que, apesar de proibido desde 1850, ainda marcava a origem da massa de negros cativos do Brasil. Tanto foi que o poema e seu livro Os escravos tornaram-se bandeira do movimento abolicionista, mesmo depois da prematura morte do poeta aos 24 anos.
Passeando pelo Youtube acabei encontrando um vídeo com as imagens iniciais do filme Amistad, de Steven Spielberg, sobrepostas pelos versos d'O Navio Negreiro declamado por Paulo Autran, falecido ícone do teatro brasileiro. Eu, particularmente, gostei muito do resultado.

Quem quiser ler o poema, clique AQUI.


"Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar..."

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Guerra Química

Eu costumo dar uma olhada mensal na Pré-Univesp, uma revista virtual editada pelo programa de Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Todo mês, como já comentei em alguns posts no ano passado, a revista escolhe um tema e tenta traçar o maior número de conexões possíveis, reunindo textos, vídeos, infográficos das mais diversas disciplinas.
Este mês o tema da revista é o desenvolvimento da Química. As abordagens são várias, mas me chamou a atenção o artigo sobre Guerra Química, com um interessante trecho sobre a Primeira Guerra Mundial.
Fica a sugestão de leitura.

Mau uso da ciência
Armas químicas são exemplos da utilização irracional dos avanços científicos

Por Patricia Piacentini

(...)
Durante a Primeira Guerra Mundial, cientistas pesquisaram um grande número de substâncias para o emprego bélico. Dessas, 12 foram efetivamente empregadas no campo de batalha, com efeitos lacrimogênios, asfixiantes ou irritantes.
Entretanto, o primeiro uso em larga escala dessas armas ocorreu em 1915, na batalha de Ypres, na Bélgica, onde os alemães abriram as válvulas de numerosos cilindros que continham cerca de 60 toneladas de gás cloro, que, levados pelo vento, atingiram a tropa britânica. “Em questão de minutos, homens desesperados, mãos na garganta, deitavam-se no chão ou cambaleavam em retirada. Do seu efetivo naquela batalha, cinco mil soldados morreram devido aos efeitos do cloro e milhares dos que sobreviveram ficaram incapacitados de lutar pelo resto da guerra. Somente os alemães usavam máscaras de gás naquele dia. Esse foi o início da guerra química moderna”, relata Ilha.
(...)

Reportagem completa AQUI.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Jesuítas e o Google

Estava lendo o jornal quando me deparei com uma notícia sobre um concurso de desenho do Google para crianças e adolescentes. Confesso que adoro aquelas brincadeiras do Google em datas "especiais". O concurso "Doodle 4 Google" era exatamente isso. Eles deram um tema - O Brasil do Futuro - e a molecada pirou em cima.
Minha surpresa foi saber que a ganhadora na categoria de 6 a 9 anos foi uma aluna do Colégio Santo Inácio, Jesuíta também, chamada Maria Luiza.

Doodle de Maria Luiza intitulado "Nosso Brasil do Futuro"
 Não vi os outros concorrentes, mas gostei muito do resultado. A garota mandou muito bem com essa referência às olimpíadas usando os "os" do Google. Parabéns!

A matéria toda AQUI.
A imagem é de divulgação, mas foi vista na Folha de S. Paulo.

Começos

No ano passado eu comentei com alunos da 2a. e 3a. séries sobre as minhas impressões quando entrei na faculdade e sobre as possibilidades de trote. Sem perceber e sem desejar, acabei assustando alguns. Independente de eu ter dito que ficar meio perdido no começo da faculdade é normal e que os trotes estão mudando para melhor a cada ano, teve gente que criou uma imagem pouco positiva deste começo.
Para quem sai do colégio, especialmente de uma escola privada, a impressão que se tem é que você está sozinho. De uma hora para outra foi obrigado a se virar por conta própria. Você acorda de um sonho bom - professores que sabem seu nome, coordenação pedagógica que atende aos pedidos de seus pais, inúmeras provas para você tirar nota - e cai numa realidade quase plenamente adulta. A vida universitária (a boa vida universitária em instituições públicas ou privadas sérias e tradicionais) opera uma seleção natural: quem sabe estudar sozinho, quem sabe o que quer, quem sabe planejar e seguir metas pessoais sobrevive.
Se você não aceitava sequer ser mudado de sala no colégio porque ficaria longe de seus amiguinhos, sinto muito, mas a verdade é que provavelmente irá chorar todos os dias nos primeiros meses. Sim, você vai precisar fazer novos amigos! Em todo caso, fica um segredo: isso não é difícil.
Quanto ao trote, fique atento sem perder a ternura. É um momento muito divertido, contanto que não parta para a violência ou humilhação pública. Na real, boas universidades estão deixando a violência para trás. Se seu trote for violento provavelmente você escolheu mal sua faculdade.
No mais, toda experiência maluca é válida. As festas estilo "Eduardo e Mônica" - festa estranha com gente esquisita - são tão significativas quanto bons professores. A única coisa que eu abriria mão seriam os professores picaretas, eles existem aos montes, mas são desnecessários.


Trote da USP de Ribeirão Preto (SP) teve "banho de lama"
"Não estou nem aí. A felicidade é maior do que a sujeira", afirmou Livia Maria Michelassi da Silva, 20, que aceitou a brincadeira e rolou na lama do campus. Caloura de biologia, ela conseguiu uma vaga após dois anos de cursinho.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

É história que não acaba mais...

Alguns alunos da 3a. série me pediram o conteúdo progrático de história pedido pela Fuvest. Apesar de eu ter orientado-os a procurar no manual do candidato, achei que não custava colocar aqui também. Mas que fique claro, é um mero recorta-e-cola do manual de vestibular 2011. Aliás, duvido que algo mude para este ano. A Fuvest continua pedindo uma montanha de conteúdo para o Ensino Médio, mas na hora da prova acabamos brindados com um recorte bem estranho. Neste vestibular que acabou de terminar caiu história do Brasil apenas na prova específica da segunda fase...

SUGESTÃO: Leia com atenção a introdução que a Fuvest faz ao programa. Talvez seja a parte mais interessante e válida. Eles dizem o que se espera do aluno ao final do Ensino Médio.

Este programa está constituído por um conjunto de temas que tratam da História do Brasil, da América e Geral, esta última centrada no Mediterrâneo e na Europa. Do candidato, espera-se que, com base no conhecimento desses conteúdos, saiba
a) operar com os conceitos básicos do saber histórico: com a relação passado-presente e as várias modalidades do tempo-histórico;
b) identificar, distinguir e relacionar fenômenos históricos;
c) que o passado pode ser conhecido através das mais variadas fontes, que vão muito além dos documentos oficiais;
d) que o uso, compreensão e valorização dessas fontes dependem das interpretações dos historiadores e estas, por sua vez, do contexto em que eles vive(ra)m.
PROGRAMA

I - História do Brasil
1. A Pré-história e as origens do homem americano.
2. Populações indígenas do Brasil: experiências antes da conquista, resistências e acomodações à colonização.
3. O sistema colonial: organização política e administrativa.
4. A economia colonial: extrativismo, agricultura, pecuária, mineração e comércio.
5. A interiorização e a formação das fronteiras.
6. Escravos e homens livres na Colônia.
7. Religião, cultura e educação na Colônia.
8. Os negros no Brasil: culturas e confrontos.
9. Rebeliões e tentativas de emancipação.
10. O período joanino e a Independência.
11. Primeiro Reinado e Regência: organização do Estado e lutas políticas.
12. Segundo Reinado: economia, política e manifestações culturais.
13. Escravidão, indígenas e homens livres no século XIX.
14. Imigração e abolição.
15. A crise do Império e o advento da República.
16. Confrontos e aproximações entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai (séculos XIX e XX).
17. Movimentos sociais no campo e nas cidades no período republicano.
18. Política e Cultura no Brasil República.
19. As transformações da condição feminina depois da 2a Guerra Mundial.
20. O sistema político atual.

II - História da América
1. Culturas indígenas: maias, astecas e incas.
2. A conquista da América espanhola: dominação e resistência.
3. As colonizações espanhola e inglesa: aproximações e diferenças.
4. Formas de trabalho compulsório nas Américas no período colonial.
5. Ideias e movimentos pela independência política nas Américas.
6. A formação dos Estados nacionais (América Latina e Estados Unidos).
7. EUA: expansão para o Oeste e Guerra de Secessão.
8. Modernização, urbanização e industrialização na América Latina no século XX.
9. Revoluções na América Latina (México e Cuba).
10. Crise de 1929, New Deal e a hegemonia dos EUA no pós-guerra.
11. Estado e reforma política: Lázaro Cárdenas e Juan Domingo Perón.
12. Militarismo, democracia e ditadura na América Latina no século XX.
13. Manifestações culturais na América no século XX.
14. Questões políticas da atualidade.

III - História Antiga
1. Culturas e Estados no Antigo Oriente Próximo.
2. O mundo grego.
3. O mundo romano.

IV - História Medieval
1. O cristianismo, a Igreja Católica e os reinos bárbaros.
2. Os mundos do Islão e de Bizâncio.
3. Economia, sociedade e política no feudalismo.
4. O desenvolvimento do comércio, o crescimento urbano e a vida cultural.
5. A crise do século XIV.

V- História Moderna
1. O Renascimento.
2. As reformas religiosas e a Inquisição.
3. O Estado moderno e o Absolutismo monárquico.
4. Antigo Regime e Ilustração.
5. As Revoluções inglesas do século XVII e a Revolução francesa de 1789.
6. Revolução industrial e capitalismo.

VI - História Contemporânea
1. A Europa em guerra e em equilíbrio (1789-1830): Napoleão, Congresso de Viena e Restauração.
2. A Europa em transformação (1830-1871): as revoluções liberais, nacionalistas e socialistas.
3. A Europa em competição (1871-1914): imperialismo, neo-colonialismo e belle époque.
4. O capitalismo nos séculos XIX e XX.
5. Classes e interesses sociais em conflito nos séculos XIX e XX.
6. Arte e cultura nos séculos XIX e XX: do eurocentrismo ao multiculturalismo.
7. As duas grandes guerras mundiais (1914-1945).
8. As revoluções socialistas: Rússia e China.
9. As décadas de 20 e 30: crises, conflitos e experiências totalitárias.
10. Bipolarização do mundo e Guerra Fria.
11. Descolonização e principais movimentos de libertação nacional na Ásia e África.
12. Os conflitos no mundo árabe e a criação do Estado de Israel.
13. A queda do muro de Berlim, o fim do socialismo real e a desintegração da URSS.
14. Expansão/crescimento do mundo urbano, as novas tecnologias e os novos agentes sociais e políticos.
15. Conflitos étnico-religiosos no final do século XX.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Uma dica

Quem gosta de fazer pesquisas na internet tem sempre o mesmo problema: "a fonte é confiável?". Mas, sejamos justos, antigamente também corríamos o risco de pegarmos uma enciclopédia ruim para fazer as pesquisas escolares.
Por isso é sempre bom sugerir o que, afinal, tem de bom na internet. Fica aqui mais uma sugestão:


Bons textos, grande acervo e belas imagens. Agora é por conta de vocês!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A criatividade e seus limites

Eu costumo me divertir com a criatividade do ser humano. Não me considero uma pessoa criativa, ou talvez por me preocupar em ser de fato original acabo descartando ideias que parecem muito inspiradas em outras coisas. Mas nem todo mundo pensa assim.
Veja o caso da peça Lisístrata, do dramaturgo grego Aristófanes. O texto, de 441 a.C., é muito famoso por fazer uma crítica à Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta. Na visão do dramaturgo o conflito comandado pelos homens - políticos e guerreiros - enfraquecia Atenas e a deixava vulnerável a outros inimigos. Então, na peça, as mulheres comandadas por Lisístrata decidem iniciar uma greve de sexo para obrigar seus maridos a acabarem com a guerra. As mulheres são bem sucedidas em seu protesto e Atenas e Esparta decidem pela paz.
Agora a "releitura" contemporânea:
Senadora belga propõe greve de sexo até formação de governo
A senadora social-democrata flamenga Marleen Temmerman propôs que as mulheres dos negociadores da crise belga declarem uma "greve de sexo" com o objetivo de pressionar um acordo que permita solucionar o bloqueio político no país, que leva mais de meio ano sem Executivo.
Em declarações ao jornal "De Morgen", Temmerman, no Senado desde 2007 e ginecologista de profissão, afirma que "uma greve de sexo poderia funcionar no país, pois é melhor que o cinismo".
A Bélgica vive seu 239º dia sem governo, depois que as eleições do dia 13 de junho do ano passado não alcançaram um acordo entre os sete principais partidos para reformar o Estado e formar uma coalizão de governo.
Detalhe, a senadora declarou sua inspiração em Lisístrata. Cabe agora ver se vai dar certo!

Humor político

Toda piada envolve algum conhecimento. Se você não domina alguns códigos básicos a situação simplesmente não será engraçada. As piadas de português, por exemplo, só fazem sentido para brasileiros. O mesmo ocorre com charges, um tipo de cartoons que se popularizou especialmente como crítica política.
O aluno Luan, da 3a. série, enviou a charge abaixo.

Se você não entendeu é sinal de que faltam algumas informações. Então, fica a dica: procure ler sobre a crise (ou revolta) no Egito.
Dê uma olhada nos posts desta semana.


ATUALIZAÇÃO: E não é que Hosni Mubarak se desplugou (ou foi desplugado) do governo do Egito? Veja AQUI.

Créditos: O Luan viu a charge num blog de nome Baratonta, mas creio que a imagem rodou por um monte de blogs. Porém a obra é de Carlos Latuff, um conceituado cartunista brasileiro especializado em temas políticos e com publicações por todo o mundo. Veja o interessante blog do cartunista: Tales of Iraq War

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Era uma vez um império...

Todos que nascem no Brasil são brasileiros e isto parece muito óbvio para nós. Mas isso não se aplica a todos os países e nacionalidades.
Nós temos, grosso modo, os Estados-Nacionais e os Estados Multi-Nacionais. Ou seja, há países em que o Estado (estrutura legal e de poder) e a Nação (identidade coletiva comum a uma determinada população) coincidem, e países em que há um Estado e muitas Nações dentro de um mesmo território nem sempre de forma tranquila. Na Espanha atual, por exemplo, nós temos o Estado espanhol e até mesmo uma identidade espanhola, mas há o País Basco, a Catalunha, etc.
Mas o que queria comentar com vocês é a respeito do Império Austro-Húngaro. Vejam, já no nome há muita informação. Primeiro, define-se por império, ou seja, uma Estado fruto de expansão territórial que abarca diferentes povos sob um mesmo regime, via de regra uma monarquia. Porém, este império iguala em direitos dois povos que terão preferência nos círculos decisórios (governos, administração, educação, etc.): os austríacos e os húngaros. Porém, isto não acaba assim, há ainda uma série de outras nacionalidades envolvidas, populações que reivindicavam maior participação no governo, reconhecimento de sua cultura e de seu idioma e até direito a autonomia administrativa ou total. Em alguns casos como os sérvios, parte desta população já fazia parte de outro país, a Sérvia, e via-se separado dos demais.
Vejam o mapa abaixo (em espanhol):

Italianos, tchecos, eslovacos, eslovenos, poloneses, croatas, sérvios, romenos e outros estavam reunidos dentro do Império Austro-Húngaro.
Quando o Arquiduque Francisco Ferdinando foi a Saraievo pretendia-se anuncia algumas reformas no Império para dar maior autonomia a boa parte destas nacionalidades a fim de acalmar os ânimos e evitar outros conflitos internos. No entanto, seu assassinato acabou colocando mais lenha na fogueira que existia há muito tempo.